HelderOliveira

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n. , Angola

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Prisioneiro do Amor

Preso! Vivo preso!

Prendeu-me um coração!

E ao invés de menosprezo,

Dentro de mim represo,

O gosto da punição;

----

Que ninguém fique surpreso,

Por eu gostar da reclusão;

É que tanto por esse amor me prezo,

Que a liberdade por ele desprezo,

Para feliz viver na prisão!

----

Helder Oliveira

(Helder de Jesus Ferreira de Oliveira)

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Poemas

6

Prisioneiro do Amor

Preso! Vivo preso!

Prendeu-me um coração!

E ao invés de menosprezo,

Dentro de mim represo,

O gosto da punição;

----

Que ninguém fique surpreso,

Por eu gostar da reclusão;

É que tanto por esse amor me prezo,

Que a liberdade por ele desprezo,

Para feliz viver na prisão!

----

Helder Oliveira

(Helder de Jesus Ferreira de Oliveira)

128

Primeiro Amor

Que importa que o mundo todo,

Loucura chame a este amor meu bem,

Se nunca senti deste modo,

Outro nenhum por ninguém;

Tão grande tão verdadeiro,

É a relíquia mais querida,

O grande amor primeiro,

Que entrou na minha vida;

Que importa portanto que o mundo,

Que não sente este querer profundo,

Levante a voz com desdém,

E loucura chame a este amor meu bem;

E que saiba o mundo também,

Que não é falso nem engodo,

E nem chafurda em baixo lodo,

Este amor que me retém;

Por este amor que o mundo despreza,

E que chama de grande absurdo,

Das vozes do mundo sou surdo,

Pois este amor tanto me preza;

E escutem bem este clamor:

Nunca com tão grande ardor,

Nunca com tanto fervor,

Senti como nunca ninguém,

Um outro igual por alguém!

Helder Oliveira

(Helder de Jesus Ferreira de Oliveira)

119

Um Beijo ao Luar

E deleitada a noite que nascia,
Despiu o escuro manto torturante,
E vestia agora fulgurante,
Um luar tão claro como o dia;


E logo em nós um férvido desejo,
Forte... ingente...
De um primeiro beijo,
Na noite fulgente;


E em redor um silêncio estagnado,
Desperta exóticas sensações,
E é apenas perturbado,
Pelo bater dos nossos corações;


E em nós se cumpre o desejo,
E tão veementemente,
No nosso lúbrico beijo,
Longo e quente!


Helder Oliveira


135

Sonho Desfeito

Naquela tarde serena,
Sem dó, sem pena,
Fugiste de mim;


Fiquei magoado,
Com o olhar parado,
Como o de um manequim;


Perguntei-te então,
Se nos jurámos em vão,
E tu disseste que sim;


E assim se desfez,
Este meu sonho que fez,
Mil venturas em mim;


Agora caminho incerto,
Como num deserto,
Longo, sem fim;


E minha vida é triste,
Só dor em mim existe;
Por que será sempre assim?


Helder Oliveira


133

Longa Jornada


Minhas ambições na inglória luta enterrei,

Na inglória luta afoguei minhas paixões;

E naufragado em oceano de ilusões,

Lanço-me à bóia que eu próprio soterrei;

Os meus caminhos nunca os descerrei,

Neste emaranhado de desilusões;

Sem rumo certo ando aos tropeções,

No labirinto onde há muito me encerrei;


E assim para fugir a este infausto destino,

Procuro com um ímpeto ferino,

Um novomundo para me albergar;


Vagueio noite e dia qual indomável libertino,

Por rotas sinuosas de errante peregrino,

Na esperança de algum dia lá chegar!

Helder Oliveira

143

Para Nunca Mais Me Enamorar

Para nunca mais me enamorar,

Arranquei de mim o coração;

E para eternizar a separação,

Joguei-o para o fundo do mar;

E sem ele eu agora vou reinar,

No lúbrico mundo das paixões;

Vou enlouquecer corações,

Sem medo de me apaixonar;

Nunca mais arderei na chama,

De um amor não correspondido;

E será sempre bem respondido,

O apelo de quem diz que me ama;

Já das aves oiço melodias,

Que nunca tanto me maravilharam;

E sobre a minha alma pairam,

Deliciosas alegrias;

No mar as ondas batem forte,

Na bela noite de luar;

E no meu coração oiço soar,

Um triste gemido de morte;

Meu coração adeus, partiste,

Do mar já não voltas mais;

Sossegaste, calaste os ais,

Da tua vida amarga e triste!


Helder Oliveira

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