Um refresco de indisciplina pinga e a agenda cai direta num invólucro de discórdia. Coxeio na rasteira para fugir à ratoeira e espreito a vida, para não bocejar em caçadeira. Preparo o escudo e aprendo suicida. Vulgarizo blasfémias, brumo cínico, vingo clínico. Máscaras a pedido do interlocutor: engraxo a cara, unto o peito e de lábios semiabertos tropeço perfeito. O braço em vaivém e o tempo dá o que tem, enquanto rendo voos de serrote num tapete sem archote.
Publicar um livro é uma consequência positiva de uma ideia que se materializou ortograficamente. Para este escritor é também um incentivo animador porque valoriza os afetos, o prazer da autodeterminação, o crescimento pessoal e a liberdade social. Fatores intrínsecos que, segundo afirma, são essenciais no seu trabalho. Este autor do século XXI possui uma necessidade inata de desenvolver o seu potencial o que leva a manter um interesse constante em cultivar os seus recursos literários, interpreta os acontecimentos externos interligando processos mentais com questões existenciais relevantes. Heleno Pinhal não faz nada contra a vontade para não perder a criatividade e sente desdém ao escrever algo que tenha valor só para os outros. É a sua motivação interna associada à atividade que o motivam a si mesmo.
Obras Publicadas por Heleno Pinhal Corpo de Água Num Copo de Carne Humana (poesia) – Dezembro 2008 Daqui a 500 Anos Não Há Papel – Setembro 2007 Incompleto Organismo Este Que Anda Comigo Por Todo o Lado – Outubro 2006 Análise Educacional Aplicada – Julho 2005 Covilhã Viperina – Maio 2004 Farolas – Histórias para o mundo pequeno – Novembro 2003 Comenos Helenísticos – Julho 2003
Um refresco de indisciplina pinga e a agenda cai direta num invólucro de discórdia. Coxeio na rasteira para fugir à ratoeira e espreito a vida, para não bocejar em caçadeira. Preparo o escudo e aprendo suicida. Vulgarizo blasfémias, brumo cínico, vingo clínico. Máscaras a pedido do interlocutor: engraxo a cara, unto o peito e de lábios semiabertos tropeço perfeito. O braço em vaivém e o tempo dá o que tem, enquanto rendo voos de serrote num tapete sem archote.
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o cio da cultura
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Folo em Júbilos
Um ser humano complicado desprende-se diariamente sem que eu consinta. Se quero permanecer cego às partes quentes do globo, porque me lanço de cabeça nos contágicos sentimentos? Demoníaco tardo a perceber o fumo das garras dos catraios a brincar escanzelados com as cruzes das bombas. Vales de mares tardam e aterro.
Ando sem encaixe e com feições terrenas, demasiado. Um desabado mundo volta a atacar sôfrego de atenção. Chorincas letras que não acordam, não se afastam da negrura gélida do terror, da dor, do amor coçado de fuga.
Arranho a pele para a encontrar. Espeto lascas. Dói? Pois sim cetim! Froixo contínuo levantado, cruzado de ignorância tocada e sem órbita. Espelhos de mim bem-querido festim! Amargos cardos à vontade rolam!
Eu, atento, continuo completo, o meu ser sou eu, o meu eu repleto.
Distrai de prosa cai no metro.
Não acertes. Ponto final de cinco em sete palavras e desmarcas a medida.
Isso, escreve suave e sem escala!
Digo escrúpulos, folo em júbilos, descrevo formas em cambalhota sem gravidade que me aperte.
Versalhada não me soletres, convém saberes que inteiro sou mais homem que tapado, marcado em tom ritmo, sem que os poros que me lanço sejam despertos do vulgar.
Fico igual, circular ou marginal?
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Procrastinar ou manter o prometido
Que truque de segunda reparar o dito para o transformar em bendito.
Adoçante de cacau que me ralhas de mau.
Carro sem janelas com assentos de selas, a viajar de uma veia a uma orelha para espiar o injusto como se fosse um boato cusco.
Fechar esta expressão anormal de uma forma singular.
Desacreditar as rimas, que são todas inimigas, e trabalhar o vivido para melhorar o que é seguido.
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Pancarta
Escrever um nada num gume de espada.
Voltear e de novo dentro dum ovo orações de santos aguçadas nos cantos repelem dos dias os prantos.
Fico demente e de repente a flecha do real crava-me no ombro um punhal.
Recupero do ruim e deixo de distrair-me de mim.
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Apanágio mental
Fácil como pensar É vatear a metro Ir certo, mas a amar E de torto intelecto.
Palavras de má rima São duras de roer Mas geram autoestima Inspiram o meu ser.
Qualquer caneta serve Pra gerar um poema Uma inspiração breve Num ecrã de cinema.
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Prosápia engatilhada
Ainda bem que não me preocupo em decorar os pensamentos, com eflúvios eletrizados de exaltação, quer eles sejam juncados de preito ou aformoseados de prodígios ardentes de concretização.
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Vem-Estar
Canta escondido um pardal Entusiasmado com a vida Eu ouço o seu musical Com a mente comovida.
Um sentimento no adro Tanto aperta que me enrola Num estado felizardo A dedelhar na viola.
Um vate terno e minúsculo Torna-se num vil atlético De início com pouco músculo Cresceu logo por seu mérito.
E com tanta emoção Perscrutada de imaturo O destino numa mão A outra altera o futuro.
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Ágape
o silêncio é franciscano neste posto de alma tédio vácuo agro num monte plano penso às voltas. Não há remédio.
a mente prende o desafio e regresso à normalidade não minto, nem nunca sorrio jamais mostro parcialidade.
tenho de treinar a paciência saber esperar com alento utilizar inteligência redesenhar o meu talento.