Helio Valim

Helio Valim

n. 1959 BR BR

Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação. Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro.

n. 1959-10-03, Rio de Janeiro

Perfil
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Esconderijo


A pequena porta desbotada,
na fachada do sobrado decadente,
em uma cidade extenuada
esconde tesouro eminente.

Suas prateleiras empoeiradas
guardam inestimável memória,
em livros e brochuras emboloradas,
ornados com intensa glória.

Como pérolas perseguidas,
não há um bom livro que me escape
ou um grande autor que eu resista.

Sendo frequentador costumaz,
no sebo de livros me satisfaço.
No sebo de usados me sinto em paz.
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Biografia
Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação. Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Sou mestre em Engenharia, pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior e graduado em Engenharia Civil e Arquitetura.

Poemas

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Hi-Fi: Um drink... uma desilusão (Miniconto)

A rave acontecia em um galpão, com muita música eletrônica, patrocinada por um renomado energético alado. Devido a sua longa duração se estendera pela madrugado e, agora, os primeiros raios do dia, expulsavam a noite e lá fora pessoas começavam a saudar o dia, retomando a rotina de trabalho.

Foi nesse instante, entre o luar e o sol nascer, que eu a encontrei. Ela tão linda encoberta pela profusão de luzes comandadas por um DJ ensandecido, detonando sua pick-up performando a sua arte, o seu DJing, com intensa vibração, mantendo o beat, o compasso das músicas, acelerado tal qual as batidas do meu coração

Ofereci-lhe um drink. Ela escolheu um Hi-Fi, clássico do século passado, do final dos anos 80, início dos 90, derradeiros “embalos da Era das Disco” elaborado com vodka, gelo e refrigerante de laranja. A escolha aguçou a minha curiosidade. A bartender desorientada não conseguiu preparar o drink e acabamos bebendo o energético, com vodka.

Insisti na minha curiosidade. Então ela sorriu um sorriso malevolente que sutilmente escondia, encoberto por grande sedução e me contou a sua paixão por um homem mais velho, seu professor de História das Artes, seu amante do século XX. Não tive nenhuma chance!
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Painel Vida (Minicrônica)


Uma imagem que transpira vida, arte e verdade para dissabor daqueles que negam a realidade.

Um grupo com 18 artistas, muralistas, integrantes do projeto “Rua Walls”, mudaram a paisagem árida da Região Portuária do Rio com grafites. São 16 painéis, abrangendo uma área aproximada de oito mil metros quadrados. Os painéis foram executados da saída do túnel Marcelo Alencar até a rodoviária Novo Rio, com cerca de dois quilômetros de extensão.

As obras de arte urbana foram executadas durante as madrugadas do mês de setembro de 2020, durante a pandemia.

As fachadas e paredes desse conjunto de galpões, perderam seu valor histórico ou arquitetônico, devido às várias intervenções desastrosas ao longo de processos de urbanização caóticos. Mas agora ganharam vida e identidade com os novos painéis multicoloridos.

Os artistas: Agrade Camís, Amorinha, Bruno Lyfe, Célio, Chica Capeto, Diego Zelota, Dolores Esos, Flora Yumi, Igor SRC, Leandro Assis, Luna Bastos, Mariê Balbinot, Marlon Muk, Miguel Afa, Paula Cruz, Thiago Haule, Vinicius Mesquita e Ziza.

Fonte: G1
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Negacionismo


Personagens negacionistas
negam a verdade,
em uma antítese sem credibilidade,
tornando-se obtusos.

Tais céticos confusos
zurram, buscando engendrar
justificativas que os ajudem
desse imbróglio escapar.

Rotos com sua lógica insana,
irascíveis em todos os debates,
confundem liberdade
com irresponsabilidade.

Imorais apoiados em falsa moral
apelam a frágeis trunfos,
esquivando-se de análise introspectiva,
pois temem encarar reais perspectivas.

Mas não importa, não intimida.
Pois no caminho surge a reposta.
Um mural, com a esperança exposta
em belo grafite da palavra vida!
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Porta-retratos


Observo fotos em profusão.
Percebo momentos congelados,
mas nem sempre preservados,
tais quais pequenas gotas de emoção.

Testemunhos de lembranças,
guardadas no limbo das reminiscências,
que afloram em nossa consciência
como imateriais heranças.

Na sala, no quarto, em destaque,
expondo cenas de família e amigos,
merecendo aplausos da melhor claque
pelos instantes intensamente vividos.

Partes de um confuso quebra-cabeça,
onde cada peça guarda a sua riqueza,
mimetizada em imagens e cores
de inesquecíveis alegrias e amores.

Edito o longo filme de uma vida.
Monto, a partir de dispersos fotogramas,
um universo de histórias comovidas,
que me rementem a romances e dramas.
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Místicos mitos


Deuses amorais,
deuses edulcorados,
seres espaciais,
mísseis teleguiados,
tudo, qualquer coisa,
vira mito.
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Religiosidade mítica

Desde sempre, até o presente,
o homem tenta esclarecer,
sem, ao menos, entender
o medo que sente
por criaturas místicas
um tanto ontológicas.

Na ilusão de se proteger
cria templos e crenças.
Cultua mitos,
ricos em imaginação,
que apelam até para a razão.
Procura resposta de qualidade,
um elo, uma ligação...
entre o misticismo e a realidade.

Templos, ritos,
dogmas, cultos...
o homem tenta aplacar sua fome,
também espiritual,
com rezas, ioga
e meditação transcendental.
Quem manda é a moda!

Da água ao azeite,
Do incenso ao açafrão,
nada escapa ao deleite
de mitos, místicos de ocasião
que manipulam suas seitas,
como se fossem receitas
para a exaltação eficaz
de semideus incapaz!
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Encanto de verão em Praia Linda


Em Praia Linda
encontrei você,
tão linda quanto a praia,
com o olhar perdido,
esquecido no horizonte,
que timidamente
não escondia o sol,
banhando sua pele dourada.

Com vislumbres de euforia,
disfarçava a alegria em vê-la,
serena, pura,
tão meiga,
formando com a paisagem
um quadro, uma miragem
de inigualável sutileza.

Sua singela beleza,
Impregnava minha juventude
que transpirava em emoções
junto com o pôr do sol,
com a areia branca, o sal,
e toda a natureza
naquela tarde de verão...
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Selenita

Toda vez que me vejo
onde o desejo
é mais forte que o real
sinto-me sideral...

Percebo, bem de perto,
no céu aberto,
a eterna nave celestial!
Lua, que nos circunda, tal qual.

Vago perdido em devaneios,
na busca de sentidos,
embriagado, por demais, para expressar
o meu encantamento pelo luar.

Esqueço o chão que piso,
com franco sorriso
contemplo a ilusão,
então, improviso...

Declamo um poema,
clamando por órbita
que contorne meu dilema
e, finalmente, me torne fiel selenita.
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No compasso maternal

Com suave movimento pendular
embala, em seu colo, sua cria,
juntando-se ao universo em harmonia,
acalenta sua criança ao cantar.

Nesse maternal aconchego,
não há mal capaz
de interromper tal sossego
em relação tão fugaz

O mundo se move, o universo também.
Enquanto a jovem mãe a cadência mantém.
Ao largo, comtemplo a maternidade
incorporando, em si, a imortalidade.

Liberto de demência datada
vivencio lembrança pueril,
enquanto alguma sanidade pairava
debaixo daquele céu anil.
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Quando uma estrela é um cometa

Tua trajetória efêmera,
como uma quimera,
ganha os palcos eternos
quando menos se espera

Fulminando almas.
Encantando-as com acordes
em troca de singelas palmas
que não impedem que te afogues.

Forte música aponta a verdade
mas, tua vigorosa interpretação
não esconde tal fragilidade,
que carregas no coração

Embriagas-te até o espasmo,
sem suportar realidade
pulsando sem compasso
com a tua genialidade.

Homenagem à AMY WINEHOUSE
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