Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro.
Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Sou mestre em Engenharia, pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior e graduado em Engenharia Civil e Arquitetura.
Parece dança, mas é luta! Com voadora e rasteira avança a capoeira, pura arte e cultura.
Rabo de arraia salva a arraia-miúda de razia ou submissão, apesar da criminalização.
De capangas dos senhores chega-se aos mestres, ao som do berimbau.
Hoje, na favela, é tradição que tutela o jovem fora da tragédia.
(heliovalim.blogspot.com)
298
Tic-tac, tic-tac...
Lá se vai mais um segundo, com sessenta, mais um minuto com sessenta, mais uma hora, logo, em pouco tempo, mais uma vida vai embora.
Toca o vaidoso Big Bem, que em contínua vigília, vai a todos acordando, e ao mundo relembrando a enfadonha monotonia.
Toca o relógio da donzela, que apesar de tão bela, esguia tal qual uma gazela, impaciente, espera o amor que um dia já foi dela.
Toca o relógio do velho senhor, sentado na varanda do destino recorda seus dias de criança, deixando escapar a lembrança que garante a sua esperança.
Mas nem assim o tempo para, mesmo que todos o esqueçam, em cada tic ou tac mais um segundo é roubado da vida de um desavisado.
Tic-tac, tic-tac...
28
Chorar
No choro reprimido pelas agonias vividas, carrego o lamento contido das famílias sofridas.
Descaso desmedido transborda em letargia no choro reprimido pelas agonias vividas.
No sonho esquecido por corroída alegria deste tempo corrompido guardo toda a melancolia no choro reprimido.
261
Beija-flor (Amante infiel)
Bate tuas asas no compasso dessa cor. Na velocidade que abraças esqueces até a dor.
Beije essa flor, lacônico amante, envolve-a com teu amor Impulsivo e vibrante.
Sem tempo para fidelidade, sem espaço para ficar, na busca da tua saciedade.
Eterno amante infiel voe para o próximo néctar, na trilha de cobiçado mel.
248
Ler o mundo
Aquele que não lê o mundo perde-se em soberba ilusão, não entende o que lhe cerca, abandona o senso e a razão.
Leigo, perdido, sem noção não percebe as dúvidas que afligem seu coração, pois, são dívidas de emoção.
Sem apoio da imaginação, sem trégua para superação, sofre com sua vil realidade, que lhe fere sem compaixão!
A realística leitura do real pode derrubá-lo do pedestal, o que lhe impõe uma virada para entender tal jornada.
Ler e interpretar a realidade atento à correção dos fatos, garante a visão da verdade sem traumas ou impactos.
277
Sesmarias esquecidas
Entre a areia e o mar dunas esparramam-se, suavemente entregam-se, em praias infindáveis sob ondas a arrebentar.
Na intensidade da arrebentação ouriço, marisco e mexilhão observam a briga com tristeza, pois, entre o mar e o rochedo não há espaço para folguedo.
A vida no alagado distante emerge do vibrante mangue. Entre o mar e o rio ressurgente reina o caranguejo imponente no seu reino de lama latente.
Reinos de areia, rocha e lama, aprazíveis sesmarias esquecidas, onde a natureza habita e clama, vivendo a paz tão reverenciada, distante da corrompida ganância.
256
Para-raios
Você atrai olhares, raios em tempestades. Aos incrédulos impacta com elétrica sensualidade.
Sua energia explosiva com charme me eletriza, levando-me ao solo com sua carga impulsiva.
Para-raios da sinceridade, com emoção e fascinação, percebo sua eletricidade como verdade e intensão.
Entrego-me aos seus brios. Seus raios em desvarios percorrem meu corpo, fulminado meu coração.