Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro.
Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação.
Possuo mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Sou mestre em Engenharia, pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior e graduado em Engenharia Civil e Arquitetura.
Rolar pedra morro acima, é tão desalentada sina, quanto observá-la descer é mal demais para padecer.
O ser humano passa a existência em busca de sua essência, mas em um mundo desconexo, torna-se apenas perplexo.
Assediado por entidades envolventes, como as religiões e ideologias, paga seus pecados mais contundentes com revolta sem precedentes.
Como Sísifo, por ter enganado Hades, foi castigado por Hermes a empurrar uma pedra morro acima e tornar a buscá-la, numa eterna rotina.
Seu castigo é observar, com eterno pesar, que apesar de toda a revolta, nada muda, e a rotina sempre volta.
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Minha guitarra, minha parceira (Miniconto)
Durante uma apresentação, no ápice do solo, finalizando uma performance, a correia da guitarra se rompe e antes que pudesse agir minha Fender Stratocaster Squier Classic, preta, com visual e feeling dos anos setenta, cai no chão do palco. Pude acompanhar em slow motion todo o movimento até o inevitável choque.
Com imensa tristeza e dor vislumbrei que tal choque quebrou o braço dela e, simultaneamente, estraçalhou minha alma. Quantos momentos vividos em parceria tão fiel, sem qualquer traição ou rompimento, fidelidade raramente encontrada. Anos de parceria interrompidos em apenas alguns segundos.
Observando com mais cuidado percebi que o braço rompeu na altura do headstock, que é a cabeça ou a mão da guitarra, não atingiu a escala, porém empenou o tensor, o que poderia causar uma torção no resto do braço.
Com o coração partido peguei minha guitarra, coloquei-a em sua case e busquei o auxílio de um Luthier conhecido. Chegando à oficina, o especialista analisou os danos e, como um “doutor em cordas”, proferiu o seu diagnóstico. Minha Fender, poderia ser reparada e novamente ajustada.
Passado alguns dias de ansiedade retornei à oficina e reencontrei a minha paixão. O Luthier pediu que a testasse. Ao tocá-la percebi que apesar do braço quebrado, agora reparado, a alma continuava intacta. Então, num momento de êxtase, solei slides, bends e vibratos cheios de emoção. Minha parceira voltou!
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Caminhada
Ando, ando, ando... A praia continua fugindo, correndo enquanto sigo. Observo as ondas quebrando, lavando a areia límpida, carregando mar adentro as máculas das algas ociosas que, deixam-se levar, preguiçosas, não negando nenhum acalento daquela branda espuma branca.
Ando, ando, ando... Percorro longo caminho, piso firme na areia fofa. Meu pé afunda, como se a praia o devorasse, como se a Terra me engolisse. Distraído vivo uma metáfora, comtemplando a vida afora, Sem descanso, não paro, apenas, ando.
Ando, ando, ando... Continuo andando, sigo pelas veredas da vida, sonhando com pérolas e contas alvas, enquanto conto as conchas brancas, reluzentes pontos de luz e cor, que marcam todo o meu percorrer, indicando meu rumo, apurando minha jornada, para o meu sonho, a minha última parada...
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Hi-Fi: Um drink... uma desilusão (Miniconto)
A rave acontecia em um galpão, com muita música eletrônica, patrocinada por um renomado energético alado. Devido a sua longa duração se estendera pela madrugado e, agora, os primeiros raios do dia, expulsavam a noite e lá fora pessoas começavam a saudar o dia, retomando a rotina de trabalho.
Foi nesse instante, entre o luar e o sol nascer, que eu a encontrei. Ela tão linda encoberta pela profusão de luzes comandadas por um DJ ensandecido, detonando sua pick-up performando a sua arte, o seu DJing, com intensa vibração, mantendo o beat, o compasso das músicas, acelerado tal qual as batidas do meu coração
Ofereci-lhe um drink. Ela escolheu um Hi-Fi, clássico do século passado, do final dos anos 80, início dos 90, derradeiros “embalos da Era das Disco” elaborado com vodka, gelo e refrigerante de laranja. A escolha aguçou a minha curiosidade. A bartender desorientada não conseguiu preparar o drink e acabamos bebendo o energético, com vodka.
Insisti na minha curiosidade. Então ela sorriu um sorriso malevolente que sutilmente escondia, encoberto por grande sedução e me contou a sua paixão por um homem mais velho, seu professor de História das Artes, seu amante do século XX. Não tive nenhuma chance!
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Painel Vida (Minicrônica)
Uma imagem que transpira vida, arte e verdade para dissabor daqueles que negam a realidade.
Um grupo com 18 artistas, muralistas, integrantes do projeto “Rua Walls”, mudaram a paisagem árida da Região Portuária do Rio com grafites. São 16 painéis, abrangendo uma área aproximada de oito mil metros quadrados. Os painéis foram executados da saída do túnel Marcelo Alencar até a rodoviária Novo Rio, com cerca de dois quilômetros de extensão.
As obras de arte urbana foram executadas durante as madrugadas do mês de setembro de 2020, durante a pandemia.
As fachadas e paredes desse conjunto de galpões, perderam seu valor histórico ou arquitetônico, devido às várias intervenções desastrosas ao longo de processos de urbanização caóticos. Mas agora ganharam vida e identidade com os novos painéis multicoloridos.
Os artistas: Agrade Camís, Amorinha, Bruno Lyfe, Célio, Chica Capeto, Diego Zelota, Dolores Esos, Flora Yumi, Igor SRC, Leandro Assis, Luna Bastos, Mariê Balbinot, Marlon Muk, Miguel Afa, Paula Cruz, Thiago Haule, Vinicius Mesquita e Ziza.
Fonte: G1
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Negacionismo
Personagens negacionistas negam a verdade, em uma antítese sem credibilidade, tornando-se obtusos.
Tais céticos confusos zurram, buscando engendrar justificativas que os ajudem desse imbróglio escapar.
Rotos com sua lógica insana, irascíveis em todos os debates, confundem liberdade com irresponsabilidade.
Imorais apoiados em falsa moral apelam a frágeis trunfos, esquivando-se de análise introspectiva, pois temem encarar reais perspectivas.
Mas não importa, não intimida. Pois no caminho surge a reposta. Um mural, com a esperança exposta em belo grafite da palavra vida!
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Porta-retratos
Observo fotos em profusão. Percebo momentos congelados, mas nem sempre preservados, tais quais pequenas gotas de emoção.
Testemunhos de lembranças, guardadas no limbo das reminiscências, que afloram em nossa consciência como imateriais heranças.
Na sala, no quarto, em destaque, expondo cenas de família e amigos, merecendo aplausos da melhor claque pelos instantes intensamente vividos.
Partes de um confuso quebra-cabeça, onde cada peça guarda a sua riqueza, mimetizada em imagens e cores de inesquecíveis alegrias e amores.
Edito o longo filme de uma vida. Monto, a partir de dispersos fotogramas, um universo de histórias comovidas, que me rementem a romances e dramas.
Desde sempre, até o presente, o homem tenta esclarecer, sem, ao menos, entender o medo que sente por criaturas místicas um tanto ontológicas.
Na ilusão de se proteger cria templos e crenças. Cultua mitos, ricos em imaginação, que apelam até para a razão. Procura resposta de qualidade, um elo, uma ligação... entre o misticismo e a realidade.
Templos, ritos, dogmas, cultos... o homem tenta aplacar sua fome, também espiritual, com rezas, ioga e meditação transcendental. Quem manda é a moda!
Da água ao azeite, Do incenso ao açafrão, nada escapa ao deleite de mitos, místicos de ocasião que manipulam suas seitas, como se fossem receitas para a exaltação eficaz de semideus incapaz!
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Encanto de verão em Praia Linda
Em Praia Linda encontrei você, tão linda quanto a praia, com o olhar perdido, esquecido no horizonte, que timidamente não escondia o sol, banhando sua pele dourada.
Com vislumbres de euforia, disfarçava a alegria em vê-la, serena, pura, tão meiga, formando com a paisagem um quadro, uma miragem de inigualável sutileza.
Sua singela beleza, Impregnava minha juventude que transpirava em emoções junto com o pôr do sol, com a areia branca, o sal, e toda a natureza naquela tarde de verão...