Minha alma etérea, triste, sombria como a noite estelar que me inunda que o silêncio é tanto que perturba virgem do sorriso e da alegria.
Nenhum dinheiro no mundo compraria o brilho dos meus olhos neste instante nenhum ouro, petróleo ou diamante nem flores, outros amores, nem magia.
Apenas tu, com esta pele em calor exalando sentimento em fragrância curando assim, este maldito tumor que me atormenta desde a infância.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo - Editora Litere-se 2019.
306
A História da Sociedade
O ser humano na sua primitiva essência andava sem rumo solitário e nômade. Teve uma idéia! Criou uma cidade e procurou viver com seu semelhante.
E assim se criou a inveja, e a ganância, o dinheiro, o ódio, as armas, a pólvora, o medo e a guerra.
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361
Palavras
A paz falsa encoberta por palavras palavras que apaziguam, dignificam, aquelas que lavam e purificam. palavras que ficam e tu me encravas escondidas, encarnadas, camufladas; brandas, suaves, pesadas e macabras. Sou um livro, um pergaminho palavras nutrem minha alma me dão esperança e calma para voltar ao meu caminho rumos negros como mim mesmo só sei ferir-me próprio, a esmo.
Palavras nascem num riacho rumarei onde forem elas se por avenidas ou vielas se em alto-mar ou em regato andarei mais, andarei em terra gritarei como bicho que berra. Não me abra como a qualquer livro sou encanto do mórbido... Distante não me queiras por mínimo instante pois em fazer o mal, não me privo não acredito em palavras... Escrevo tudo que com meu tato percebo.
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301
Poema Sujo
Não escreverei palavras belas ou afáveis. Não cantarei a alegria, o romantismo, nem as mulheres. Cantarei, sim! O som triste da solidão os negócios escusos os sentimentos confusos a feiúra e o ódio que exorcizam meus olhos
Não ficarei calado é necessário continuar, então escreverei... escreverei... palavras terríveis e absurdas escreverei dores, derrotas e egoísmo. Sintam nas suas narinas as impurezas do meu coração. Sinta nas suas narinas o mau cheiro destas palavras.
Não há beleza na realidade. Não há amor na realidade. O não existir é perfeito as flores são perfeitas e o homem uma mentira mal contada.
Nossos olhos enganados sobrevivem do vaivém dos disfarces que circulam entre nós com toda sorte de maquiagem.
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313
Estado Terminal
Lembrança de vida imaculada sem vícios, precisa, guardada na espera do amor que não veio
Este meu coração submisso esperou por teus olhos por décadas de solidão
O mundo me deixou cair em soluços e deserto E me levantei como sol no inverno apenas por obrigação Aonde você está? que não te vejo Sinto agora o tempo perdido com palavras suaves
Sinto a vaidade sagrada que cultivei Os casulos ranzinzas que morei
Me deixei no cálice do esquecimento que caiu e se quebrou.
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318
Sacrifício Perfeito
Mãos que foram lavadas E corações injuriosos Pena capital que lavrada Em julgamentos indecorosos
Na nossa páscoa sacrossanta Foi o perfeito cordeiro O eficaz, o imaculado, O derradeiro. Que nos propôs como herdeiro De sua herança na eternidade
Foi naquela cruz Resolvido o nosso imbróglio Retiraste-nos a mancha, A vergonha e o opróbrio
Como calcular a tua dor? Como calcular o teu amor? Minha dívida impagável sem credor Teu sangue nobre nosso penhor
Saraste de nossas imperfeições Com suas chagas e suas dores A salvação em refeições Multiplicaste aos famintos
No teu partir do pão Encontrei o meu perdão No teu cálice de vinho Encontrei o meu caminho
Aquela mesa me trouxe vida Do teu corpo com minhas feridas Fluiu teu sangue carmesim Para me libertar do meu próprio fim.
Março 2016.
325
Momento de Febre
A rua com seus perfumes sabores e cores A vida misteriosa, ativa, imperfeita e cheia de dores Os pássaros cantando Os lírios brotando no meu coração. Não sei, não sei... Se estou triste, se estou alegre, se estou perdido, se estou sofrendo.
Apenas sei, que estou amando.
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337
Sensações II
Sou como a nuvem passageira e suave no azul do céu Não espero nada de ninguém Não quero que esperem de mim Quero sossego para olhar a vida com meus olhos. Com meus próprios olhos.
Quero enxergar o fio da vida que arrebenta com o findar das horas Pois a vida não é mais do que isso Um fio infinito que não se vê apenas posso senti-lo sua negra decomposição em mim À hora é sua maior inimiga Você nunca convencerá Pois ela é sua dona
Não siga o caminho negro nem o caminho branco Pois não há caminhos para quem vive apenas a morte E nesta noite calada teu carinho me sustenta, vivo, ou quase vivo Não tenho mais certezas A escuridão é dúvida e só vejo escuridão Tua alma é escura como a alma de qualquer mulher.
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338
Infância
Já pequenas plantas... Elas cresciam procurando seu lugar no mundo falta de certeza do que faziam brincando estes seres fecundos.
Do mal ou do bem, mas sem querência pedras esperando serem lapidadas algumas brutas e deformadas em sua infinita inocência.
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318
O Embrião
Nascemos embriões vigorosos sete a nove meses guardados para que nossa carne, nossos ossos possam viver enfim... Separados
Do seio materno que nos preparou e a quebrar o cordão que nos prendia num despertar quase que lento chorou a semente mostrou sua magia.
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