Lista de Poemas
A Cura
Minha alma etérea, triste, sombria
como a noite estelar que me inunda
que o silêncio é tanto que perturba
virgem do sorriso e da alegria.
Nenhum dinheiro no mundo compraria
o brilho dos meus olhos neste instante
nenhum ouro, petróleo ou diamante
nem flores, outros amores, nem magia.
Apenas tu, com esta pele em calor
exalando sentimento em fragrância
curando assim, este maldito tumor
que me atormenta desde a infância.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo - Editora Litere-se 2019.
como a noite estelar que me inunda
que o silêncio é tanto que perturba
virgem do sorriso e da alegria.
Nenhum dinheiro no mundo compraria
o brilho dos meus olhos neste instante
nenhum ouro, petróleo ou diamante
nem flores, outros amores, nem magia.
Apenas tu, com esta pele em calor
exalando sentimento em fragrância
curando assim, este maldito tumor
que me atormenta desde a infância.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo - Editora Litere-se 2019.
291
Palavras
A paz falsa encoberta por palavras
palavras que apaziguam, dignificam,
aquelas que lavam e purificam.
palavras que ficam e tu me encravas
escondidas, encarnadas, camufladas;
brandas, suaves, pesadas e macabras.
Sou um livro, um pergaminho
palavras nutrem minha alma
me dão esperança e calma
para voltar ao meu caminho
rumos negros como mim mesmo
só sei ferir-me próprio, a esmo.
Palavras nascem num riacho
rumarei onde forem elas
se por avenidas ou vielas
se em alto-mar ou em regato
andarei mais, andarei em terra
gritarei como bicho que berra.
Não me abra como a qualquer livro
sou encanto do mórbido... Distante
não me queiras por mínimo instante
pois em fazer o mal, não me privo
não acredito em palavras... Escrevo
tudo que com meu tato percebo.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo - Editora Litere-se 2019.
palavras que apaziguam, dignificam,
aquelas que lavam e purificam.
palavras que ficam e tu me encravas
escondidas, encarnadas, camufladas;
brandas, suaves, pesadas e macabras.
Sou um livro, um pergaminho
palavras nutrem minha alma
me dão esperança e calma
para voltar ao meu caminho
rumos negros como mim mesmo
só sei ferir-me próprio, a esmo.
Palavras nascem num riacho
rumarei onde forem elas
se por avenidas ou vielas
se em alto-mar ou em regato
andarei mais, andarei em terra
gritarei como bicho que berra.
Não me abra como a qualquer livro
sou encanto do mórbido... Distante
não me queiras por mínimo instante
pois em fazer o mal, não me privo
não acredito em palavras... Escrevo
tudo que com meu tato percebo.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo - Editora Litere-se 2019.
286
Poema Sujo
Não escreverei palavras belas ou afáveis.
Não cantarei a alegria, o romantismo,
nem as mulheres.
Cantarei, sim!
O som triste da solidão
os negócios escusos
os sentimentos confusos
a feiúra e o ódio que exorcizam meus olhos
Não ficarei calado
é necessário continuar,
então escreverei... escreverei... palavras terríveis e absurdas
escreverei dores, derrotas e egoísmo.
Sintam nas suas narinas
as impurezas do meu coração.
Sinta nas suas narinas
o mau cheiro destas palavras.
Não há beleza na realidade.
Não há amor na realidade.
O não existir é perfeito
as flores são perfeitas
e o homem uma mentira mal contada.
Nossos olhos enganados sobrevivem
do vaivém dos disfarces
que circulam entre nós
com toda sorte de maquiagem.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
Não cantarei a alegria, o romantismo,
nem as mulheres.
Cantarei, sim!
O som triste da solidão
os negócios escusos
os sentimentos confusos
a feiúra e o ódio que exorcizam meus olhos
Não ficarei calado
é necessário continuar,
então escreverei... escreverei... palavras terríveis e absurdas
escreverei dores, derrotas e egoísmo.
Sintam nas suas narinas
as impurezas do meu coração.
Sinta nas suas narinas
o mau cheiro destas palavras.
Não há beleza na realidade.
Não há amor na realidade.
O não existir é perfeito
as flores são perfeitas
e o homem uma mentira mal contada.
Nossos olhos enganados sobrevivem
do vaivém dos disfarces
que circulam entre nós
com toda sorte de maquiagem.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
296
A História da Sociedade
O ser humano
na sua primitiva essência
andava sem rumo
solitário e nômade.
Teve uma idéia!
Criou uma cidade
e procurou viver com seu semelhante.
E assim se criou
a inveja, e a ganância,
o dinheiro, o ódio,
as armas, a pólvora,
o medo e a guerra.
Sociedade dos Eremitas - Lendo Escrevendo - Editora Litere-se 2019.
na sua primitiva essência
andava sem rumo
solitário e nômade.
Teve uma idéia!
Criou uma cidade
e procurou viver com seu semelhante.
E assim se criou
a inveja, e a ganância,
o dinheiro, o ódio,
as armas, a pólvora,
o medo e a guerra.
Sociedade dos Eremitas - Lendo Escrevendo - Editora Litere-se 2019.
344
Sacrifício Perfeito
Mãos que foram lavadas
E corações injuriosos
Pena capital que lavrada
Em julgamentos indecorosos
Na nossa páscoa sacrossanta
Foi o perfeito cordeiro
O eficaz, o imaculado,
O derradeiro.
Que nos propôs como herdeiro
De sua herança na eternidade
Foi naquela cruz
Resolvido o nosso imbróglio
Retiraste-nos a mancha,
A vergonha e o opróbrio
Como calcular a tua dor?
Como calcular o teu amor?
Minha dívida impagável sem credor
Teu sangue nobre nosso penhor
Saraste de nossas imperfeições
Com suas chagas e suas dores
A salvação em refeições
Multiplicaste aos famintos
No teu partir do pão
Encontrei o meu perdão
No teu cálice de vinho
Encontrei o meu caminho
Aquela mesa me trouxe vida
Do teu corpo com minhas feridas
Fluiu teu sangue carmesim
Para me libertar do meu próprio fim.
Março 2016.
E corações injuriosos
Pena capital que lavrada
Em julgamentos indecorosos
Na nossa páscoa sacrossanta
Foi o perfeito cordeiro
O eficaz, o imaculado,
O derradeiro.
Que nos propôs como herdeiro
De sua herança na eternidade
Foi naquela cruz
Resolvido o nosso imbróglio
Retiraste-nos a mancha,
A vergonha e o opróbrio
Como calcular a tua dor?
Como calcular o teu amor?
Minha dívida impagável sem credor
Teu sangue nobre nosso penhor
Saraste de nossas imperfeições
Com suas chagas e suas dores
A salvação em refeições
Multiplicaste aos famintos
No teu partir do pão
Encontrei o meu perdão
No teu cálice de vinho
Encontrei o meu caminho
Aquela mesa me trouxe vida
Do teu corpo com minhas feridas
Fluiu teu sangue carmesim
Para me libertar do meu próprio fim.
Março 2016.
311
Estado Terminal
Lembrança de vida imaculada
sem vícios, precisa,
guardada na espera
do amor que não veio
Este meu coração submisso
esperou por teus olhos
por décadas de solidão
O mundo me deixou cair
em soluços e deserto
E me levantei como sol no inverno
apenas por obrigação
Aonde você está?
que não te vejo
Sinto agora o tempo perdido
com palavras suaves
Sinto a vaidade sagrada
que cultivei
Os casulos ranzinzas
que morei
Me deixei
no cálice do esquecimento
que caiu
e se quebrou.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
sem vícios, precisa,
guardada na espera
do amor que não veio
Este meu coração submisso
esperou por teus olhos
por décadas de solidão
O mundo me deixou cair
em soluços e deserto
E me levantei como sol no inverno
apenas por obrigação
Aonde você está?
que não te vejo
Sinto agora o tempo perdido
com palavras suaves
Sinto a vaidade sagrada
que cultivei
Os casulos ranzinzas
que morei
Me deixei
no cálice do esquecimento
que caiu
e se quebrou.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
302
Infância
Já pequenas plantas... Elas cresciam
procurando seu lugar no mundo
falta de certeza do que faziam
brincando estes seres fecundos.
Do mal ou do bem, mas sem querência
pedras esperando serem lapidadas
algumas brutas e deformadas
em sua infinita inocência.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
procurando seu lugar no mundo
falta de certeza do que faziam
brincando estes seres fecundos.
Do mal ou do bem, mas sem querência
pedras esperando serem lapidadas
algumas brutas e deformadas
em sua infinita inocência.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
309
Motorista de Ônibus
Seus olhos acesos
seus ouvidos como cães
que guardam a noite
ele dirige o ônibus
O ronco do motor
os outros carros
os sinais de trânsito
os passageiros
com as delicadezas ou ignorâncias diárias
Seu coração? Seus nervos? Seu corpo?
Ninguém sabe como está
nem se preocupa em saber.
Pra quê? Por quê?
Aquela máquina
aquela bomba relógio.
Ele é carne? Ele é ossos?
Será que ele é humano?
-Não!
Ele é apenas um motorista de ônibus.
Relicário das Dores - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
seus ouvidos como cães
que guardam a noite
ele dirige o ônibus
O ronco do motor
os outros carros
os sinais de trânsito
os passageiros
com as delicadezas ou ignorâncias diárias
Seu coração? Seus nervos? Seu corpo?
Ninguém sabe como está
nem se preocupa em saber.
Pra quê? Por quê?
Aquela máquina
aquela bomba relógio.
Ele é carne? Ele é ossos?
Será que ele é humano?
-Não!
Ele é apenas um motorista de ônibus.
Relicário das Dores - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
693
Adolescência
Calmo, fui no que pude
preso nos sonhos adolescentes
cheio de fúria e atitudes
louco, tempestuoso e displicente.
Farto de desejos... Amores crônicos
jeito puro, atirado e indômito
às vezes falo muito... Vezes lacônico
bicho do mato, surpreso... Atônito.
Minto por não saber a verdade.
Espinhas meu rosto deformam
Hormônios meu corpo transformam
De sincero, minha autenticidade.
Voraz e de alma gentil
sentimentos ferozes
todos consigo... Algozes
de um desejo mercantil.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
preso nos sonhos adolescentes
cheio de fúria e atitudes
louco, tempestuoso e displicente.
Farto de desejos... Amores crônicos
jeito puro, atirado e indômito
às vezes falo muito... Vezes lacônico
bicho do mato, surpreso... Atônito.
Minto por não saber a verdade.
Espinhas meu rosto deformam
Hormônios meu corpo transformam
De sincero, minha autenticidade.
Voraz e de alma gentil
sentimentos ferozes
todos consigo... Algozes
de um desejo mercantil.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
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Comentários (1)
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hmmmm caféiznho bom esse em