Henrique Rodrigues Soares

Henrique Rodrigues Soares

n. 1975 BR BR

Poeta e contista com os livros de poesias "Lendo e Escrevendo" publicado em 2019, e "Nossa Poesia de Cada Dia" em 2021, todos pela Editora Litere-se.

n. 1975-02-22, Rio de Janeiro RJ

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Sacrifício Perfeito

Mãos que foram lavadas
E corações injuriosos
Pena capital que lavrada
Em julgamentos indecorosos

Na nossa páscoa sacrossanta
Foi o perfeito cordeiro
O eficaz, o imaculado,
O derradeiro.
Que nos propôs como herdeiro
De sua herança na eternidade

Foi naquela cruz
Resolvido o nosso imbróglio
Retiraste-nos a mancha,
A vergonha e o opróbrio

Como calcular a tua dor?
Como calcular o teu amor?
Minha dívida impagável sem credor
Teu sangue nobre nosso penhor

Saraste de nossas imperfeições
Com suas chagas e suas dores
A salvação em refeições
Multiplicaste aos famintos

No teu partir do pão
Encontrei o meu perdão
No teu cálice de vinho
Encontrei o meu caminho

Aquela mesa me trouxe vida
Do teu corpo com minhas feridas
Fluiu teu sangue carmesim
Para me libertar do meu próprio fim.

 

Março 2016.
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Biografia

Poemas

20

Sacrifício Perfeito

Mãos que foram lavadas
E corações injuriosos
Pena capital que lavrada
Em julgamentos indecorosos

Na nossa páscoa sacrossanta
Foi o perfeito cordeiro
O eficaz, o imaculado,
O derradeiro.
Que nos propôs como herdeiro
De sua herança na eternidade

Foi naquela cruz
Resolvido o nosso imbróglio
Retiraste-nos a mancha,
A vergonha e o opróbrio

Como calcular a tua dor?
Como calcular o teu amor?
Minha dívida impagável sem credor
Teu sangue nobre nosso penhor

Saraste de nossas imperfeições
Com suas chagas e suas dores
A salvação em refeições
Multiplicaste aos famintos

No teu partir do pão
Encontrei o meu perdão
No teu cálice de vinho
Encontrei o meu caminho

Aquela mesa me trouxe vida
Do teu corpo com minhas feridas
Fluiu teu sangue carmesim
Para me libertar do meu próprio fim.

 

Março 2016.
331

Estado Terminal

Lembrança de vida imaculada
sem vícios, precisa,
guardada na espera
do amor que não veio

Este meu coração submisso
esperou por teus olhos
por décadas de solidão

O mundo me deixou cair
em soluços e deserto
E me levantei como sol no inverno
apenas por obrigação
Aonde você está?
que não te vejo
Sinto agora o tempo perdido
com palavras suaves

Sinto a vaidade sagrada
que cultivei
Os casulos ranzinzas
que morei

Me deixei
no cálice do esquecimento
que caiu
e se quebrou.


Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
325

A Cura

Minha alma etérea, triste, sombria
como a noite estelar que me inunda
que o silêncio é tanto que perturba
virgem do sorriso e da alegria.

Nenhum dinheiro no mundo compraria
o brilho dos meus olhos neste instante
nenhum ouro, petróleo ou diamante
nem flores, outros amores, nem magia.

Apenas tu, com esta pele em calor
exalando sentimento em fragrância
curando assim, este maldito tumor
que me atormenta desde a infância.



Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo - Editora Litere-se 2019.
309

A História da Sociedade

O ser humano
na sua primitiva essência
andava sem rumo
solitário e nômade.
Teve uma idéia!
Criou uma cidade
e procurou viver com seu semelhante.

E assim se criou
a inveja, e a ganância,
o dinheiro, o ódio,
as armas, a pólvora,
o medo e a guerra.



Sociedade dos Eremitas - Lendo Escrevendo - Editora Litere-se 2019.
364

Poema Sujo

Não escreverei palavras belas ou afáveis.
Não cantarei a alegria, o romantismo,
nem as mulheres.
Cantarei, sim!
O som triste da solidão
os negócios escusos
os sentimentos confusos
a feiúra e o ódio que exorcizam meus olhos

Não ficarei calado
é necessário continuar,
então escreverei... escreverei... palavras terríveis e absurdas
escreverei dores, derrotas e egoísmo.
Sintam nas suas narinas
as impurezas do meu coração.
Sinta nas suas narinas
o mau cheiro destas palavras.

Não há beleza na realidade.
Não há amor na realidade.
O não existir é perfeito
as flores são perfeitas
e o homem uma mentira mal contada.

Nossos olhos enganados sobrevivem
do vaivém dos disfarces
que circulam entre nós
com toda sorte de maquiagem.


Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
317

Palavras

A paz falsa encoberta por palavras
palavras que apaziguam, dignificam,
aquelas que lavam e purificam.
palavras que ficam e tu me encravas
escondidas, encarnadas, camufladas;
brandas, suaves, pesadas e macabras.
Sou um livro, um pergaminho
palavras nutrem minha alma
me dão esperança e calma
para voltar ao meu caminho
rumos negros como mim mesmo
só sei ferir-me próprio, a esmo.

Palavras nascem num riacho
rumarei onde forem elas
se por avenidas ou vielas
se em alto-mar ou em regato
andarei mais, andarei em terra
gritarei como bicho que berra.
Não me abra como a qualquer livro
sou encanto do mórbido... Distante
não me queiras por mínimo instante
pois em fazer o mal, não me privo
não acredito em palavras... Escrevo
tudo que com meu tato percebo.



Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo - Editora Litere-se 2019.
307

Pré-história

Meu pai e minha mãe se olharam
um de uma esquina e outro de outra
se conheceram, namoraram, casaram,
sorriram, brincaram e se amaram
e daí, nove meses depois eu nasci.

Então veio os natais
e a escrita.
E assim começou minha história.



Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
345

A Infância

Quando era criança queria ser grande
Quando se é grande quer ser pequeno
Ainda me lembro de quando menino
apenas sonhava
Pesadelo é coisa de homem barbado.

Dirigia ônibus, era médico, matava ladrões,
governava o mundo, salvava as pessoas,
até podia ser um bom vilão.
Morria de brincadeirinha
quando se cresce vê que a morte não é brincadeira
Vivia de brincadeirinha
o mundo era um pequeno brinquedo
que minha inocência dominava.

Então cresci, e me perdi
pois o mundo tornou-se grande demais para mim
Quanto mais cresci
menor me tornei diante do mundo.
Meu coração virou um pequeno brinquedo
na mão de crianças más
então tudo aconteceu naturalmente
o ônibus me atropelou, o médico me maltratou,
fui acuado e dominado
não salvei nem a mim mesmo.
E o bom vilão?
Ah! Esse me matou.


Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
365

Infância

Já pequenas plantas... Elas cresciam
procurando seu lugar no mundo
falta de certeza do que faziam
brincando estes seres fecundos.

Do mal ou do bem, mas sem querência
pedras esperando serem lapidadas
algumas brutas e deformadas
em sua infinita inocência.



Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
323

Juventude

Mar de fúria e de inquietude
as mãos engorduradas de desejos
roupas armadas de atitude
vaidosos em seus ensejos.

São água transbordando no recipiente
falam como donos da verdade
são livres em suas mentes
mas se perturbam frente à liberdade.



Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
335

Comentários (1)

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fernandoarroz

hmmmm caféiznho bom esse em