Dormir... Dos sonhos é a fonte que não pára de jorrar e do cansaço é a ponte para quem quer descansar. Quem vive de sonhos... Loucura se torna a explicação dinheiro, riquezas, fartura, castelos de ilusão.
Acordar... Torna-se amargura para quem na vida tem que lutar a vida real torna-se dura quem na vida não pode sonhar, A muitos que sonham passado pois não pode se libertar deste pesadelo fardado que os conseguiu escravizar.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
328
Semente Embrionária
Minha mãe terra, meu pai agricultor Arando com palavras belas e afáveis o solo fértil para receber as sementes
Semente embrionária ali germinara Em choro minha mãe me viu nascer abrindo as portas do céu e do inferno para mim Me dando calor no inverno me guardando das dores geladas do mundo
Recebi dúvidas e incertezas como companhia Andei, andei, andei... e procurei, procurei, procurei... por este mundo outro ser como eu Então, te encontrei Alguém melancólico como a mim Teu ódio parecia ser meu
Então você me roubou neste mundo inseguro Do meu coração o sentimento mais puro O sentimento que nasce, germina e amadurece até cair de maduro.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
326
Pré-história
Meu pai e minha mãe se olharam um de uma esquina e outro de outra se conheceram, namoraram, casaram, sorriram, brincaram e se amaram e daí, nove meses depois eu nasci.
Então veio os natais e a escrita. E assim começou minha história.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
341
Motorista de Ônibus
Seus olhos acesos seus ouvidos como cães que guardam a noite ele dirige o ônibus
O ronco do motor os outros carros os sinais de trânsito os passageiros com as delicadezas ou ignorâncias diárias
Seu coração? Seus nervos? Seu corpo? Ninguém sabe como está nem se preocupa em saber. Pra quê? Por quê? Aquela máquina aquela bomba relógio. Ele é carne? Ele é ossos? Será que ele é humano?
-Não! Ele é apenas um motorista de ônibus.
Relicário das Dores - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
709
Os Corvos
Gritos de socorro silenciados Nos suaves cortes na carne Buscando carinho Buscando caminhos Querendo aceitação Querendo interpretação.
Não pertenço ao mundo Ao mundo que me deram Nasci no tempo errado O tempo é impaciente E não gosta de improvisos Já fiz rabiscos nos muros E em páginas rasgadas Que só entendem os letrados Na escuridão.
Um luto bem vivo Com minhas roupas escuras Que são meu casulo. Um luto mais vivo Do que o eu aprisionado Alimentados por músicas E literatura mórbida O que são corvos? São apenas pássaros.
Vivo em duas casas diferentes Mas me perco em todo esse labirinto Não quero escolhas nem permuta Quando nasci nunca queria ser borboleta Só quero voar com minhas penas negras de corvo.
Gosto do alimento com parasitas e insetos Gosto mais do errado do que do certo Que para todos são uma mesma coisa. Só quero voar como um corvo Na vastidão do céu negro da noite. Não quero acordar dos meus versos.
362
Sensações
Não ligue para as televisões ligadas Não ligue para os telefones chamando Ouça apenas o som ressoando lá fora. O som do mundo vivo. Não! Para este mundo morto das televisões. Não! Para as vozes sem rosto dos telefones. Não! Para estas pessoas que te cercam com seus pensamentos codificados.
Sim! Quero ouvir... Quero ouvir os ruídos dos insetos Quero ouvir o marulhar das águas do mar Quero ouvir o eco do vento passear pela madrugada solitária Quero ouvir pássaros, bichos entrando e saindo nos meus tímpanos. Não! Para o som metálico e correto das máquinas.
Apenas, quero ouvir O som sem sentido que dá sentido ao mundo.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
348
Juventude
Mar de fúria e de inquietude as mãos engorduradas de desejos roupas armadas de atitude vaidosos em seus ensejos.
São água transbordando no recipiente falam como donos da verdade são livres em suas mentes mas se perturbam frente à liberdade.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
333
Adolescência
Calmo, fui no que pude preso nos sonhos adolescentes cheio de fúria e atitudes louco, tempestuoso e displicente.
Farto de desejos... Amores crônicos jeito puro, atirado e indômito às vezes falo muito... Vezes lacônico bicho do mato, surpreso... Atônito.
Minto por não saber a verdade. Espinhas meu rosto deformam Hormônios meu corpo transformam De sincero, minha autenticidade.
Voraz e de alma gentil sentimentos ferozes todos consigo... Algozes de um desejo mercantil.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
344
A Infância
Quando era criança queria ser grande Quando se é grande quer ser pequeno Ainda me lembro de quando menino apenas sonhava Pesadelo é coisa de homem barbado.
Dirigia ônibus, era médico, matava ladrões, governava o mundo, salvava as pessoas, até podia ser um bom vilão. Morria de brincadeirinha quando se cresce vê que a morte não é brincadeira Vivia de brincadeirinha o mundo era um pequeno brinquedo que minha inocência dominava.
Então cresci, e me perdi pois o mundo tornou-se grande demais para mim Quanto mais cresci menor me tornei diante do mundo. Meu coração virou um pequeno brinquedo na mão de crianças más então tudo aconteceu naturalmente o ônibus me atropelou, o médico me maltratou, fui acuado e dominado não salvei nem a mim mesmo. E o bom vilão? Ah! Esse me matou.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
356
Poética
Não faço versos Eles apenas brotam na minha escuridão e escorrem suando em minhas mãos, e se entregam ao papel É como uma fonte que mina na rocha querendo encontrar seu destino.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.