Quem é esse que com tinta barata e palavras esdrúxulas rudemente macula o papel? Esse sou eu.
Sua grosseria só não excede sua total inaptidão de se tomar por poeta Pois, pranteias sem classe e sonhas com o que ninguém mais se inclina a sonhar e, Esse sou eu.
Mas, de tudo, não lhe tiremos o mérito de tentar, de ousar, Pois todo poeta é um tolo, ousando crer ser possível, através de seus pesares, arrancar suspiros, aplausos e morada em uma distinta biblioteca, mas… Esse não sou eu.
Sonhos, um quebra-cabeças Uma caixa vazia e um porta-retratos Somos mesmo o que somos? ou só personagens de um livro ilustrado?
Vejo minha história na sua O que eu disse já foi dito! É tão engraçado Para que estudar tantos verbos ? Se o futuro de ontem amanhã é o passado.
Para que lutar as guerras santas dos homens? Se quem triunfa é o Diabo! Está tudo errado!
Sou quem eu penso que sou?
Ou apenas mais um porta-retratos? Faço o que quero fazer ou já está tudo escrito e eu só cumpro o contrato?
Evoluir, regredir, não sei mais distinguir É tão complicado, predefinimos o que é certo e o que não compreendemos chamamos de errado.
Está tudo errado.
Vou perseguir meus sonhos Deixar de ser sombra e um porta-retratos Vou quebrar as correntes depois separar o concreto e o abstrato.
Solte a sombra e agarre a ideia: presente e futuro são filhos do passado !
Solte a sombra e agarre a ideia ou morra às margens do livro desgastado !
Solte a sombra e agarre a ideia ou receba a herança de um fato mal contado!
Espie por trás da cortina do tempo, Cave um buraco ou volte à caverna mas não estará salvo.
Ninguém está salvo!
Tudo é risco!
E o tempo implacável!
Por Israel Vitorino - novembro de 1999
283
Sete sóis
A nudez de um sentimento na pureza de um gesto Passa ao largo o sofrimento quando o propósito é honesto Sete vidas sete sóis quando a recíproca o faz completo.
Gente vive, gente morre, eu só quero ser correto Vaidade é bom tempero, mas só se o peso estiver certo.
O orgulho é como um cacto Temperança é fogo e gelo Rodas giram fogo queima, e eu ...Só quero ser eu mesmo.
Por Israel Vitorino - julho 2010
274
Mares caribenhos
Gosto de ver a lua vestida de prata E o céu matutino cinzento Gosto de ver sua boca nua Sua alma pura e transparente (mares caribenhos)!
Gosto de gostar do que você gosta Das suas músicas, livros, pensamentos, de sentir o que sentes até seu sofrimento!
Gosto quando você discorda, eleva a voz e me provoca torce o nariz, pois tudo em ti chama atenção e olha que sou desatento!
Por Israel Vitorino novembro de 2023
297
Sapere Aude
O amor pelo oculto é uma doença e Eu terrivelmente infectado, aguardo impacientemente pelo belo não revelado.
Recuso-me a tomar remédios, a qualquer elixir que me torne acomodado com as pequenas doses, de quando em quando de algo extraordinário.
Minha sede insaciável, por vezes me deixa fraco compelindo-me a seguir sem rumo, debruçando-me no acaso delirando em febre alta.
Mostra-me, oh Deus! o que ainda não me foi revelado.
Por Israel Vitorino - agosto de 2005
280
Vênus
A noite estava mais escura que de costume O mar negro e aterrorizante Amedrontados, marinheiros experientes Se punham a orar.
Depois de algum momento retido em silêncio Um sorriso pueril se apodera do meu rosto Nuvens se abrem e, me deparo com a mais bela e tímida lua acompanhada de uma clara estrela (Vênus).
Então te pergunto: é possível te esquecer? Pois, enquanto todos oravam por suas vidas Eu lembrava de nossos momentos e apenas agradecia ao bondoso Deus pela dádiva de ter conhecido você.
Por Israel Vitorino - março 2002
280
Almas e lendas
Corra e sonhe com campos abertos Peça socorro quando nada estiver correto Minta, sorria nos seus pesadelos Não precisa contar, conheço todos os seus segredos.
O mundo é selvagem e eu pobre camponês Se te amar é pecado envie os soldados E eu os vencerei, serei lobo contra porcos Homens versus lenda.
Entre porcos e ovelhas Lobos e abelhas Almas e lendas.
Diga que feitiço usou comigo? me dê mais uma dose para beber Minha alma é rio sem curso Mas onde quer que vá deságua em você.
O mundo é selvagem e eu pobre camponês Se te amar é pecado envie os soldados E eu os vencerei, serei lobo contra porcos Homens versus lenda.
Entre porcos e ovelhas Lobos e abelhas Almas e lendas!
Por Israel Vitorino - setembro 2001
293
Liberdade?
Você quis capturar a liberdade Mas num revés do destino ela à capturou Se isso não é paradoxo suficiente eu afirmo com certeza: Sei exatamente quem não sou.
Infinitas são as variáveis da personalidade que vem da necessidade ou conveniência. Por necessidade todos buscam por verdades que não saberão o que fazer com elas! O glamour de toda existência é a ciência da não aquiescência de que tudo tem seu fim e, se realmente irá valer a pena.
Quando te libertares da ignorância Serás constantemente ludibriado pela ciência Quando resistires a ela, serás sedado pela fé
E quando contemplares teu corpo inerte Saberás quem foi e, exatmente o que não és!
Por: Israel Vitorino - janeiro 2017
287
Tirania Literária
Somos tão diferentes! No entanto somos crase. A língua que falamos se ridiculariza no papel, talvez porque o papel não tenha sentimento não pulsa, não sua, não precisa de fôlego.
Somos nós que elegemos os clássicos, a nossa fala transcrita não pode tiranizar nossas vidas. A escrita não pode ser ouvida, ela precisa da fala, ela precisa ser lida, ainda que, em voz baixa.
Por que devemos servi-la? Por que não o contrário? Por que o sábio é aquele que bem escreve? Se o que ele bem escreve, não é em exato o que naturalmente se sente ou fala?
A língua e a fala devem se subordinar, se coordenar, fazer sentido, mas... eu, você, nós, eles, a língua, a fala e tudo que aqui está escrito é: crase, fluido, mutável transigente, sensível - adaptável.
Chega de tirania literária!
Por Israel Vitorino 01/06/2021
293
Novo Campos Elísios
Bebi seu corpo vinho Num cálice sagrado Decifrei o pergaminho No seu corpo tatuado
Suas letras foram escritas Pelas mãos de antigos sábios Cada linha que profano Meu corpo é transportado
Para um jardim secreto De tamanho infinito, quando venta pétalas de rosas Chove vinho tinto
Aqui plantei meu coração Aqui escrevi nossos destinos Os animais estão brincando As crianças estão sorrindo
Aqui não existem guerras Eu superei a Dionísio Nem Zeus pensou em algo tão lindo
Afrodite veio nos saudar Enquanto estávamos dormindo Dormindo.
Israel vitorino - dezembro 1999
310
Arroio Jaguarão
Quando o homem contempla a natureza Se dá conta de sua pequenez por valorizar frivolidades Quando aquilo que lhe é gratuito, ofertado pelo criador mantém-se velado
Soterrado, obscurecido por desejos e vaidades que não saciam sua alma e, não preenchem seu vazio Não contam sua história, nem abrigam sua essência.