Quem é esse que com tinta barata e palavras esdrúxulas rudemente macula o papel? Esse sou eu.
Sua grosseria só não excede sua total inaptidão de se tomar por poeta Pois, pranteias sem classe e sonhas com o que ninguém mais se inclina a sonhar e, Esse sou eu.
Mas, de tudo, não lhe tiremos o mérito de tentar, de ousar, Pois todo poeta é um tolo, ousando crer ser possível, através de seus pesares, arrancar suspiros, aplausos e morada em uma distinta biblioteca, mas… Esse não sou eu.
Quem é esse que com tinta barata e palavras esdrúxulas rudemente macula o papel? Esse sou eu.
Sua grosseria só não excede sua total inaptidão de se tomar por poeta Pois, pranteias sem classe e sonhas com o que ninguém mais se inclina a sonhar e, Esse sou eu.
Mas, de tudo, não lhe tiremos o mérito de tentar, de ousar, Pois todo poeta é um tolo, ousando crer ser possível, através de seus pesares, arrancar suspiros, aplausos e morada em uma distinta biblioteca, mas… Esse não sou eu.
Israel Vitorino - 2018
369
Mares caribenhos
Gosto de ver a lua vestida de prata E o céu matutino cinzento Gosto de ver sua boca nua Sua alma pura e transparente (mares caribenhos)!
Gosto de gostar do que você gosta Das suas músicas, livros, pensamentos, de sentir o que sentes até seu sofrimento!
Gosto quando você discorda, eleva a voz e me provoca torce o nariz, pois tudo em ti chama atenção e olha que sou desatento!
Por Israel Vitorino novembro de 2023
302
SER
Bem e mal não estão sujeitos a gradação Uma linha tem dois lados, em cima dela não se está em lugar algum
Cedo ou tarde é questão de perspectiva Ser ou não ser, não é escolha, desejo e, sim fruição, ações, decisões e harmonia entre o que se pensa e executa Entre o que se perde em nome daquilo que se conquista.
ISRAEL VITORINO 19/09/2021
317
Sombras e ideias
Sonhos, um quebra-cabeças Uma caixa vazia e um porta-retratos Somos mesmo o que somos? ou só personagens de um livro ilustrado?
Vejo minha história na sua O que eu disse já foi dito! É tão engraçado Para que estudar tantos verbos ? Se o futuro de ontem amanhã é o passado.
Para que lutar as guerras santas dos homens? Se quem triunfa é o Diabo! Está tudo errado!
Sou quem eu penso que sou?
Ou apenas mais um porta-retratos? Faço o que quero fazer ou já está tudo escrito e eu só cumpro o contrato?
Evoluir, regredir, não sei mais distinguir É tão complicado, predefinimos o que é certo e o que não compreendemos chamamos de errado.
Está tudo errado.
Vou perseguir meus sonhos Deixar de ser sombra e um porta-retratos Vou quebrar as correntes depois separar o concreto e o abstrato.
Solte a sombra e agarre a ideia: presente e futuro são filhos do passado !
Solte a sombra e agarre a ideia ou morra às margens do livro desgastado !
Solte a sombra e agarre a ideia ou receba a herança de um fato mal contado!
Espie por trás da cortina do tempo, Cave um buraco ou volte à caverna mas não estará salvo.
Ninguém está salvo!
Tudo é risco!
E o tempo implacável!
Por Israel Vitorino - novembro de 1999
288
São Lourenço do Sul
Um rio que apascenta a alma e sussurra segredos no ouvido Pássaros discursam em ruas tranquilas
O vento afaga o pescoço O sol bronzeia sorrisos Agradeço ao criador por esta obra
A Santa de braços abertos abençoa quem passa, devoto ou não pobre ou rico.
São Lourenço não é o Éden, mas acho que poderia ter sido.
Israel Vitorino - 13/10/2021
311
Arroio Jaguarão
Quando o homem contempla a natureza Se dá conta de sua pequenez por valorizar frivolidades Quando aquilo que lhe é gratuito, ofertado pelo criador mantém-se velado
Soterrado, obscurecido por desejos e vaidades que não saciam sua alma e, não preenchem seu vazio Não contam sua história, nem abrigam sua essência.
Israel Vitorino – junho 2023
303
Sapere Aude
O amor pelo oculto é uma doença e Eu terrivelmente infectado, aguardo impacientemente pelo belo não revelado.
Recuso-me a tomar remédios, a qualquer elixir que me torne acomodado com as pequenas doses, de quando em quando de algo extraordinário.
Minha sede insaciável, por vezes me deixa fraco compelindo-me a seguir sem rumo, debruçando-me no acaso delirando em febre alta.
Mostra-me, oh Deus! o que ainda não me foi revelado.
Por Israel Vitorino - agosto de 2005
283
Sete sóis
A nudez de um sentimento na pureza de um gesto Passa ao largo o sofrimento quando o propósito é honesto Sete vidas sete sóis quando a recíproca o faz completo.
Gente vive, gente morre, eu só quero ser correto Vaidade é bom tempero, mas só se o peso estiver certo.
O orgulho é como um cacto Temperança é fogo e gelo Rodas giram fogo queima, e eu ...Só quero ser eu mesmo.
Por Israel Vitorino - julho 2010
279
Tirania Literária
Somos tão diferentes! No entanto somos crase. A língua que falamos se ridiculariza no papel, talvez porque o papel não tenha sentimento não pulsa, não sua, não precisa de fôlego.
Somos nós que elegemos os clássicos, a nossa fala transcrita não pode tiranizar nossas vidas. A escrita não pode ser ouvida, ela precisa da fala, ela precisa ser lida, ainda que, em voz baixa.
Por que devemos servi-la? Por que não o contrário? Por que o sábio é aquele que bem escreve? Se o que ele bem escreve, não é em exato o que naturalmente se sente ou fala?
A língua e a fala devem se subordinar, se coordenar, fazer sentido, mas... eu, você, nós, eles, a língua, a fala e tudo que aqui está escrito é: crase, fluido, mutável transigente, sensível - adaptável.
Chega de tirania literária!
Por Israel Vitorino 01/06/2021
296
Liberdade?
Você quis capturar a liberdade Mas num revés do destino ela à capturou Se isso não é paradoxo suficiente eu afirmo com certeza: Sei exatamente quem não sou.
Infinitas são as variáveis da personalidade que vem da necessidade ou conveniência. Por necessidade todos buscam por verdades que não saberão o que fazer com elas! O glamour de toda existência é a ciência da não aquiescência de que tudo tem seu fim e, se realmente irá valer a pena.
Quando te libertares da ignorância Serás constantemente ludibriado pela ciência Quando resistires a ela, serás sedado pela fé
E quando contemplares teu corpo inerte Saberás quem foi e, exatmente o que não és!