Quem é esse que com tinta barata e palavras esdrúxulas rudemente macula o papel? Esse sou eu.
Sua grosseria só não excede sua total inaptidão de se tomar por poeta Pois, pranteias sem classe e sonhas com o que ninguém mais se inclina a sonhar e, Esse sou eu.
Mas, de tudo, não lhe tiremos o mérito de tentar, de ousar, Pois todo poeta é um tolo, ousando crer ser possível, através de seus pesares, arrancar suspiros, aplausos e morada em uma distinta biblioteca, mas… Esse não sou eu.
Quem é esse que com tinta barata e palavras esdrúxulas rudemente macula o papel? Esse sou eu.
Sua grosseria só não excede sua total inaptidão de se tomar por poeta Pois, pranteias sem classe e sonhas com o que ninguém mais se inclina a sonhar e, Esse sou eu.
Mas, de tudo, não lhe tiremos o mérito de tentar, de ousar, Pois todo poeta é um tolo, ousando crer ser possível, através de seus pesares, arrancar suspiros, aplausos e morada em uma distinta biblioteca, mas… Esse não sou eu.
Israel Vitorino - 2018
366
Sombras e ideias
Sonhos, um quebra-cabeças Uma caixa vazia e um porta-retratos Somos mesmo o que somos? ou só personagens de um livro ilustrado?
Vejo minha história na sua O que eu disse já foi dito! É tão engraçado Para que estudar tantos verbos ? Se o futuro de ontem amanhã é o passado.
Para que lutar as guerras santas dos homens? Se quem triunfa é o Diabo! Está tudo errado!
Sou quem eu penso que sou?
Ou apenas mais um porta-retratos? Faço o que quero fazer ou já está tudo escrito e eu só cumpro o contrato?
Evoluir, regredir, não sei mais distinguir É tão complicado, predefinimos o que é certo e o que não compreendemos chamamos de errado.
Está tudo errado.
Vou perseguir meus sonhos Deixar de ser sombra e um porta-retratos Vou quebrar as correntes depois separar o concreto e o abstrato.
Solte a sombra e agarre a ideia: presente e futuro são filhos do passado !
Solte a sombra e agarre a ideia ou morra às margens do livro desgastado !
Solte a sombra e agarre a ideia ou receba a herança de um fato mal contado!
Espie por trás da cortina do tempo, Cave um buraco ou volte à caverna mas não estará salvo.
Ninguém está salvo!
Tudo é risco!
E o tempo implacável!
Por Israel Vitorino - novembro de 1999
286
Mares caribenhos
Gosto de ver a lua vestida de prata E o céu matutino cinzento Gosto de ver sua boca nua Sua alma pura e transparente (mares caribenhos)!
Gosto de gostar do que você gosta Das suas músicas, livros, pensamentos, de sentir o que sentes até seu sofrimento!
Gosto quando você discorda, eleva a voz e me provoca torce o nariz, pois tudo em ti chama atenção e olha que sou desatento!
Por Israel Vitorino novembro de 2023
298
SER
Bem e mal não estão sujeitos a gradação Uma linha tem dois lados, em cima dela não se está em lugar algum
Cedo ou tarde é questão de perspectiva Ser ou não ser, não é escolha, desejo e, sim fruição, ações, decisões e harmonia entre o que se pensa e executa Entre o que se perde em nome daquilo que se conquista.
ISRAEL VITORINO 19/09/2021
316
São Lourenço do Sul
Um rio que apascenta a alma e sussurra segredos no ouvido Pássaros discursam em ruas tranquilas
O vento afaga o pescoço O sol bronzeia sorrisos Agradeço ao criador por esta obra
A Santa de braços abertos abençoa quem passa, devoto ou não pobre ou rico.
São Lourenço não é o Éden, mas acho que poderia ter sido.
Israel Vitorino - 13/10/2021
309
Tirania Literária
Somos tão diferentes! No entanto somos crase. A língua que falamos se ridiculariza no papel, talvez porque o papel não tenha sentimento não pulsa, não sua, não precisa de fôlego.
Somos nós que elegemos os clássicos, a nossa fala transcrita não pode tiranizar nossas vidas. A escrita não pode ser ouvida, ela precisa da fala, ela precisa ser lida, ainda que, em voz baixa.
Por que devemos servi-la? Por que não o contrário? Por que o sábio é aquele que bem escreve? Se o que ele bem escreve, não é em exato o que naturalmente se sente ou fala?
A língua e a fala devem se subordinar, se coordenar, fazer sentido, mas... eu, você, nós, eles, a língua, a fala e tudo que aqui está escrito é: crase, fluido, mutável transigente, sensível - adaptável.
Chega de tirania literária!
Por Israel Vitorino 01/06/2021
294
Corações mentirosos
Eu andei entre os sonâmbulos apostadores Sonhei com os corredores do castelo Vi meu sepulcro em sua mente
Você se vendeu a um pequeno momento
Eterno sofrimento.
Meu coração se consome em sua própria chama e eu juro que não te detesto por isso Queria de volta a frágil menina, mas... Rosto de mulher, cães, feridas, noites e noites perdidas, verdade pintada.
Minha parte mais dócil, minha parte mais cínica, qual delas é verdade? Qual delas é mentira? Coma! Meus sentimentos estão em coma Mas uma sinfonia faz meu corpo mexer, por quê?
Correntes, correntes Eu não vejo, ninguém vê Mas eu sinto
Só os supostos cegos são capazes de ver Acredita nos loucos? eles conhecem você Onde acordo? Fogo! não queira saber
Não tente invadir o meu ser Não aposte com quem não se importa em perder Não peça socorro, não é possível evitar
Não há mais real Ginásio, eu me lembro das rebeliões meu choro, meu primeiro contato
Soneto A velha menina Uma caixa, um retrato Uma alcoólatra vida Um mundo pequeno… e... Corações mergulhados em suas próprias mentiras.
Por: Israel Vitorino outubro 1999
369
Sapere Aude
O amor pelo oculto é uma doença e Eu terrivelmente infectado, aguardo impacientemente pelo belo não revelado.
Recuso-me a tomar remédios, a qualquer elixir que me torne acomodado com as pequenas doses, de quando em quando de algo extraordinário.
Minha sede insaciável, por vezes me deixa fraco compelindo-me a seguir sem rumo, debruçando-me no acaso delirando em febre alta.
Mostra-me, oh Deus! o que ainda não me foi revelado.
Por Israel Vitorino - agosto de 2005
281
Liberdade?
Você quis capturar a liberdade Mas num revés do destino ela à capturou Se isso não é paradoxo suficiente eu afirmo com certeza: Sei exatamente quem não sou.
Infinitas são as variáveis da personalidade que vem da necessidade ou conveniência. Por necessidade todos buscam por verdades que não saberão o que fazer com elas! O glamour de toda existência é a ciência da não aquiescência de que tudo tem seu fim e, se realmente irá valer a pena.
Quando te libertares da ignorância Serás constantemente ludibriado pela ciência Quando resistires a ela, serás sedado pela fé
E quando contemplares teu corpo inerte Saberás quem foi e, exatmente o que não és!
Por: Israel Vitorino - janeiro 2017
288
Vidas gasta em ilusão
Vida vai, vidas vêm E o quê que tem? Rios secam, folhas caem E o que eu era, não é mais ninguém!
E o que eu sou, não serei mais Vidas vêm, amigos vão E o que levamos? Se eu levaria, hoje eu abro mão.
Duvidar é sábio Acreditar é um grande dom Quem deveras mora no palácio da razão? Chuvas ressuscitam os rios, Flores desabrocham em nova estação Quem trará de volta vida gasta em ilusão?