Quem é esse que com tinta barata e palavras esdrúxulas rudemente macula o papel? Esse sou eu.
Sua grosseria só não excede sua total inaptidão de se tomar por poeta Pois, pranteias sem classe e sonhas com o que ninguém mais se inclina a sonhar e, Esse sou eu.
Mas, de tudo, não lhe tiremos o mérito de tentar, de ousar, Pois todo poeta é um tolo, ousando crer ser possível, através de seus pesares, arrancar suspiros, aplausos e morada em uma distinta biblioteca, mas… Esse não sou eu.
Quem é esse que com tinta barata e palavras esdrúxulas rudemente macula o papel? Esse sou eu.
Sua grosseria só não excede sua total inaptidão de se tomar por poeta Pois, pranteias sem classe e sonhas com o que ninguém mais se inclina a sonhar e, Esse sou eu.
Mas, de tudo, não lhe tiremos o mérito de tentar, de ousar, Pois todo poeta é um tolo, ousando crer ser possível, através de seus pesares, arrancar suspiros, aplausos e morada em uma distinta biblioteca, mas… Esse não sou eu.
Israel Vitorino - 2018
370
Mares caribenhos
Gosto de ver a lua vestida de prata E o céu matutino cinzento Gosto de ver sua boca nua Sua alma pura e transparente (mares caribenhos)!
Gosto de gostar do que você gosta Das suas músicas, livros, pensamentos, de sentir o que sentes até seu sofrimento!
Gosto quando você discorda, eleva a voz e me provoca torce o nariz, pois tudo em ti chama atenção e olha que sou desatento!
Por Israel Vitorino novembro de 2023
302
Sombras e ideias
Sonhos, um quebra-cabeças Uma caixa vazia e um porta-retratos Somos mesmo o que somos? ou só personagens de um livro ilustrado?
Vejo minha história na sua O que eu disse já foi dito! É tão engraçado Para que estudar tantos verbos ? Se o futuro de ontem amanhã é o passado.
Para que lutar as guerras santas dos homens? Se quem triunfa é o Diabo! Está tudo errado!
Sou quem eu penso que sou?
Ou apenas mais um porta-retratos? Faço o que quero fazer ou já está tudo escrito e eu só cumpro o contrato?
Evoluir, regredir, não sei mais distinguir É tão complicado, predefinimos o que é certo e o que não compreendemos chamamos de errado.
Está tudo errado.
Vou perseguir meus sonhos Deixar de ser sombra e um porta-retratos Vou quebrar as correntes depois separar o concreto e o abstrato.
Solte a sombra e agarre a ideia: presente e futuro são filhos do passado !
Solte a sombra e agarre a ideia ou morra às margens do livro desgastado !
Solte a sombra e agarre a ideia ou receba a herança de um fato mal contado!
Espie por trás da cortina do tempo, Cave um buraco ou volte à caverna mas não estará salvo.
Ninguém está salvo!
Tudo é risco!
E o tempo implacável!
Por Israel Vitorino - novembro de 1999
289
SER
Bem e mal não estão sujeitos a gradação Uma linha tem dois lados, em cima dela não se está em lugar algum
Cedo ou tarde é questão de perspectiva Ser ou não ser, não é escolha, desejo e, sim fruição, ações, decisões e harmonia entre o que se pensa e executa Entre o que se perde em nome daquilo que se conquista.
ISRAEL VITORINO 19/09/2021
318
Tirania Literária
Somos tão diferentes! No entanto somos crase. A língua que falamos se ridiculariza no papel, talvez porque o papel não tenha sentimento não pulsa, não sua, não precisa de fôlego.
Somos nós que elegemos os clássicos, a nossa fala transcrita não pode tiranizar nossas vidas. A escrita não pode ser ouvida, ela precisa da fala, ela precisa ser lida, ainda que, em voz baixa.
Por que devemos servi-la? Por que não o contrário? Por que o sábio é aquele que bem escreve? Se o que ele bem escreve, não é em exato o que naturalmente se sente ou fala?
A língua e a fala devem se subordinar, se coordenar, fazer sentido, mas... eu, você, nós, eles, a língua, a fala e tudo que aqui está escrito é: crase, fluido, mutável transigente, sensível - adaptável.
Chega de tirania literária!
Por Israel Vitorino 01/06/2021
297
SÓ O QUE MEREÇO
Luzes, as velhas luzes, as luzes de outrora, novas luzes todas cintilantes Há muito venho as contemplando, já se passaram mais de trinta anos!
Ventos, nunca são os mesmos, uns cheios de raiva, outros cheios de desejos perdidos, desejos trazidos de um eu de outros tempos - de pessoas que não conheço. Sonhos, faz tempo que não os tenho, pelo menos não me lembro. Sei sonhar o mesmo sonho várias vezes, mas eu esqueço e, gostaria de saber o porquê.
Glória, há muito que não busco, não para mim mesmo, eu não mereço! Meu pensamento está nu no escuro e minha vaidade me faz caminhar descalço sobre o gelo. Eu só quero acariciar as luzes e me refrescar no vento dos desejos, aceitaria um bom jantar comigo mesmo. Eu apenas quero o que mereço!
Israel Vitorino julho 2014
369
Arroio Jaguarão
Quando o homem contempla a natureza Se dá conta de sua pequenez por valorizar frivolidades Quando aquilo que lhe é gratuito, ofertado pelo criador mantém-se velado
Soterrado, obscurecido por desejos e vaidades que não saciam sua alma e, não preenchem seu vazio Não contam sua história, nem abrigam sua essência.
Israel Vitorino – junho 2023
303
Sete sóis
A nudez de um sentimento na pureza de um gesto Passa ao largo o sofrimento quando o propósito é honesto Sete vidas sete sóis quando a recíproca o faz completo.
Gente vive, gente morre, eu só quero ser correto Vaidade é bom tempero, mas só se o peso estiver certo.
O orgulho é como um cacto Temperança é fogo e gelo Rodas giram fogo queima, e eu ...Só quero ser eu mesmo.
Por Israel Vitorino - julho 2010
279
Almas e lendas
Corra e sonhe com campos abertos Peça socorro quando nada estiver correto Minta, sorria nos seus pesadelos Não precisa contar, conheço todos os seus segredos.
O mundo é selvagem e eu pobre camponês Se te amar é pecado envie os soldados E eu os vencerei, serei lobo contra porcos Homens versus lenda.
Entre porcos e ovelhas Lobos e abelhas Almas e lendas.
Diga que feitiço usou comigo? me dê mais uma dose para beber Minha alma é rio sem curso Mas onde quer que vá deságua em você.
O mundo é selvagem e eu pobre camponês Se te amar é pecado envie os soldados E eu os vencerei, serei lobo contra porcos Homens versus lenda.
Entre porcos e ovelhas Lobos e abelhas Almas e lendas!
Por Israel Vitorino - setembro 2001
297
Liberdade?
Você quis capturar a liberdade Mas num revés do destino ela à capturou Se isso não é paradoxo suficiente eu afirmo com certeza: Sei exatamente quem não sou.
Infinitas são as variáveis da personalidade que vem da necessidade ou conveniência. Por necessidade todos buscam por verdades que não saberão o que fazer com elas! O glamour de toda existência é a ciência da não aquiescência de que tudo tem seu fim e, se realmente irá valer a pena.
Quando te libertares da ignorância Serás constantemente ludibriado pela ciência Quando resistires a ela, serás sedado pela fé
E quando contemplares teu corpo inerte Saberás quem foi e, exatmente o que não és!