Quem é esse que com tinta barata e palavras esdrúxulas rudemente macula o papel? Esse sou eu.
Sua grosseria só não excede sua total inaptidão de se tomar por poeta Pois, pranteias sem classe e sonhas com o que ninguém mais se inclina a sonhar e, Esse sou eu.
Mas, de tudo, não lhe tiremos o mérito de tentar, de ousar, Pois todo poeta é um tolo, ousando crer ser possível, através de seus pesares, arrancar suspiros, aplausos e morada em uma distinta biblioteca, mas… Esse não sou eu.
Um eu despido sob um teto esburacado Pés doídos de um caminho viciado Um, ser um, dentre muitos (um) inacabados
Ventar suas emoções é flertar com acaso É buscar carinho nas chamas, negligenciar o fato de que há limite em aproximar-se e invadir, entre um riso e um deboche
Não se pode correr nas nuvens, nadar na areia ou tornar fértil uma mente cheia de concreto Não há homem que parta rochas com as mãos, como não há montanhas que não rachem com a persistência de águas calmas e ventos Tudo cai, tudo perece, tudo se finda - nada permance!
O fim sempre esteve no começo, pois sabendo que toda existência termina tudo que temos são experiências, sensações, escolhas, caminhos desejos e, eu... escolho vivê-los.
Por Israel Vitorino agosto de 2001
352
Vênus
A noite estava mais escura que de costume O mar negro e aterrorizante Amedrontados, marinheiros experientes Se punham a orar.
Depois de algum momento retido em silêncio Um sorriso pueril se apodera do meu rosto Nuvens se abrem e, me deparo com a mais bela e tímida lua acompanhada de uma clara estrela (Vênus).
Então te pergunto: é possível te esquecer? Pois, enquanto todos oravam por suas vidas Eu lembrava de nossos momentos e apenas agradecia ao bondoso Deus pela dádiva de ter conhecido você.
Por Israel Vitorino - março 2002
281
SÓ O QUE MEREÇO
Luzes, as velhas luzes, as luzes de outrora, novas luzes todas cintilantes Há muito venho as contemplando, já se passaram mais de trinta anos!
Ventos, nunca são os mesmos, uns cheios de raiva, outros cheios de desejos perdidos, desejos trazidos de um eu de outros tempos - de pessoas que não conheço. Sonhos, faz tempo que não os tenho, pelo menos não me lembro. Sei sonhar o mesmo sonho várias vezes, mas eu esqueço e, gostaria de saber o porquê.
Glória, há muito que não busco, não para mim mesmo, eu não mereço! Meu pensamento está nu no escuro e minha vaidade me faz caminhar descalço sobre o gelo. Eu só quero acariciar as luzes e me refrescar no vento dos desejos, aceitaria um bom jantar comigo mesmo. Eu apenas quero o que mereço!
Israel Vitorino julho 2014
368
Arroio Jaguarão
Quando o homem contempla a natureza Se dá conta de sua pequenez por valorizar frivolidades Quando aquilo que lhe é gratuito, ofertado pelo criador mantém-se velado
Soterrado, obscurecido por desejos e vaidades que não saciam sua alma e, não preenchem seu vazio Não contam sua história, nem abrigam sua essência.
Israel Vitorino – junho 2023
302
Novo Campos Elísios
Bebi seu corpo vinho Num cálice sagrado Decifrei o pergaminho No seu corpo tatuado
Suas letras foram escritas Pelas mãos de antigos sábios Cada linha que profano Meu corpo é transportado
Para um jardim secreto De tamanho infinito, quando venta pétalas de rosas Chove vinho tinto
Aqui plantei meu coração Aqui escrevi nossos destinos Os animais estão brincando As crianças estão sorrindo
Aqui não existem guerras Eu superei a Dionísio Nem Zeus pensou em algo tão lindo
Afrodite veio nos saudar Enquanto estávamos dormindo Dormindo.
Israel vitorino - dezembro 1999
311
Sete sóis
A nudez de um sentimento na pureza de um gesto Passa ao largo o sofrimento quando o propósito é honesto Sete vidas sete sóis quando a recíproca o faz completo.
Gente vive, gente morre, eu só quero ser correto Vaidade é bom tempero, mas só se o peso estiver certo.
O orgulho é como um cacto Temperança é fogo e gelo Rodas giram fogo queima, e eu ...Só quero ser eu mesmo.
Por Israel Vitorino - julho 2010
277
Almas e lendas
Corra e sonhe com campos abertos Peça socorro quando nada estiver correto Minta, sorria nos seus pesadelos Não precisa contar, conheço todos os seus segredos.
O mundo é selvagem e eu pobre camponês Se te amar é pecado envie os soldados E eu os vencerei, serei lobo contra porcos Homens versus lenda.
Entre porcos e ovelhas Lobos e abelhas Almas e lendas.
Diga que feitiço usou comigo? me dê mais uma dose para beber Minha alma é rio sem curso Mas onde quer que vá deságua em você.
O mundo é selvagem e eu pobre camponês Se te amar é pecado envie os soldados E eu os vencerei, serei lobo contra porcos Homens versus lenda.
Entre porcos e ovelhas Lobos e abelhas Almas e lendas!