Lista de Poemas

Almas e lendas

Corra e sonhe com campos abertos
Peça socorro quando nada estiver correto
Minta, sorria nos seus pesadelos
Não precisa contar, conheço todos os seus segredos. 

O mundo é selvagem e eu pobre camponês
Se te amar é pecado envie os soldados
E eu os vencerei, serei lobo contra porcos
Homens versus lenda. 

Entre porcos e ovelhas
Lobos e abelhas
Almas e lendas. 

Diga que feitiço usou comigo?
me dê mais uma dose para beber
Minha alma é rio sem curso
Mas onde quer que vá deságua em você. 

O mundo é selvagem e eu pobre camponês
Se te amar é pecado envie os soldados
E eu os vencerei, serei lobo contra porcos
Homens versus lenda. 

Entre porcos e ovelhas
Lobos e abelhas
Almas e lendas!

Por Israel Vitorino - setembro 2001
287

Um

Um eu despido sob um teto esburacado
Pés doídos de um caminho viciado
Um, ser um, dentre muitos (um) inacabados 

Ventar suas emoções é flertar com acaso
É buscar carinho nas chamas, negligenciar 
o fato de que há limite em aproximar-se e invadir, entre um riso e um deboche 

Não se pode correr nas nuvens, nadar na areia ou tornar fértil uma mente cheia de concreto
Não há homem que parta rochas com as mãos, como não há  montanhas que não rachem
com a persistência de águas calmas e ventos
Tudo cai, tudo perece, tudo se finda - nada permance!

O fim sempre esteve no começo, pois sabendo que toda existência termina
tudo que temos são experiências, sensações, escolhas, caminhos
desejos e, eu... escolho vivê-los. 

Por Israel Vitorino agosto de 2001
343

Sapere Aude

O amor pelo oculto é uma doença e
Eu terrivelmente infectado, aguardo impacientemente
pelo belo não revelado.

Recuso-me a tomar remédios, a qualquer elixir que me torne acomodado
com as pequenas doses, de quando em quando
de algo extraordinário. 

Minha sede insaciável, por vezes me deixa fraco
compelindo-me a seguir sem rumo, debruçando-me no acaso
delirando em febre alta. 

Mostra-me, oh Deus! o que ainda não me foi revelado.

Por Israel Vitorino  - agosto de 2005
272

Corações mentirosos

Eu andei entre os sonâmbulos apostadores
Sonhei com os corredores do castelo 
Vi meu sepulcro em sua mente

Você se vendeu a um pequeno momento

Eterno sofrimento. 

Meu coração se consome em sua própria chama e
eu juro que não te detesto por isso
Queria de volta a frágil menina, mas...
Rosto de mulher, cães, feridas, noites e noites perdidas, verdade pintada.
 

Minha parte mais dócil, minha parte mais cínica, qual delas é verdade?
Qual delas é mentira?
Coma! Meus sentimentos estão em coma
Mas uma sinfonia faz meu corpo mexer, por quê? 

Correntes, correntes
Eu não vejo, ninguém vê
Mas eu sinto 

Só os supostos cegos são capazes de ver
Acredita nos loucos? eles conhecem você
Onde acordo? Fogo! não queira saber

Não tente invadir o meu ser
Não aposte com quem não se importa em perder
Não peça socorro, não é possível evitar

Trancado, trancado
Meu coração sofre calado
Espinho, cansaço, nebuloso, acordado 

Não há mais real
Ginásio, eu me lembro das rebeliões
meu choro, meu primeiro contato 

Soneto
A velha menina
Uma caixa, um retrato
Uma alcoólatra vida
Um mundo pequeno… e...
Corações mergulhados em suas próprias mentiras.
 

Por: Israel Vitorino outubro 1999
357

Vênus

A noite estava mais escura que de costume
O mar negro e aterrorizante
Amedrontados, marinheiros experientes
Se punham a orar. 

Depois de algum momento retido em silêncio
Um sorriso pueril se apodera do meu rosto
Nuvens se abrem e, me deparo com a mais bela e tímida lua
acompanhada de uma clara estrela (Vênus).

Então te pergunto: é possível te esquecer?
Pois, enquanto todos oravam por suas vidas
Eu lembrava de nossos momentos e apenas agradecia
ao bondoso Deus pela dádiva de ter conhecido você.

Por Israel Vitorino - março 2002
272

Arroio Jaguarão

Quando o homem contempla a natureza
Se dá conta de sua pequenez por valorizar frivolidades
Quando aquilo que lhe é gratuito, ofertado pelo criador
mantém-se velado

Soterrado, obscurecido por desejos e vaidades que
não saciam sua alma e, não preenchem seu vazio
Não contam sua história, nem abrigam sua essência.

 

Israel Vitorino – junho 2023

291

Novo Campos Elísios

Bebi seu corpo vinho
Num cálice sagrado
Decifrei o pergaminho
No seu corpo tatuado

Suas letras foram escritas
Pelas mãos de antigos sábios
Cada linha que profano
Meu corpo é transportado 

Para um jardim secreto
De tamanho infinito, quando venta pétalas de rosas
Chove vinho tinto

Aqui plantei meu coração
Aqui escrevi nossos destinos
Os animais estão brincando
As crianças estão sorrindo

Aqui não existem guerras
Eu superei a Dionísio
Nem Zeus pensou em algo tão lindo

Afrodite veio nos saudar
Enquanto estávamos dormindo
Dormindo.

 Israel vitorino - dezembro 1999
302

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