Israel Vitorino

Israel Vitorino

n. 1981 BR BR

n. 1981-07-28

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Poetas e tolos

Quem é esse que com tinta barata e palavras esdrúxulas rudemente macula o papel?
Esse sou eu.

Sua grosseria só não excede sua total inaptidão de se tomar por poeta
Pois, pranteias sem classe e sonhas com o que ninguém mais se inclina a sonhar e,
Esse sou eu.

Mas, de tudo, não lhe tiremos o mérito de tentar, de ousar,
Pois todo poeta é um tolo, ousando crer ser possível, através de seus pesares, arrancar suspiros,
aplausos e morada em uma distinta biblioteca, mas…
Esse não sou eu.
 

Israel Vitorino - 2018
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Poemas

17

Poetas e tolos

Quem é esse que com tinta barata e palavras esdrúxulas rudemente macula o papel?
Esse sou eu.

Sua grosseria só não excede sua total inaptidão de se tomar por poeta
Pois, pranteias sem classe e sonhas com o que ninguém mais se inclina a sonhar e,
Esse sou eu.

Mas, de tudo, não lhe tiremos o mérito de tentar, de ousar,
Pois todo poeta é um tolo, ousando crer ser possível, através de seus pesares, arrancar suspiros,
aplausos e morada em uma distinta biblioteca, mas…
Esse não sou eu.
 

Israel Vitorino - 2018
369

Mares caribenhos

Gosto de ver a lua vestida de prata
E o céu matutino cinzento
Gosto de ver sua boca nua
Sua alma pura e transparente
(mares caribenhos)! 

Gosto de gostar do que você gosta
Das suas músicas, livros, pensamentos, de sentir o que sentes
até seu sofrimento! 

Gosto quando você discorda, eleva a voz e me provoca
torce o nariz, pois tudo em ti chama atenção e
olha que sou desatento!

Por Israel Vitorino  novembro de 2023
302

SER

Bem e mal não estão sujeitos a gradação
Uma linha tem dois lados, em cima dela
não se está em lugar algum 

Cedo ou tarde é questão de perspectiva
Ser ou não ser, não é escolha, desejo e, sim 
fruição, ações, decisões e harmonia entre o que se pensa e executa
Entre o que se perde em nome daquilo que se conquista.

 

ISRAEL VITORINO 19/09/2021

317

Sombras e ideias

Sonhos, um quebra-cabeças
Uma caixa vazia e um porta-retratos
Somos mesmo o que somos?
ou só personagens de um livro ilustrado?

Vejo minha história na sua
O que eu disse já foi dito!
É tão engraçado
Para que estudar tantos verbos ?
Se o futuro de ontem amanhã é o passado.

Para que lutar as guerras santas dos homens?
Se quem triunfa é o Diabo!
Está tudo errado!

Sou quem eu penso que sou?

Ou apenas mais um porta-retratos?
Faço o que quero fazer ou já está tudo escrito e eu só cumpro o contrato?

Evoluir, regredir, não sei mais distinguir 
É tão complicado, predefinimos o que é certo e o que não compreendemos chamamos de errado.

Está tudo errado.

Vou perseguir meus sonhos
Deixar de ser sombra  e um porta-retratos 
Vou quebrar as correntes depois separar o concreto e o abstrato.

Solte a sombra e agarre a ideia: presente e futuro são filhos do passado !

Solte a sombra e agarre a ideia ou morra às margens do livro desgastado !

Solte a sombra e agarre a ideia ou receba a herança de um fato mal contado!

Espie por trás da cortina do tempo, 
Cave um buraco ou volte à caverna mas não estará salvo. 

Ninguém está salvo!

Tudo é risco!

E o tempo implacável!

Por Israel Vitorino - novembro de 1999

288

São Lourenço do Sul

Um rio que apascenta a alma
e sussurra segredos no ouvido
Pássaros discursam em ruas tranquilas

O vento afaga o pescoço
O sol bronzeia sorrisos
Agradeço ao criador por esta obra

A Santa de braços abertos
abençoa quem passa, devoto ou não
pobre ou rico.

São Lourenço não é o Éden, mas acho
que poderia ter sido.
 

Israel Vitorino - 13/10/2021
311

Arroio Jaguarão

Quando o homem contempla a natureza
Se dá conta de sua pequenez por valorizar frivolidades
Quando aquilo que lhe é gratuito, ofertado pelo criador
mantém-se velado

Soterrado, obscurecido por desejos e vaidades que
não saciam sua alma e, não preenchem seu vazio
Não contam sua história, nem abrigam sua essência.

 

Israel Vitorino – junho 2023

303

Sapere Aude

O amor pelo oculto é uma doença e
Eu terrivelmente infectado, aguardo impacientemente
pelo belo não revelado.

Recuso-me a tomar remédios, a qualquer elixir que me torne acomodado
com as pequenas doses, de quando em quando
de algo extraordinário. 

Minha sede insaciável, por vezes me deixa fraco
compelindo-me a seguir sem rumo, debruçando-me no acaso
delirando em febre alta. 

Mostra-me, oh Deus! o que ainda não me foi revelado.

Por Israel Vitorino  - agosto de 2005
283

Sete sóis

A nudez de um sentimento na pureza de um gesto
Passa ao largo o sofrimento quando o propósito é honesto
Sete vidas sete sóis quando a recíproca o faz completo.

Gente vive, gente morre, eu só quero ser correto
Vaidade é bom tempero, mas só se o peso estiver certo.

O orgulho é como um cacto
Temperança é fogo e gelo
Rodas giram fogo queima, e eu
...Só quero ser eu mesmo.

Por Israel Vitorino - julho 2010
279

Tirania Literária

Somos tão diferentes! No entanto somos crase.
A língua que falamos se ridiculariza no papel, talvez porque o papel não tenha sentimento
não pulsa, não sua, não precisa de fôlego. 

Somos nós que elegemos os clássicos, a nossa fala transcrita não pode tiranizar nossas vidas.
A escrita não pode ser ouvida, ela precisa da fala, ela precisa ser lida, ainda que, em voz baixa.

Por que devemos servi-la?
Por que não o contrário?
Por que o sábio é aquele que bem escreve?
Se o que ele bem escreve, não é em exato o que naturalmente se sente ou fala?

A língua e a fala devem se subordinar, se coordenar, fazer sentido, mas...
eu, você, nós, eles, a língua, a fala e tudo que aqui está escrito é: crase, fluido, mutável
transigente, sensível - adaptável.

Chega de tirania literária!

 

Por Israel Vitorino 01/06/2021

296

Liberdade?

Você quis capturar a liberdade
Mas num revés do destino ela à capturou
Se isso não é paradoxo suficiente eu afirmo com certeza:
Sei exatamente quem não sou.

Infinitas são as variáveis da personalidade que vem da necessidade ou conveniência.
Por necessidade todos buscam por verdades que não saberão o que fazer com elas!
O glamour de toda existência é a ciência da não aquiescência de que
tudo tem seu fim e, se realmente irá valer a pena. 

Quando te libertares da ignorância
Serás constantemente ludibriado pela ciência
Quando resistires a ela, serás sedado pela fé

E quando contemplares teu corpo inerte
Saberás quem foi e, exatmente o que não és!

Por: Israel Vitorino - janeiro 2017

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