Israel Vitorino

Israel Vitorino

n. 1981 BR BR

n. 1981-07-28

Perfil
5 189 Visualizações

Poetas e tolos

Quem é esse que com tinta barata e palavras esdrúxulas rudemente macula o papel?
Esse sou eu.

Sua grosseria só não excede sua total inaptidão de se tomar por poeta
Pois, pranteias sem classe e sonhas com o que ninguém mais se inclina a sonhar e,
Esse sou eu.

Mas, de tudo, não lhe tiremos o mérito de tentar, de ousar,
Pois todo poeta é um tolo, ousando crer ser possível, através de seus pesares, arrancar suspiros,
aplausos e morada em uma distinta biblioteca, mas…
Esse não sou eu.
 

Israel Vitorino - 2018
Ler poema completo

Poemas

17

Sombras e ideias

Sonhos, um quebra-cabeças
Uma caixa vazia e um porta-retratos
Somos mesmo o que somos?
ou só personagens de um livro ilustrado?

Vejo minha história na sua
O que eu disse já foi dito!
É tão engraçado
Para que estudar tantos verbos ?
Se o futuro de ontem amanhã é o passado.

Para que lutar as guerras santas dos homens?
Se quem triunfa é o Diabo!
Está tudo errado!

Sou quem eu penso que sou?

Ou apenas mais um porta-retratos?
Faço o que quero fazer ou já está tudo escrito e eu só cumpro o contrato?

Evoluir, regredir, não sei mais distinguir 
É tão complicado, predefinimos o que é certo e o que não compreendemos chamamos de errado.

Está tudo errado.

Vou perseguir meus sonhos
Deixar de ser sombra  e um porta-retratos 
Vou quebrar as correntes depois separar o concreto e o abstrato.

Solte a sombra e agarre a ideia: presente e futuro são filhos do passado !

Solte a sombra e agarre a ideia ou morra às margens do livro desgastado !

Solte a sombra e agarre a ideia ou receba a herança de um fato mal contado!

Espie por trás da cortina do tempo, 
Cave um buraco ou volte à caverna mas não estará salvo. 

Ninguém está salvo!

Tudo é risco!

E o tempo implacável!

Por Israel Vitorino - novembro de 1999

283

Sete sóis

A nudez de um sentimento na pureza de um gesto
Passa ao largo o sofrimento quando o propósito é honesto
Sete vidas sete sóis quando a recíproca o faz completo.

Gente vive, gente morre, eu só quero ser correto
Vaidade é bom tempero, mas só se o peso estiver certo.

O orgulho é como um cacto
Temperança é fogo e gelo
Rodas giram fogo queima, e eu
...Só quero ser eu mesmo.

Por Israel Vitorino - julho 2010
274

Mares caribenhos

Gosto de ver a lua vestida de prata
E o céu matutino cinzento
Gosto de ver sua boca nua
Sua alma pura e transparente
(mares caribenhos)! 

Gosto de gostar do que você gosta
Das suas músicas, livros, pensamentos, de sentir o que sentes
até seu sofrimento! 

Gosto quando você discorda, eleva a voz e me provoca
torce o nariz, pois tudo em ti chama atenção e
olha que sou desatento!

Por Israel Vitorino  novembro de 2023
297

Sapere Aude

O amor pelo oculto é uma doença e
Eu terrivelmente infectado, aguardo impacientemente
pelo belo não revelado.

Recuso-me a tomar remédios, a qualquer elixir que me torne acomodado
com as pequenas doses, de quando em quando
de algo extraordinário. 

Minha sede insaciável, por vezes me deixa fraco
compelindo-me a seguir sem rumo, debruçando-me no acaso
delirando em febre alta. 

Mostra-me, oh Deus! o que ainda não me foi revelado.

Por Israel Vitorino  - agosto de 2005
280

Vênus

A noite estava mais escura que de costume
O mar negro e aterrorizante
Amedrontados, marinheiros experientes
Se punham a orar. 

Depois de algum momento retido em silêncio
Um sorriso pueril se apodera do meu rosto
Nuvens se abrem e, me deparo com a mais bela e tímida lua
acompanhada de uma clara estrela (Vênus).

Então te pergunto: é possível te esquecer?
Pois, enquanto todos oravam por suas vidas
Eu lembrava de nossos momentos e apenas agradecia
ao bondoso Deus pela dádiva de ter conhecido você.

Por Israel Vitorino - março 2002
280

Almas e lendas

Corra e sonhe com campos abertos
Peça socorro quando nada estiver correto
Minta, sorria nos seus pesadelos
Não precisa contar, conheço todos os seus segredos. 

O mundo é selvagem e eu pobre camponês
Se te amar é pecado envie os soldados
E eu os vencerei, serei lobo contra porcos
Homens versus lenda. 

Entre porcos e ovelhas
Lobos e abelhas
Almas e lendas. 

Diga que feitiço usou comigo?
me dê mais uma dose para beber
Minha alma é rio sem curso
Mas onde quer que vá deságua em você. 

O mundo é selvagem e eu pobre camponês
Se te amar é pecado envie os soldados
E eu os vencerei, serei lobo contra porcos
Homens versus lenda. 

Entre porcos e ovelhas
Lobos e abelhas
Almas e lendas!

Por Israel Vitorino - setembro 2001
293

Liberdade?

Você quis capturar a liberdade
Mas num revés do destino ela à capturou
Se isso não é paradoxo suficiente eu afirmo com certeza:
Sei exatamente quem não sou.

Infinitas são as variáveis da personalidade que vem da necessidade ou conveniência.
Por necessidade todos buscam por verdades que não saberão o que fazer com elas!
O glamour de toda existência é a ciência da não aquiescência de que
tudo tem seu fim e, se realmente irá valer a pena. 

Quando te libertares da ignorância
Serás constantemente ludibriado pela ciência
Quando resistires a ela, serás sedado pela fé

E quando contemplares teu corpo inerte
Saberás quem foi e, exatmente o que não és!

Por: Israel Vitorino - janeiro 2017

287

Tirania Literária

Somos tão diferentes! No entanto somos crase.
A língua que falamos se ridiculariza no papel, talvez porque o papel não tenha sentimento
não pulsa, não sua, não precisa de fôlego. 

Somos nós que elegemos os clássicos, a nossa fala transcrita não pode tiranizar nossas vidas.
A escrita não pode ser ouvida, ela precisa da fala, ela precisa ser lida, ainda que, em voz baixa.

Por que devemos servi-la?
Por que não o contrário?
Por que o sábio é aquele que bem escreve?
Se o que ele bem escreve, não é em exato o que naturalmente se sente ou fala?

A língua e a fala devem se subordinar, se coordenar, fazer sentido, mas...
eu, você, nós, eles, a língua, a fala e tudo que aqui está escrito é: crase, fluido, mutável
transigente, sensível - adaptável.

Chega de tirania literária!

 

Por Israel Vitorino 01/06/2021

293

Novo Campos Elísios

Bebi seu corpo vinho
Num cálice sagrado
Decifrei o pergaminho
No seu corpo tatuado

Suas letras foram escritas
Pelas mãos de antigos sábios
Cada linha que profano
Meu corpo é transportado 

Para um jardim secreto
De tamanho infinito, quando venta pétalas de rosas
Chove vinho tinto

Aqui plantei meu coração
Aqui escrevi nossos destinos
Os animais estão brincando
As crianças estão sorrindo

Aqui não existem guerras
Eu superei a Dionísio
Nem Zeus pensou em algo tão lindo

Afrodite veio nos saudar
Enquanto estávamos dormindo
Dormindo.

 Israel vitorino - dezembro 1999
310

Arroio Jaguarão

Quando o homem contempla a natureza
Se dá conta de sua pequenez por valorizar frivolidades
Quando aquilo que lhe é gratuito, ofertado pelo criador
mantém-se velado

Soterrado, obscurecido por desejos e vaidades que
não saciam sua alma e, não preenchem seu vazio
Não contam sua história, nem abrigam sua essência.

 

Israel Vitorino – junho 2023

301

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.