Quem é esse que com tinta barata e palavras esdrúxulas rudemente macula o papel? Esse sou eu.
Sua grosseria só não excede sua total inaptidão de se tomar por poeta Pois, pranteias sem classe e sonhas com o que ninguém mais se inclina a sonhar e, Esse sou eu.
Mas, de tudo, não lhe tiremos o mérito de tentar, de ousar, Pois todo poeta é um tolo, ousando crer ser possível, através de seus pesares, arrancar suspiros, aplausos e morada em uma distinta biblioteca, mas… Esse não sou eu.
Um rio que apascenta a alma e sussurra segredos no ouvido Pássaros discursam em ruas tranquilas
O vento afaga o pescoço O sol bronzeia sorrisos Agradeço ao criador por esta obra
A Santa de braços abertos abençoa quem passa, devoto ou não pobre ou rico.
São Lourenço não é o Éden, mas acho que poderia ter sido.
Israel Vitorino - 13/10/2021
308
SER
Bem e mal não estão sujeitos a gradação Uma linha tem dois lados, em cima dela não se está em lugar algum
Cedo ou tarde é questão de perspectiva Ser ou não ser, não é escolha, desejo e, sim fruição, ações, decisões e harmonia entre o que se pensa e executa Entre o que se perde em nome daquilo que se conquista.
ISRAEL VITORINO 19/09/2021
314
Vidas gasta em ilusão
Vida vai, vidas vêm E o quê que tem? Rios secam, folhas caem E o que eu era, não é mais ninguém!
E o que eu sou, não serei mais Vidas vêm, amigos vão E o que levamos? Se eu levaria, hoje eu abro mão.
Duvidar é sábio Acreditar é um grande dom Quem deveras mora no palácio da razão? Chuvas ressuscitam os rios, Flores desabrocham em nova estação Quem trará de volta vida gasta em ilusão?
315
Um
Um eu despido sob um teto esburacado Pés doídos de um caminho viciado Um, ser um, dentre muitos (um) inacabados
Ventar suas emoções é flertar com acaso É buscar carinho nas chamas, negligenciar o fato de que há limite em aproximar-se e invadir, entre um riso e um deboche
Não se pode correr nas nuvens, nadar na areia ou tornar fértil uma mente cheia de concreto Não há homem que parta rochas com as mãos, como não há montanhas que não rachem com a persistência de águas calmas e ventos Tudo cai, tudo perece, tudo se finda - nada permance!
O fim sempre esteve no começo, pois sabendo que toda existência termina tudo que temos são experiências, sensações, escolhas, caminhos desejos e, eu... escolho vivê-los.
Por Israel Vitorino agosto de 2001
351
Corações mentirosos
Eu andei entre os sonâmbulos apostadores Sonhei com os corredores do castelo Vi meu sepulcro em sua mente
Você se vendeu a um pequeno momento
Eterno sofrimento.
Meu coração se consome em sua própria chama e eu juro que não te detesto por isso Queria de volta a frágil menina, mas... Rosto de mulher, cães, feridas, noites e noites perdidas, verdade pintada.
Minha parte mais dócil, minha parte mais cínica, qual delas é verdade? Qual delas é mentira? Coma! Meus sentimentos estão em coma Mas uma sinfonia faz meu corpo mexer, por quê?
Correntes, correntes Eu não vejo, ninguém vê Mas eu sinto
Só os supostos cegos são capazes de ver Acredita nos loucos? eles conhecem você Onde acordo? Fogo! não queira saber
Não tente invadir o meu ser Não aposte com quem não se importa em perder Não peça socorro, não é possível evitar
Não há mais real Ginásio, eu me lembro das rebeliões meu choro, meu primeiro contato
Soneto A velha menina Uma caixa, um retrato Uma alcoólatra vida Um mundo pequeno… e... Corações mergulhados em suas próprias mentiras.
Por: Israel Vitorino outubro 1999
367
SÓ O QUE MEREÇO
Luzes, as velhas luzes, as luzes de outrora, novas luzes todas cintilantes Há muito venho as contemplando, já se passaram mais de trinta anos!
Ventos, nunca são os mesmos, uns cheios de raiva, outros cheios de desejos perdidos, desejos trazidos de um eu de outros tempos - de pessoas que não conheço. Sonhos, faz tempo que não os tenho, pelo menos não me lembro. Sei sonhar o mesmo sonho várias vezes, mas eu esqueço e, gostaria de saber o porquê.
Glória, há muito que não busco, não para mim mesmo, eu não mereço! Meu pensamento está nu no escuro e minha vaidade me faz caminhar descalço sobre o gelo. Eu só quero acariciar as luzes e me refrescar no vento dos desejos, aceitaria um bom jantar comigo mesmo. Eu apenas quero o que mereço!
Israel Vitorino julho 2014
365
Poetas e tolos
Quem é esse que com tinta barata e palavras esdrúxulas rudemente macula o papel? Esse sou eu.
Sua grosseria só não excede sua total inaptidão de se tomar por poeta Pois, pranteias sem classe e sonhas com o que ninguém mais se inclina a sonhar e, Esse sou eu.
Mas, de tudo, não lhe tiremos o mérito de tentar, de ousar, Pois todo poeta é um tolo, ousando crer ser possível, através de seus pesares, arrancar suspiros, aplausos e morada em uma distinta biblioteca, mas… Esse não sou eu.