Ítalo Rafael Lima Dourado

Ítalo Rafael Lima Dourado

n. 1996 -- --

De Sobral-CE. Autor de "Úmido ou Episódios Dramáticos de Utilidade" 2020, editoraMWG e "Outras Horas Úmidas" 2022, editoraTomaaíumpoema. Alguém como qualquer outro.

n. 1996-11-22, Sobral

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Condolências

Você está morta minha mãe,
e não há nada que eu possa
fazer, exceto dizer o quanto
errei a respeito de tudo que
pensei, e cheguei a lhe dizer. 

Seus vômitos, suas lágrimas,
sua fragilidade, sua doença.
Minha adolescência, minha
fatalidade foi a impaciência. 
Quantos ingredientes para
formar meu revoltado ódio.   

Você está morta minha mãe,
e não há nada que eu possa
fazer, exceto dizer que ainda
não mudei, e continuo sendo
revoltado e mal-humorado.
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Poemas

7

Órfão

Eu estava de joelhos perto da
cama onde minha mãe 
a morrer,

parecia renascer ou acabar 
com isso que chamam
de vida. 

Levantei-me e não me sentia
mais um filho a não ser
um órfão.

Lembro-me tão bem, 
desde então o momento é o
único reconhecível. 

Apoiei a mão sobre sua testa.
Fiquei até os minutos 
seguintes. 

Eu ia fazer dezoito anos e ela
parecia de dor sofrer, 
suspiros. 

Era o mês dos nossos
nascimentos: Eu, para a vida
e ela para a 
morte.
176

Culpa

Me perdoa. 
Eu não quis machucar nós dois.
A culpa é minha. 
Eu só te feri com estas mãos.
Só restam
dias solitários em nós que doem mais em mim.
Vazio é a única sensação.
163

Como as coisas são

Cresceu um homem em mim. 
Senti até crescer de coração.
Vivo, estava enredado em si. 
Assim era sua aflita condição.

Ele tinha duas crenças: que 
o homem acabara de sofrer 
pelo homem e a verdadeira
felicidade se o tempo permitisse
era suportar incessantemente 
a inutilidade de existir. 

Traçando uma carícia no rosto, 
sem o vício eterno d' fascínio
que deslumbra e esfola, viu a
face inimiga d' apego acinzentado,
de que não havia mais o que perder. 
Ele teve que ser este homem
no espelho se olhando 
e não gosta do que vê.
170

A morte do amor

Choro.
Para não dizer nada.
Para ser ouvido.

Seu corpo 
se prepara, se afasta,
com nossas memórias 
morrendo. 

E neste 
momento, não perece
você, não pareço
ser eu.
180

Ternura

Ainda te vejo tantas vezes
e olhar-te é devolver a
mim mesmo sem que
nunca (mais) possa
ser de fato
meu.

Assim, me impeço e limito
ao mais ínfimo prazer 
como um algemado,
a muito custo, sobreviver,
pela carícia dos olhos 
que amam em segredo e
revelam sem perceber.
176

Reminiscências

Já não somos mais como antes.
Mas ansiamos por tal memória. 
E a vida, sempre nos parece tarde
para resolvermos qualquer história. 

Carregamos no coração, um 
outro, distante e perdido tempo. 
Onde desejamos e perdemos. 
Onde verdades, não ensaiamos. 

De novo rememoro sem este
objetivo de completar a leitura
por achar-me em via tortuosa
de culpa sempre presente.
176

Condolências

Você está morta minha mãe,
e não há nada que eu possa
fazer, exceto dizer o quanto
errei a respeito de tudo que
pensei, e cheguei a lhe dizer. 

Seus vômitos, suas lágrimas,
sua fragilidade, sua doença.
Minha adolescência, minha
fatalidade foi a impaciência. 
Quantos ingredientes para
formar meu revoltado ódio.   

Você está morta minha mãe,
e não há nada que eu possa
fazer, exceto dizer que ainda
não mudei, e continuo sendo
revoltado e mal-humorado.
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