De Sobral-CE. Autor de "Úmido ou Episódios Dramáticos de Utilidade" 2020, editoraMWG e "Outras Horas Úmidas" 2022, editoraTomaaíumpoema. Alguém como qualquer outro.
Você está morta minha mãe, e não há nada que eu possa fazer, exceto dizer o quanto errei a respeito de tudo que pensei, e cheguei a lhe dizer.
Seus vômitos, suas lágrimas, sua fragilidade, sua doença. Minha adolescência, minha fatalidade foi a impaciência. Quantos ingredientes para formar meu revoltado ódio.
Você está morta minha mãe, e não há nada que eu possa fazer, exceto dizer que ainda não mudei, e continuo sendo revoltado e mal-humorado.
Paixão. Quanto a esta doença secreta e fria: Estou completamente curado. Cancro miserável de um mundo que se esvai ao inferno qual expurguei para perpetuo ser tanto quanto eu perturbado e a mil anos de danação marmorizado. Paixão.
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Órfão
Eu estava de joelhos perto da cama onde minha mãe a morrer,
parecia renascer ou acabar com isso que chamam de vida.
Levantei-me e não me sentia mais um filho a não ser um órfão.
Lembro-me tão bem, desde então o momento é o único reconhecível.
Apoiei a mão sobre sua testa. Fiquei até os minutos seguintes.
Eu ia fazer dezoito anos e ela parecia de dor sofrer, suspiros.
Era o mês dos nossos nascimentos: Eu, para a vida e ela para a morte.
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Culpa
Me perdoa. Eu não quis machucar nós dois. A culpa é minha. Eu só te feri com estas mãos. Só restam dias solitários em nós que doem mais em mim. Vazio é a única sensação.
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Como as coisas são
Cresceu um homem em mim. Senti até crescer de coração. Vivo, estava enredado em si. Assim era sua aflita condição.
Ele tinha duas crenças: que o homem acabara de sofrer pelo homem e a verdadeira felicidade se o tempo permitisse era suportar incessantemente a inutilidade de existir.
Traçando uma carícia no rosto, sem o vício eterno d' fascínio que deslumbra e esfola, viu a face inimiga d' apego acinzentado, de que não havia mais o que perder. Ele teve que ser este homem no espelho se olhando e não gosta do que vê.
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A morte do amor
Choro. Para não dizer nada. Para ser ouvido.
Seu corpo se prepara, se afasta, com nossas memórias morrendo.
E neste momento, não perece você, não pareço ser eu.
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Ternura
Ainda te vejo tantas vezes e olhar-te é devolver a mim mesmo sem que nunca (mais) possa ser de fato meu.
Assim, me impeço e limito ao mais ínfimo prazer como um algemado, a muito custo, sobreviver, pela carícia dos olhos que amam em segredo e revelam sem perceber.
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Reminiscências
Já não somos mais como antes. Mas ansiamos por tal memória. E a vida, sempre nos parece tarde para resolvermos qualquer história.
Carregamos no coração, um outro, distante e perdido tempo. Onde desejamos e perdemos. Onde verdades, não ensaiamos.
De novo rememoro sem este objetivo de completar a leitura por achar-me em via tortuosa de culpa sempre presente.
176
Condolências
Você está morta minha mãe, e não há nada que eu possa fazer, exceto dizer o quanto errei a respeito de tudo que pensei, e cheguei a lhe dizer.
Seus vômitos, suas lágrimas, sua fragilidade, sua doença. Minha adolescência, minha fatalidade foi a impaciência. Quantos ingredientes para formar meu revoltado ódio.
Você está morta minha mãe, e não há nada que eu possa fazer, exceto dizer que ainda não mudei, e continuo sendo revoltado e mal-humorado.