Lista de Poemas
Lápis
Apontar um lápis é uma arte
Mas não basta apenas pegar a lâmina
E descuidadamente ir ferindo a madeira
É preciso cuidado e atenção ao esculpir
O grafite aos poucos vai surgindo
Como o grande ator principal
De uma peça que ainda
Precisa ser escrita
Apontar não se faz com pressa
Às vezes gasta-se vários minutos
Pode-se meditar enquanto
Vai desnudando o grafite
Mas não o afine demais
A ponta precisa ficar macia
E ao deitá-lo sobre a página branca
Faça-o com graça e sutileza
Não imprima força desnecessária
Para tocar o papel e despejar ali
Não só conjunto de letras ou desenhos
Mas sonhos e fantasias
Em sombras de nostalgia
#daalmaparaaescrita
Mitos
Noite de lua cheia...
Figuras femininas
Despem-se diante da luz mágica
Que as embebedam de sensualidade
O uivo alcança o tom mais alto
E a dança convida ao acasalamento
Noite de lua cheia...
Mulher transformada em loba
Na caçada que domina a noite
Cheiro aguçado, desejo revelado
Noite de lua cheia...
Da boca que devora a carne
Na satisfação do corpo
Na dominação do outro
Noite de lua cheia...
#daalmaparaaescrita
Almas
Em algum lugar você está
O sorriso leve
O olhar sincero
O toque nos momentos de
Intensa atividade
As palavras que não precisavam ser ditas
O aconchego a segurança
A certeza de que seria eterno
Não me sobrou mais nada
Apenas um coração oco
Vazio de sentimentos
Perdida me encontro
Sozinha na multidão
Não há ninguém capaz
De me acalentar
apenas com um olhar
Cada rosto que a mim chega
Não consegue preencher
O abismo formado
Sinto nossas mãos no último toque
Vejo a fina linha que nos prendia
Dissolvendo-se no ar
Aos poucos vou me esquecendo
Do teu belo rosto e me desespero
Quando o vento sopra imagino
Você sussurrando ao meu ouvido
A poesia que me presenteava
A cada manhã com palavras
Que tornavam-se melodia
E que iluminava cada segundo
Do meu longo dia
Hoje a poesia me acompanha
E tento em vão colocar em palavras
A saudade que me devora
Na tentativa infeliz de amenizar
A dor da ausência e a certeza
De que longa será a jornada
Até nosso reencontro
Nada que digo ou faça
Tem qualquer importância
Porque nada nem ninguém
Ocupará o lugar que você
Com sua doçura, inteligência
Amor descomplicado
Soube tão bem conquistar
Caminho tão somente por caminhar
Consciente que você está feliz
E assim como eu aguarda pacientemente
O momento certo de nos reencontrar
Mas a saudade, às vezes, bate sem dó
Amor da minha vida...De tantas vidas!
#daalmaparaaescrita
Vida que segue
A vida vai me levando por encostas ou ruelas
Lugares claros e , às vezes, escuros
As passadas largas nas horas despreocupadas
O caminhar lento no momento de dor e sofrimento
A vida com seus símbolos e significados
Vai me deixando migalhas de pão por onde passo
Com a certeza que se não acerto o passo
Perco o tempo e o compasso da minha história
No lumiar do dia ou sob a abóbada celeste
Vou contanto em versos
O que os olhos printaram na alma
Já não corro apenas caminho
Já não falo, sussurro
Nesse vagar inconstante e incerto
Sou ave que voa livre nas asas do vento
No coração o calor
Na alma conhecimento
#daalmaparaaescrita
Nudez
Esse corpo que revela não a sua nudez
Mas a nudez da sua alma
A não certeza da sombra que o recobre
O mistério que o abraça com gratidão
E se dissolve desmanchando-se no ar
Embalado pela melodia de vozes antigas
Que recitam histórias, revelam memórias
Esse corpo que se abriga na sombra
E se protege de olhos cegos
Que não o conseguem ver
A luz escorre por cada poro
E vai desenhando contornos
Suas pinceladas deixam rastros
Da pureza adormecida e intocada
Ao deslizar pela pele
Escolhe o que deve tocar
Nesse corpo sem rosto
A luz alia-se a sombra
Permitindo que só os olhos da alma
Sejam capazes do corpo enxergar
#daalmaparaaescrita
Caminho
E ainda que não consiga desvencilhar-me
Dos espinhos que ora ou outra
Arranham minhas enfadadas esperanças
Vou seguindo o que
Por algum tempo
lutei e resisti
Mas que agora
abraça-me
com carinho
Não chamo destino
Chamo caminho
#daalmaparaaescrita
Bom mesmo
E nesse tecer de pontos
Vamos descobrindo o verso e o anverso
de sentir-se palavras ora grafadas
Ora pensadas, ora soltas no tempo
E com apenas um sopro
Levadas para longe pelo vento.
Bom mesmo é achar que tudo vale a pena
E se a alma for pequena
Pequena também será a viagem...
Bom mesmo é sentir...Resistir...Incutir...
E acima ou apesar de tudo SORRIR!
Será?
Será que o céu vai estar tão azul que vai meus olhos ofuscar?
Será que terei como primeiro pensamento a lembrança
De algo que me fará sorrir e desejar?
Será que despertarei daquele sonho cheio de realidade fantasiosa?
Será que amanhã meu dia trará com ele o perfume da rosa rubra
Encharcada de essência e liquidez amorosa?
Será? ...Será? ...Será? ...Será?...
Será que amanhã meu caminho tão cheio de espinhos
Me levará para outros trilhos, para novos caminhos?
Será que amanhã minhas perguntas mal feitas
Encontrarão ao longo do dia as respostas perfeitas?
Será que amanhã o grande Júpiter vai minhas energias
Tão escassas enfim recarregar?
Quanta idiotice verbalizada
Quantas palavras desorganizadas
Quanto verbo preguiçoso
Mas, será que eu em algum momento
Dessa minha existência infinita
Encontrarei respostas ou farei perguntas
Que de alguma forma me alivie essa
Intensa necessidade de saber?
Melhor entrar na imensidão do sono
Sem perguntas a fazer
Sem desejos ou fantasias
Enquanto o corpo adormecer
Minha alma irá ao encontro
De tudo que vale a pena saber
Amanhã... Bom, amanhã é amanhã...
Resta-me apenas os olhos cerrar e a voz emudecer
Para depois despertar em um novo alvorecer.
A arte de se encantar
Manhã de primavera com cara de outono
O sol disputando a beleza com o céu azul
O vento trazendo com ele pequenos vislumbres
De história a ser contada, cantada, manifestada
Sentar à mesa junto ao bule de café
Café preto, colhido, torrado e moído
Rodeada de amigos novos e antigos
Abrir os olhos e os ouvidos
E permitir que memórias venham nos encantar
Nesta escuta destituída de interferências
Que nos leva a viajar nessas lembranças
Recheadas de personagens que viraram história
Que se materializaram no barro modelado
Nas mãos que dançam no ar como se o movimento
Fizessem essas lembranças bailar
O perfume do mato, o galo que chegou tarde
Mas ainda acha que vale a pena cantar
Essa simplicidade tão cheia de verdade
Esse encontro de riquezas que não tem
Moedas que possam esse instante pagar
A indescritível arte de se encantar
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