Janio Lima

Janio Lima

Um garotinho sentado no silêncio inicial da vida Brincando com as cigarras cantantes do final de tarde Catando frutinhas sobre o capim esverdeado. Sorrindo às vezes com as firulas dos saguins nas árvores.

n. , Aracaju-SE

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Hermenêutica do outro

Enquanto eles gritam
rezam
choram
adormecem
imploram o perdão
comungam o erro, a traição
matam sem saber porque, se matam
enquanto eles traem seus próprios corações
enquanto procriam
mentem
sabotam
corrompem
distorcem o plano
meditam, consomem, somem
enquanto acreditam.
Eu calo!
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Poemas

2

Um horizonte próximo

Sim eu consigo enxergar,
Está se aproximando cada vez mais
Estou quase lá, vejam só como é grande a extensão da conquista.
Não é preciso fechar as portas, nem apagar as luzes novamente,
O vento carrega as incertezas e as impurezas da vida.
Também não é preciso chorar mais vezes
Nem ouvir as canções pesadas, as antigas bandas de rock se foram
Você está ai a um passo do esquecimento, um dilúvio quase te afunda
Uma tempestade de solidão quase te leva, você é forte, você foi forte
Aquela mulher não te ama mais, você foi forte...
Você está quase lá. Olhe adiante. O que vê? Consegue vê a multidão
Se desmanchando, os soldados foram embora, a forca continua lá,
Mas você está caminhando para além dela, você está quase lá.
Essa é a tua última chance, talvez aja alguém te esperando
Você precisa caminhar mais rápido.
Está quase lá, está cada vez mais próximo.
Sorria agora, é preciso deixar uma brecha.
É preciso sentir algo diferente
É preciso está atento, portas como essa só se abrem uma única vez.
Está quase chegando, percebe o som estremecido de cada passada?
Esqueça a forca, as lágrimas, esqueça a multidão siga adiante
E atravesse a porta. O que há lá? Não pergunta entra.


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Eu distante

Ando distante de mim e da vida.
Carrego uma essência pesada,
Um verdadeiro pudor a tudo que se molda social.
A verdade dos homens é um redemoinho de coisa alguma,
As minhas próprias verdades nunca dizem nada.
Essa atmosfera emporcalhada me repele
Só a um verbo ao qual ainda me apego: fugir.
Minha vontade, minhas dores, minhas miudezas saudosistas
Requerem uma reavaliação, pois sou eu mesmo feito dessa
Nostalgia aqui calada no peito frio e asqueroso.
Sentimental poucas vezes fui, sentimentos mastigados
Muitas vezes engoli. Eis, pois a velha arte de não se encontrar.
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