Lista de Poemas
Hermenêutica do outro
rezam
choram
adormecem
imploram o perdão
comungam o erro, a traição
matam sem saber porque, se matam
enquanto eles traem seus próprios corações
enquanto procriam
mentem
sabotam
corrompem
distorcem o plano
meditam, consomem, somem
enquanto acreditam.
Eu calo!
Carta a uma bela alma
Olá!
A tua doce presença me ilumina, tu es um farol? Sim tu es um farol iluminando meus pensamentos. O que vê? Me diz se tu consegues enxergar algo além de inocência, pura inocência de uma criança presa ao tempo do querer sem ver, do sonhar sem fim. Escrevo-te para enterrar o silêncio entre nós. As tuas armadilhas me capturaram não é competição, mas gosto de saber que você venceu. E como já disse a maré esta virando e isso me parece bom, portanto deixa o teu pensar habitar em mim, deixa pelo menos o teu sentir mergulhar nessa maré de águas calmas e por palavras viajar até esbarrar no tempo construído para o encontro interminável. Vejo-te por versos, versos cheios de vida e me seguro apertado de sofrer como um ser humano jamais sofre, parece-me o tempo ideal para uma ilusão amorosa, esse tempo de dialogo zero e corações libertos, estou a embarcar nessa enrascada prazerosa do sentir, porque agora consigo sentir. Um dia encontraremos um ao outro e enquanto esse dia não chegar sufocarei as dores da ausência sob juramento da paciência e na sabedoria de sempre estarei ao seu lado decifrando sentimentos e ressuscitando o verbo acontecer.
Do teu mais assíduo admirador
Poeta das montanhas
Carta a um inquieto
Sábado, 26 de setembro de 2015
Meu velho,
Existe um caminho ao longe que poderia te levar ao paraíso dos campos férteis. Esse caminho poderia torna-lo menos triste, menos desatento para o viver a vida, menos indiferente. Veja, essa é uma geração de pervertidos e quando falo pervertido não estou a falar só na perversão do sexo em si, mas na perversão a tecnologia, ao dinheiro, ao insano e miserável, você é um estranho entre todos esses pervertidos, eu sei. Me falaste de amor alguma vez? Não carrego em minhas lembranças se quer uma unica menção tua aos sentimentos humanos mais intensos. Falas muito pouco, o teu silêncio é um deus dentro de ti e esse deus construiu paredes resistentes e dessa resistência nasceu o congelamento para a vida, para tua vida cinzaescurecida, para o vegetar dos sentimentos estranhos. Onde estão tuas lembranças agora? Porque não me contas das tuas magoas passadas, sei do teu sentir latente, sei das tuas fraquezas que habitam as entranhas do teu lapidar o tempo inconscientemente. Revela-me as tuas dores, liberta por definitivo essas amarras falsas de um existir sem fundamento. Permita-me alcançar as tuas náuseas diárias e sentir o teu sentir para poder compreende-lo sem imaginar o que eu não posso imaginar. Sabe? Vejo-te como um ser intocável, não intocável no sentido de palpável, mas intocável no sentido de alcançar desde teu sentimento mais brando ao mais escuro, adentrar a tua cabeça e conhece-lo sem meio termo seria pra mim um privilegio. A tua face me agrada, ela disfarça um sofrimento de muitos anos, ela é pesada como o passado, na verdade ela carrega um passado mal compreendido é isso que sinto, desculpe-me se estou sendo inconveniente aos teus hábitos, mas penso que me deste liberdade de falar tudo depois que trocamos algumas palavras, confesso que não teria coragem de falar tudo isso pessoalmente, porque como é de costuma você encontraria um jeito de terminar o mais rápido a conversa para poder se desfazer de minhas bobagens. Essa acabou sendo a unica maneira de falar o que penso de ti. Es resistente porque luta contra um inimigo que nunca mostrara a cara. Se esconder do mundo talvez não seja a melhor maneira de vencer as angustias, esquecer o outro não passa de desculpas para não firmar sentimentos incompatíveis a sua forma de existir. Considero-te como a nenhum outro ser na face da terra, mas por favor a indiferença para com o outro é desleal. Peço-te meu velho algo mais em prol da nossa amizade: não me esqueça amanhã.
de todo meu coração
Poeta das montanhas
Meia-a-meio
Uma
Coisa
É
Certa
Temos
Um
Interesse
Em
Comum
Logo
Nada
Temos
A
Perder
Vamos
Em
Frente
Ao
Invés
De
Brigarmos.
Porque
Não
Nós
Amamos?
Inspiração
No caminho para o trabalho
na madrugada quando o sono não bate na porta
no banheiro quando o chuveiro chove
em qualquer lugar quando a mente ligeiramente se distrai
essa é a rotina do pescador de palavras.
A inspiração começa percorrendo tímidas linhas
Foge do nada
E em algum lugar inesperado ela aparece
E se torna magistralmente bem vinda.
No ritmo da palavra certa
Seguindo o som aberto das metáforas ocasionais.
A poeira da imaginação vai te levando
Te levando até o limite dos pensamentos
Tornarem-se fetos e ganharem vida.
A grande gravidez do poeta.
Carrega por alguns meses a inspiração viva
Os sentimentos e os resguardos de viver
E a necessidade de parir, a dor do parto
Faz-se em qualquer lugar, inesperadamente.
Então, eis ai o nascimento.
Eis a dor
Eis a cria.
Um pouco mais de fôlego
Ando meio fora de foco
Se pelo menos entendessem
Minha necessidade de tempo.
Deem-me tempo pra pensar
Minhas lembranças apagam-se
Aos poucos.
Prometo que voltarei a habitar-me
Prometo abraçar o arrependimento
E chorar em uma tarde fria de inverno.
Prometo estar aqui antes do próximo
Entardecer, antes mesmo de mim.
Prometo, mas
dei-me tempo...
Por um instante de paz
As ruas gritam depressivas
De nada servem os sinais ao meio dia
Todos querem ir e voltar rapidamente.
Um jovem em sua motocicleta espatifa-se
Um grito maior
Ecoa no peito de um pai
Que perde
Que chora
Que ora
A dor escorre em
Saudades de uma vida
Em inicio de construção.
Levante
Um dia acordaremos
E depois do sono profundo a realidade se fará outra.
Um dia os primeiros raios de luz ofuscarão em seus olhos
As gotas de orvalho de uma manhã doce escorrerão entre
Seus dedos dos pés. Você vai olhar para frente e seguir
Em direção ao oriente e lá poderá gritar de calafrio.
Um dia você vai acordar e do nada vai abrir a janela
E assistir a grande marcha para o oriente. Estenderá
Sua visão para 10 mil quilômetros à frente e atrás
E não verá nada além de pés marchando, uma grande
Marcha, e então ouvirão sussurros e gestos marchando
Para o oriente.
No meio do caminho a chuva cairá fina e lentamente sob as cabeças
E fará poças rasas onde se sujarão os meninos pobre
De cada nação. O que era disperso vai se tonando solido.
Não a motivo para se cantar apenas uma vez, gritar apenas um grito,
Dançar apenas um coro, insultar apenas um canalha vamos em frente
Marchando até o oriente que lá o levante se fará constate.
Um dia acordaremos completamente
A luz de uma ideia distante iluminará nossa mente
O sol aquecerá nossas vertentes e toda cidade cantara o hino
Feito para o planeta inteiro, para todos, cantara em coro
O hino da liberdade, o hino do levante, o hino a caminho do oriente.
E todos marcharão contente para o esplendor de uma conquista pós outra.
E então derrubaremos as velhas formas de domínio
Os velhos medos,
Os velhos gritos de guerra,
As velhas lutas que se fizeram inútil ao longo dos anos,
A velha sede insaciável.
Desvendaremos um novo jeito de bradar
Daí se levantará todos àqueles que dormiram além da conta.
O oriente despertara se todos marcham
Marchem para o oriente!
Marchem para o oriente !
Toda tristeza
Estou triste porque este será meu último século
Estou triste pelos objetivos mal conquistados
Estou triste porque a história não condiz aos fatos
Estou triste porque o verbo amar se tornou insustentável
Estou triste porque nunca chorei quando foi necessário,
Nunca se quer despejei uma lágrima sem importância.
Estou triste pelo fim de uma geração e revoada de outra
Indiscreta, mal sabedora das vertentes giratórias em nós.
Estou triste por ter certeza que meu pai foi e continua sendo
Um herói e nunca juntei coragem suficiente para lhe dar um abraço.
Estou triste pelas nascentes que morrem, pelas arvores que caem
Estou triste pela formiga que trabalha sem cessar
Estou triste pela joaninha que caiu depois de quebrar as asas e atrasou seu voo.
Triste pelas vidas que não se firmaram
Triste pela cor cinza do seu desespero
Triste pelo mendigo que tem nas mãos a liberdade e não sabe usar
Triste pelo pedaço de pão jogado no asfalto
Triste por aqueles que só sabem atirar pedras e por aqueles que
Não sabem o valor de uma vida, seja ela qual for.
Estou triste porque ninguém nunca me encontrou
Estou triste por ser triste
Estou triste porque poeta que sou envaideço-me com nada
Estou triste pelo findar de cada momento transformado em passado
A tristeza me corresponde fielmente
Um semipoeta da solidão mochileira
Um poeta que ouve as montanhas
E sente o peso de cada rejeição.
Estou triste porque nunca soube ser diferente.
Estou triste porque ser triste é ser diferente.
Os prantos de uma vida à toa
Não, homens não choram!
Mas quantas vezes já chorei na imensidão escura do meu ser
Nas horas livres de investigação da alma;
Na fatia triste de algumas canções de Pink Floyd;
Como não chorar com “wish you were here”
Nas próprias cenas acidas do filme “O império do sol” onde o valente
Garotinho com seu kadilac prata caçando a porteira de sua gaiola.
E como o valente garotinho do filme aprendo uma nova palavra todo dia
Ponho-as em práticas e sufoco a mim mesmo
Aprendo a sonhar desaprendendo a viver
Sou ilustrador do tempo incomum,
incabível em mim mesmo corro todos os dias para o ponto de partida
o tiro não soa, então retorno ao santuário dos sonhadores.
Um dia era manhã ensolarada um passarinho apossou-se de mim,
Mas não era nada, avisou-me que para possuir asas
era preciso saber equilibrar-se nas alturas do mundo.
Um dia eu chorei, era noite de lua um cisco estelar entrou em meus olhos
Eu todo alumbrado naveguei em prantos.
O imaginário transgredindo alavancando as horas, trabalhando sem cessar
O mundo a dois passos da destruição e um homem não pode chorar.
Um pedaço de mim ainda é pranto o outro é solidão
Dos espaços que ainda não construir.
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