Lista de Poemas
Agenda poética
Tomar café as sete para começar a tecer o dia.
As oito de bicicleta até a biblioteca municipal multiplicar saberes
Dez e meia ainda na biblioteca lendo Thoreau e imaginando Pessoa
As onze e meia fazer o almoço enquanto Pink Floyd toca a meia altura
Uma hora depois de almoçar apreciar um delicioso vinho, o mais barato
Como de costume aqueles com gosto de simplicidade.
14h tentar escrever um poema vulgar e melancólico ou
um poema solidão depois de chorar meia dúzia de palavras enxutas
As 16h 30min estender no varal o poema pronto para quarar
18h comprar o pão quentinho
19h 30min esquentar a água para o mate de Saché, não sou do sul mas gostaria de o ser.
21h ler o poema do livro de cabeceira dos versos que me enobrecem 'meu amanhecer vai ser de
noite'
22h continuar a ler o mesmo livro 'no fim de tarde, nossa mãe aparecia nos fundos do quintal: Meus
filhos, o dia já envelheceu, entrem pra dentro'
23h Saborear outro delicioso vinho enquanto todos dormem tranquilhamente
00h assistir algum programa na TV ate o tedio começar a nascer e se estabelecer
2h fechar os olhos para sonhar com o tempo em que a vida seja tão mais
Intensa quanto os versos de Ilíada.
A voz do silêncio
Um dia vamos sentar e conversar
Mas hoje quero apenas silêncio.
Sinto necessidade de mais vazio
Você nunca sentiu essa vontade gritante de silêncio?
Acho que você não conhece a língua do silêncio.
Fazer com que as coisas sumam,
O tempo pare repentinamente
Diante dos seus pensamentos vagos.
O medo vai embora
O peito largo acomoda bem o vazio.
A solidão é como um amanhecer neblinado
Em que a frieza do pensar te conduz para bem longe
Para distante de tudo que te reduz.
Neste momento só o silêncio me constrói.
Aos poucos
Vou dizendo aos poucos.
porque tudo se faz aos poucos
com cada coisa em seu lugar
posso ser alguém descrevendo-me
posso ser outro alguém vivendo-me
posso ser mais ou menos
posso ser mais
posso ser menos
vou dizendo aos poucos.
Eu distante
Carrego uma essência pesada,
Um verdadeiro pudor a tudo que se molda social.
A verdade dos homens é um redemoinho de coisa alguma,
As minhas próprias verdades nunca dizem nada.
Essa atmosfera emporcalhada me repele
Só a um verbo ao qual ainda me apego: fugir.
Minha vontade, minhas dores, minhas miudezas saudosistas
Requerem uma reavaliação, pois sou eu mesmo feito dessa
Nostalgia aqui calada no peito frio e asqueroso.
Sentimental poucas vezes fui, sentimentos mastigados
Muitas vezes engoli. Eis, pois a velha arte de não se encontrar.
Um horizonte próximo
Está se aproximando cada vez mais
Estou quase lá, vejam só como é grande a extensão da conquista.
Não é preciso fechar as portas, nem apagar as luzes novamente,
O vento carrega as incertezas e as impurezas da vida.
Também não é preciso chorar mais vezes
Nem ouvir as canções pesadas, as antigas bandas de rock se foram
Você está ai a um passo do esquecimento, um dilúvio quase te afunda
Uma tempestade de solidão quase te leva, você é forte, você foi forte
Aquela mulher não te ama mais, você foi forte...
Você está quase lá. Olhe adiante. O que vê? Consegue vê a multidão
Se desmanchando, os soldados foram embora, a forca continua lá,
Mas você está caminhando para além dela, você está quase lá.
Essa é a tua última chance, talvez aja alguém te esperando
Você precisa caminhar mais rápido.
Está quase lá, está cada vez mais próximo.
Sorria agora, é preciso deixar uma brecha.
É preciso sentir algo diferente
É preciso está atento, portas como essa só se abrem uma única vez.
Está quase chegando, percebe o som estremecido de cada passada?
Esqueça a forca, as lágrimas, esqueça a multidão siga adiante
E atravesse a porta. O que há lá? Não pergunta entra.
Amor fingido
Ela finge está bem ao meu lado
Sei que é balela, ela finge mal
Seus olhos não brilham e a satisfação de uma mulher
Apaixonada não é transmitida em seus gestos.
Talvez eu esteja observando além das minhas próprias
Imaginações de poeta sem noção.
Ela me conta isso e aquilo
Eu calado estou sempre a ouvir, o silêncio diz tudo
O silêncio é porta voz
Soa bem mais forte que qualquer palavra inverossímil.
Ela fala eu escuto
Meu silêncio pergunta, ela não responde
Vejo um abismo de arrependimento logo à frente
Sinto um falso romantismo me rodear
E lamento por está vivendo um romance
a 100 milhas de distância.
Estou cansado,
Vou atrás dos sentimentos que me procuram
Cansei de oferecer tudo e receber nada.
Danem-se as ponderações do amor,
procuro apenas ser compreendido.
Sou o que sou se não pode me amar
afaste-se de mim, seu fingimento é como o fogo
a me queimar. Se não consegue retribuir o carinho
que te dou tudo bem, mas deixe de ser fingida
e deixe-me a sós, prefiro o silêncio e a solidão
ante a seu amor sem carinho, sem respeito ao
sentimentos dos outros, sem responsabilidade.
Afasta-se por favor,
Afasta-se, não sou homem de adulação.
Um mendigo sem sapato
E o dono do sapato deve de está
Por ai à toa, a vida acolhe os homens à toa,
Deitado na calçada coberto por um jornal
E de pensar que ele próprio já leu o jornal
Sentado na varanda em sua cadeira especial.
O homem trôpego sem um sapato e sem
Nenhum destino, homem sombra. O sol
Nasce, mas ele prefere à noite crua em sua lua
Desvanecida sob o relento infinito.
A beira de um abismo existencial estende a mão
Ao primeiro que passa e não recebe nem se quer
Um olhar humano, um olhar de bicho para bicho,
Outra mão não alcança a sua nessa extrema distância
Entre almas desconexas com a realidade.
O sinal pode ser uma esperança, mas os vidros
Estão todos fechados, o sinal trabalha rápido
E os ônibus estão vazios.
Vidas e mais vidas em movimento aleatório,
Vidas e mais vidas andam retos sem expressão,
Vidas esquecendo vidas enquanto os sinais abrem
E fecham destruindo esperança e alongando a
Distância entre os seres humanos. Um sapato ficou
Para traz e mais adiante seu dono não é melhor.
Monotonia
Daqui a pouco também o pão estará pronto,
E o café estará cheirando,
A mesa preparada para o jantar.
Daqui a pouco estará chegando à hora de dormir.
As luzes se apagarão,
Mas a solidão não se apagará
A solidão nunca se apaga.
O coração continuará vazio e sombrio.
As mãos continuarão a bailar no ar
A procura do que tocar.
As mãos vazias do desejo.
Daqui a pouco fará frio
Daqui a pouco o vento soprará forte
Tão forte quanto o desejo de desaparecer dessa vida
Monótona que se estende em mim.
Um amor tão firme quanto prego na areia
Ele louco de saudades dela, não via à hora de reencontrá-la
E finalmente quando houve uma brecha entre o trabalho e a faculdade
Resolveu ligar pra ela para marcar de se encontrarem.
-Oi! Liguei só para saber se posso ir até ai te ver?
-Não, não precisa. Bjs!
Comentários (0)
NoComments