Janio Lima

Janio Lima

Um garotinho sentado no silêncio inicial da vida Brincando com as cigarras cantantes do final de tarde Catando frutinhas sobre o capim esverdeado. Sorrindo às vezes com as firulas dos saguins nas árvores.

n. , Aracaju-SE

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Hermenêutica do outro

Enquanto eles gritam
rezam
choram
adormecem
imploram o perdão
comungam o erro, a traição
matam sem saber porque, se matam
enquanto eles traem seus próprios corações
enquanto procriam
mentem
sabotam
corrompem
distorcem o plano
meditam, consomem, somem
enquanto acreditam.
Eu calo!
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Poemas

23

A vida

Comendo as horas
esquecendo pensamentos;
refazendo caminhos;
pisando em espinhos;
naufragando sonhos;
revivendo tudo;
soltando lágrimas fingidas;
apressando a vida,
essa vida sem pressa
vida de quem ama e sofre.
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Dor na alma

Não é o peito nem o coração que dói
São os sentimentos doloridos que calejam minha alma.
A alma lateja uma dor incurável e não consegue suspirar
Diante de tanta nostalgia. Eis o preço da distância, da separação
E da liberdade impulsiva.

A dor escura que habita um lado inteiro sem descanso
A dor certeira que fura o alvo num instante,
A dor congênita freando o duelo entre razão e loucura.
Foram-se ávidas muitas soluções, restaram apenas
Resquícios de ideias rasas, ocas, vazias. Não existe solução.

A dor bate e se espalha é como as águas de uma cachoeira
Despencando no riacho expansivo.
Não, não é o peito nem o coração que dói
É a ferida da alma ardendo em chamas
De reviver e remoer coisas passadas,
De andar em campos de guerra, de andar
Sobre os trilhos feitos trem desgovernado,
De subir em uma jangada sem equilíbrio.
O peito não dói, nem o coração.
É a ilusão de querer o impossível que
Afeta a alma frágil.
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A espera

Ascendam-me um
charuto estou
a beira da loucura
provisória, quero distanciar-me
dos sustos malévolos de ideias
insanas que consomem minhas
vontades.

Ascendam-me um charuto
coloquem o vinho sobre a mesa
e saiam. O resto é comigo.
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