Janio Lima

Janio Lima

Um garotinho sentado no silêncio inicial da vida Brincando com as cigarras cantantes do final de tarde Catando frutinhas sobre o capim esverdeado. Sorrindo às vezes com as firulas dos saguins nas árvores.

n. , Aracaju-SE

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Hermenêutica do outro

Enquanto eles gritam
rezam
choram
adormecem
imploram o perdão
comungam o erro, a traição
matam sem saber porque, se matam
enquanto eles traem seus próprios corações
enquanto procriam
mentem
sabotam
corrompem
distorcem o plano
meditam, consomem, somem
enquanto acreditam.
Eu calo!
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Poemas

23

Amor fingido

Ela diz me querer
Ela finge está bem ao meu lado
Sei que é balela, ela finge mal
Seus olhos não brilham e a satisfação de uma mulher
Apaixonada não é transmitida em seus gestos.
Talvez eu esteja observando além das minhas próprias
Imaginações de poeta sem noção.
Ela me conta isso e aquilo
Eu calado estou sempre a ouvir, o silêncio diz tudo
O silêncio é porta voz
Soa bem mais forte que qualquer palavra inverossímil.
Ela fala eu escuto
Meu silêncio pergunta, ela não responde
Vejo um abismo de arrependimento logo à frente
Sinto um falso romantismo me rodear
E lamento por está vivendo um romance
a 100 milhas de distância.
Estou cansado,
Vou atrás dos sentimentos que me procuram
Cansei de oferecer tudo e receber nada.
Danem-se as ponderações do amor,
procuro apenas ser compreendido.
Sou o que sou se não pode me amar
afaste-se de mim, seu fingimento é como o fogo
a me queimar. Se não consegue retribuir o carinho
que te dou tudo bem, mas deixe de ser fingida
e deixe-me a sós, prefiro o silêncio e a solidão
ante a seu amor sem carinho, sem respeito ao
sentimentos dos outros, sem responsabilidade.
Afasta-se por favor,
Afasta-se, não sou homem de adulação.

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Dor na alma

Não é o peito nem o coração que dói
São os sentimentos doloridos que calejam minha alma.
A alma lateja uma dor incurável e não consegue suspirar
Diante de tanta nostalgia. Eis o preço da distância, da separação
E da liberdade impulsiva.

A dor escura que habita um lado inteiro sem descanso
A dor certeira que fura o alvo num instante,
A dor congênita freando o duelo entre razão e loucura.
Foram-se ávidas muitas soluções, restaram apenas
Resquícios de ideias rasas, ocas, vazias. Não existe solução.

A dor bate e se espalha é como as águas de uma cachoeira
Despencando no riacho expansivo.
Não, não é o peito nem o coração que dói
É a ferida da alma ardendo em chamas
De reviver e remoer coisas passadas,
De andar em campos de guerra, de andar
Sobre os trilhos feitos trem desgovernado,
De subir em uma jangada sem equilíbrio.
O peito não dói, nem o coração.
É a ilusão de querer o impossível que
Afeta a alma frágil.
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A espera

Ascendam-me um
charuto estou
a beira da loucura
provisória, quero distanciar-me
dos sustos malévolos de ideias
insanas que consomem minhas
vontades.

Ascendam-me um charuto
coloquem o vinho sobre a mesa
e saiam. O resto é comigo.
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