Janio Lima

Janio Lima

Um garotinho sentado no silêncio inicial da vida Brincando com as cigarras cantantes do final de tarde Catando frutinhas sobre o capim esverdeado. Sorrindo às vezes com as firulas dos saguins nas árvores.

n. , Aracaju-SE

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Hermenêutica do outro

Enquanto eles gritam
rezam
choram
adormecem
imploram o perdão
comungam o erro, a traição
matam sem saber porque, se matam
enquanto eles traem seus próprios corações
enquanto procriam
mentem
sabotam
corrompem
distorcem o plano
meditam, consomem, somem
enquanto acreditam.
Eu calo!
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Poemas

23

A espera

Ascendam-me um
charuto estou
a beira da loucura
provisória, quero distanciar-me
dos sustos malévolos de ideias
insanas que consomem minhas
vontades.

Ascendam-me um charuto
coloquem o vinho sobre a mesa
e saiam. O resto é comigo.
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Monotonia

Daqui a pouco vai chover,
Daqui a pouco também o pão estará pronto,
E o café estará cheirando,
A mesa preparada para o jantar.

Daqui a pouco estará chegando à hora de dormir.
As luzes se apagarão,
Mas a solidão não se apagará
A solidão nunca se apaga.
O coração continuará vazio e sombrio.
As mãos continuarão a bailar no ar
A procura do que tocar.
As mãos vazias do desejo.

Daqui a pouco fará frio
Daqui a pouco o vento soprará forte
Tão forte quanto o desejo de desaparecer dessa vida
Monótona que se estende em mim.
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Ópera

É um drama complexo e indefinível
A vida de um homem que leva no peito
Um amor que está perto e distante.

Essa dança de ver e não ver inaudível
O instante de riso no coração estreito
Essa vida de dois infratores amantes.

Vejo-te como o céu tão distante

Quero-te agora, aqui, neste instante.


limajanio.blogspot.com
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