Janio Lima

Janio Lima

Um garotinho sentado no silêncio inicial da vida Brincando com as cigarras cantantes do final de tarde Catando frutinhas sobre o capim esverdeado. Sorrindo às vezes com as firulas dos saguins nas árvores.

n. , Aracaju-SE

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Hermenêutica do outro

Enquanto eles gritam
rezam
choram
adormecem
imploram o perdão
comungam o erro, a traição
matam sem saber porque, se matam
enquanto eles traem seus próprios corações
enquanto procriam
mentem
sabotam
corrompem
distorcem o plano
meditam, consomem, somem
enquanto acreditam.
Eu calo!
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Poemas

12

A voz do silêncio

Um dia vamos sentar e conversar

Mas hoje quero apenas silêncio.

Sinto necessidade de mais vazio

Você nunca sentiu essa vontade gritante de silêncio?

Acho que você não conhece a língua do silêncio.

Fazer com que as coisas sumam,

O tempo pare repentinamente

Diante dos seus pensamentos vagos.

O medo vai embora

O peito largo acomoda bem o vazio.

A solidão é como um amanhecer neblinado

Em que a frieza do pensar te conduz para bem longe

Para distante de tudo que te reduz.

Neste momento só o silêncio me constrói.

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Um pouco mais de fôlego

Ando meio fora de foco

Se pelo menos entendessem

Minha necessidade de tempo.

Deem-me tempo pra pensar

Minhas lembranças apagam-se

Aos poucos.

Prometo que voltarei a habitar-me

Prometo abraçar o arrependimento

E chorar em uma tarde fria de inverno.

Prometo estar aqui antes do próximo

Entardecer, antes mesmo de mim.

Prometo, mas



dei-me tempo...

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