João de Castro Sampaio

João de Castro Sampaio

n. 2000 BR BR

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n. 2000-09-26, Ouro Preto

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castanheira

quando eu tinha seis anos me disseram
que uma vez, quando eu morresse
talvez eu voltaria em algum outro corpo
então eu fiquei desesperado
com a simples ideia
de passar a eternidade
contemplando a minha própria existência
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Poemas

5

Morte e vida não se explica

Morte e vida nunca escolhi
Me deram três dias, mas vivi
Três décadas de morte
Tinha na vida alguma e pouca sorte

Morte e vida me disseram
Meu triste fim não mais esperam
Quem me mata a vida diz
Ressucita-me, porque a morte não condiz

Morte e vida não me aconteceu
Mas se largo tudo para viver
Passa logo, logo morro, penso eu

Morte! Logo chega, e vejo minha linda
Vida! Vai passando, e choro porque sei
Que a minha hora não chegou ainda

260

Nas chuvas de abril

Em verdade agora direi 
Em versos maldosos
Contarei meus remorsos
De dias além

O passado? Enganei
Para trás, foste embora
Embora eu diga que outrora
Sinto saudades também

Pergunto para que sonhar
Se tudo que estou a ver
Em minha alma há de esvaecer
Findado em triste devaneio

Respondo que tudo vai acabar:
Nas chuvas tristes de abril;
Em teu peito quieto e febril;
Nos alvos campos de centeio

Ledo engano meu
Ora, que futuro espero?
Um curto e cheio de esmero
Eis,vida, meu clamor!

Dirão que sozinho morreu!
Encontrarão contigo penúrias:
As tristezas, amores, fúrias
E intrinsecamente a dor!
284

Memórias de um jovem boêmio

Céus! Não sei se sou capaz
De cantar agonias severas
Para as mais belas megeras
Que a vida boêmia me traz

Deixai-me, ó fogo incessante
E leve contigo o calor
Da quieta chama do pudor
Não sou mais um néscio amante

Amar? Para que, se hei de sofrer
E ser tragado, no fim, pela pujança
De sonhar?! Talvez, acordar com esperança
De novamente um dia viver

Vou largar aquele passado
De noites em boemia
Pálido da embriaguez doentia
Doente do calor de ser amado

Os prazeres que a vida me traz
Vou largar nessas sujas ruelas
Acontece que essas putas megeras
Não me deixam em paz
289

Haikai I

                                   Não sabe falar
                                                    Se a verdade não dói
                                   Ela ri e rói
310

A tempestade

Um confortável dia quente de fevereiro
De fato, um céu azul e agradável
Foi o presságio de uma alegria interminável
Que eu desejei para o ano inteiro

São dias de um sonho divino
Enigma onírico que diz o incerto
Eu vejo o mar...tão belo, tão longe, tão perto
Tragando-me em um fulgor imenso e peregrino

Oh! Acordo e já é agosto
Com o mar já não sonho mais
Chove, e o céu não encontra paz

Não há mais alegria em meu rosto
Foi-se a felicidade: Há tempos que não rio
Despeço-me do calor: Eis aqui, mais um ano frio
319

Comentários (3)

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CORASSIS

Parabéns pela tua poesia !

Thaís Fontenele

Gostei muito da sua escrita, magnífico!

petit_bateaux

voce eh fera dms, vamos ser amigos ?