Morte e vida não se explica
Morte e vida nunca escolhi
Me deram três dias, mas vivi
Três décadas de morte
Tinha na vida alguma e pouca sorte
Morte e vida me disseram
Meu triste fim não mais esperam
Quem me mata a vida diz
Ressucita-me, porque a morte não condiz
Morte e vida não me aconteceu
Mas se largo tudo para viver
Passa logo, logo morro, penso eu
Morte! Logo chega, e vejo minha linda
Vida! Vai passando, e choro porque sei
Que a minha hora não chegou ainda
Nas chuvas de abril
Em verdade agora direi
Em versos maldosos
Contarei meus remorsos
De dias além
O passado? Enganei
Para trás, foste embora
Embora eu diga que outrora
Sinto saudades também
Pergunto para que sonhar
Se tudo que estou a ver
Em minha alma há de esvaecer
Findado em triste devaneio
Respondo que tudo vai acabar:
Nas chuvas tristes de abril;
Em teu peito quieto e febril;
Nos alvos campos de centeio
Ledo engano meu
Ora, que futuro espero?
Um curto e cheio de esmero
Eis,vida, meu clamor!
Dirão que sozinho morreu!
Encontrarão contigo penúrias:
As tristezas, amores, fúrias
E intrinsecamente a dor!
Memórias de um jovem boêmio
Céus! Não sei se sou capaz
De cantar agonias severas
Para as mais belas megeras
Que a vida boêmia me traz
Deixai-me, ó fogo incessante
E leve contigo o calor
Da quieta chama do pudor
Não sou mais um néscio amante
Amar? Para que, se hei de sofrer
E ser tragado, no fim, pela pujança
De sonhar?! Talvez, acordar com esperança
De novamente um dia viver
Vou largar aquele passado
De noites em boemia
Pálido da embriaguez doentia
Doente do calor de ser amado
Os prazeres que a vida me traz
Vou largar nessas sujas ruelas
Acontece que essas putas megeras
Não me deixam em paz
Haikai I
Não sabe falar
Se a verdade não dói
Ela ri e rói
A tempestade
Um confortável dia quente de fevereiro
De fato, um céu azul e agradável
Foi o presságio de uma alegria interminável
Que eu desejei para o ano inteiro
São dias de um sonho divino
Enigma onírico que diz o incerto
Eu vejo o mar...tão belo, tão longe, tão perto
Tragando-me em um fulgor imenso e peregrino
Oh! Acordo e já é agosto
Com o mar já não sonho mais
Chove, e o céu não encontra paz
Não há mais alegria em meu rosto
Foi-se a felicidade: Há tempos que não rio
Despeço-me do calor: Eis aqui, mais um ano frio