A canção de amor de Policarpo
Devagar e solene e constante, rasas pinceladas
O solo intangível, parca proteína,
Da água suja fiz o sal, o verde, o vermelho
E do alto da montanha cuspi o azul.
Ascendi o carvão, denotei a queda da prata
E disse, flamejante, à quem interessar,
o meu nome é um grito na rua,
Possa andar calmamente pelo estuário.
Faço o Tejo em parca linha
Para que outros tenham a mais-vontade
De contá-lo ao povo em outras linhas
Mais bonitas do que estas.
Misto que sy o, é asy, não:
É o que? Não sei, asy? Asy:
Sept okrok kek kek koáx kururu,
O sapo, a rã a salamandra no ovo.
A partida dos yagaru posto que a naue gaçom:
Hy un tempo forte onde alguüs abá
Snhvam que xe r-apé kukuî;
Asy seguj o curso do ty.
Xe r-akub, asy como essa terra noua.
Na bespera fezemos asab o tyîasy,
Para mor dêpick ityk o capitam
Que ëfim tra tou de nos seguij.
Eis aqui vosso santo nome,
O filho d'êndy está entre nós
Em um grito kyririm chegou até àmana
Efim a guatá q ouuemos
Pyryk, tyryk, sykyîé, asy virã vijr;
Alguűs deles se forã meter a belé
Como aues: katu mba'e moendy.
T-atá os fez oje tambem.
Byr entã emeryto eflluyo
Partij portanto pós a parva preça
A alma aíb apek asé
Devotei-lhes de vontade, enfim,
Servos da verdade, cansados, enfim,
Beijei-os nos lábios, fiz mais que moendy, enfim,
Tratei-os como meus, amei-os, enfim
Deixei-os dauerme lhados e de boõs rostros, enfim,
Cantei-lhes a jnocemçia e fim.
A vida pelo espelho
Eu vejo a vida em olhos cheios de lágrimas
Refletidos em um espelho.
Não gosto da vida; maltrato-a sempre que posso.
Em minhas mãos o florescer torna-se tedioso
E o pôr-do-sol me deixa cansado.
É isso, estou cansado e não gosto da vida,
Da vida nas ruas
Da vida nas casas
Da vida nas línguas
Da vida nos cabelos
Nas cinzas do fogo que queima, na água que corre, no vento que grita, na terra que chora
Da vida na terra meu Deus, até disso me canso, me canso
De coisas que não me atingem,
De coisas que não vejo, e estas são a maioria.
Essa arte de ver o mundo pelo espelho
Manteve-me distante de abcessos, é verdade,
Mas também me tornou este cansado e tedioso que sou.
Faria bem eu em estilhaçá-lo então?
Sim, de certa forma, posso ter essa certeza
Pois quebraria a distância entre
A flor e o pôr-do-sol e a vida, porém,
Para onde iria a minha imagem,
Aquela, que tanto me habituei
A contemplar
Durante todo esse tempo?
O Edifício
Caminho entre as pedras de um solo compensado
Passando a ponte o que encontro é um sapo amassado.
E mais ali, adiante, uma passarela e o sol quente;
Vejo uma casa cheia de gente.
Encontro andando um pouco mais para cima
Uma echarpe vermelha e cheia de rima.
Mas deixo-a no canto, preciso subir ainda mais
Pois no meio já é difícil manter a respiração
E o caminho se estende para além do coração.
Se acabo me atrasando no meu passo,
Eis à minha direita, bruxas em meu encalço!
Para fugir me resta guinar à esquerda e
Rezar para me esquecerem, e fundamentar
Essa minha passagem vulgar.
Ainda na direita moram canibais violentos,
Que quando famintos tornam-se barulhentos:
Querem atrair a carne que Deus lhes negou em demasia.
Então, lembro-me do que o Profeta dizia:
"Descanse a mão no parapeito e veja a rua.
Olhe para os caminhos talhados em rocha crua.
Esqueça o som que vem do galinheiro,
O som do céu ecoa o ano inteiro!
Mas saiba que não ouvirá nada lá do fundo,
Subir este caminho é a razão que fez o mundo!"
Indeferidos desgastes da alma, descendo
Doidos exigem vingança
Eu determino o léxico hierônimo, subindo
Que eu vejo no céu, que vejo?
É o desejo, partes familiares, a raiz
De um a três, respiração basculante
Não tenho ciência, descendo
Eméritos contrastes fluindo, subindo
Cães peregrinos do partido tísico, descendo
Vetor inerte de Kali, deus em seu coração, subindo
Não vejo nulidades, apenas simpatia cadavérica
Sapo subindo, olhando para cima, o que viu?
Não foi o escopo celestial, mas
A bota que o destruiu.
A roda dos autos, aparato mecânico, descendo
O pó de ébano, subindo
Água de bica escorrendo, ponte de madeira sobre o riacho e depois
O séquito fúnebre do menino afogado, descendo
Para o jantar à beira do lago
Onde o sol marca-lhe o rosto, subindo
Velhos amigos subindo, outros,
Tão novos, descendo
Pergunto que está fazendo?
Traçando o obstinado caminho
Mas me diga, foi eu que me tornei telúrico
Ou foi o sonho que se firmou inconclusivo?
Ademais, futuro, lembra-te do nome:
Abril rasteja na minha memória e
Às terças faço-me de iogue e
Sinta-se em casa, subindo e
Preparei-lhe um ótimo jantar: camarões, ostras lagostas e
Um enxame de vespas vem ai e
Puídos e sujos é lamentável ver isso nesse estado e na minha frente e
é engano doutor eu não estou doente
não estou, não estou, não estou
loucos? diziam: dê-me a tez do dinheiro
eu não quero dinheiro, eu rasgo dinheiro
e não é por isso que eu sou louco
Ah... a chuva vem vindo, vem vindo, vem vindo
E com ela o dínamo, atrás, subindo
Antelogo que o tempovoe; face trajando puro para o noroeste
E pago pecados à Deus, até ali atrás, adeus, pago pedaços...
Todos caminhos levam ao mesmo lugar, subindo
E eu não subo mais este pilar
Ir à casa de Madame Outono
Está fora de cogitação.
Grito, estou ótimo, disfarço o hálito,
Olho para o céu e uivo feito um cão
E penso em contar a história sem Eu,
Mas falho desde o primeiro fio de cabelo.
Não posso mais fazer parte disto.
Queiras vós ficar deitado, de olho no teto
Enquanto Madame Outono faz contigo
Aquilo que bem entender.
Desisto, por fim, o mundo é inquieto!
Nunca vou me acostumar com tal constatação.
Não me importa o tempo.
Que é o amanhã, se é hoje o momento da dúvida?
Que é o ontem, se é agora a hora da morte?
A história do tempo faz tanto sentido quanto
A história do Eu: findados no primeiro fio de barba!
Atrás da linha do trem vem a dose diária de ópio,
Finda a tarde e mato as moscas no meu quarto,
Acendo velas e incensos para Madame Outono, e, por fim,
Deito no catre pensando morrer
Mas para fins de efeito,
Dormir é mais que necessário,
Porém nunca suficiente.
Pego nessa estagnação artificial, não penso sair
Não penso pensar, penso irrestrito, mas não consciente.
Da mesma forma que o afogado não pede
Outra dose de água salgada,
Eu não peço sentido, não peço razão.
Se os iguais, por iguais, se fazem além,
Para o além vão as almas partindo
Porém, caindo, se faz um alguém
Que no caminho acabou se perdendo:
Meu corpo, aparente, se fez, descendo;
Minha alma, máquina, se faz, subindo.