A valsa do tempo
Não há pretexto para julgar, ademais,
Os necessários e até então chamados
Indeferidos desgastes do corpo
E da alma: tudo se mostra assaz importante.
O que passa para lá jamais volta,
E aquilo que fica jamais passa:
De modo que a experiência se torna inconclusiva
Se o pensamento permanece imutável.
Tantos caminhos a serem percorridos, porém,
Todos estão envoltos por um nevoeiro que,
Pormenorizado, só faz desviar a vontade
Para ruas sem saída.
Não me foi dada a opção de transformar a pedra em pão.
Logo, nada posso fazer se já escolheram para mim
O rei entre os Homens.
As nuvens vêm e com elas a chuva, que depois passa e
Dá lugar ao Sol, que depois passa e
Dá lugar à Lua, que depois passa e
Dá lugar a um novo dia, e assim é feito
Até que a morte nos separe: o corpo cai,
A terra traga, o sangue ferve e continua a correr
O rio da sua aldeia, de modo que não há
Mais novo elemento nessa valsa do tempo e de crenças
Futuras a passadas, até estarmos, inevitavelmente,
Defronte com o fim.
O afogado
Esqueça, esqueça, já é tarde, ou melhor,
Ficou tarde: Não olhe para a lua:
Cingir-lhes de preto e branco para depois
Atestar loucura desmedida, em paz.
O mar da minha janela e o Jesus postos invisíveis,
E meus olhos perdendo latitude; passam os anos,
Passam as cores: eu só enxergo o azul-claro em verticais horrores.
A máquina por pouco me atinge.
Parando para pensar, atingiu: tal evento jamais se esvaziou
Da minha memória.
Ah, o Azul me fascina, é verdade.
Talvez eu esteja devendo algo à Ele; talvez eu deveria
Simplesmente entregá-lo a razão fundamental
Que me mantém de pé: o ar dos meus pulmões
Em um abismo preto e branco Oh, a luz....
Imóvel
Que da imagem fez-te pronta:
São mil nulidades o que te exaltam.
E do verbo, que me resta a não ser insistir?
Quiçá viver em um pôr-do-sol tuberculoso,
Ou em ondas do mar que trazem, miraculosas,
A oração egrégia livre da sintaxe que fora pressuposta
A acabar de vez com o pensamento:
À sua imagem e semelhança.
Debalde é a esperança de se realizar a vontade;
O mundo jaz no maligno.
E eu, eu continuo imóvel.
Imóvel, meu Deus, imóvel...
ipê
Pobres que Circe implode. Som
Que risível é o prazer
Mas que pena tenho eu que sentir
Pena que anjo? eu tenho nojo. Anjo
Do alto rampampam eu te acompanho tss tss
Oh Marília eu quem sou eu? O
Bom pastor Dirceu, a quem a graça vós trouxeste
À pura alma de Glauceste, o tiquetaque do relógio
Meia-noite à Cronos estais em mãos, entregue
Ao pai, que estão perdidos em matas e rodovias
Voltar marcado e flagelado não faz surgir nada
De novo sob o Sol, palavra do Snõr
Graças aos seus, além, mar de utopia e sonhos cansativos
Haja tempo antes que se faça a hora
Outro dia, mas que interno vou pular
E treinava o sorriso no espelho o senhor Bloom
A poucos passos do seu grande dia, pela sua dolorosa paixão
Me diga aonde foi que eu errei, e nada, realmente
Me surpreende mais.