mas é a dor
Não é o sangue que me parece
Estar estagnado e esquecido no peito:
É o coração, parado em seu leito,
Que pôs-se a bater, porém se esquece
De bater nesse caminho tão estreito!
É meu coração parado no peito
Não é o ar do meu pulmão
Que parece ficar engasgado:
é meu coração que permanece parado,
Parou de bater por motivos em vão
E continua ardendo, continua cansado!
É meu coração que permanece engasgado
sei lá to bêbado
atiro-me de peito aberto
do penhasco para o mar
sei que o destino é certo
mais ainda espero voar
bate o vento em meu rosto
as águas põe-se a sorrir
a luz do sol me deixa exposto
não tive medo de cair
se o preço de uma vida
é tentar voar, porém morrer
ganhei uma viagem de ida
tentando parar de sofrer
Não sei o nome
águas, ó águas de um mar além
do pôr do sol, ao pálido amanhecer
as águas do mar hei de trazer
pois é dito que não sou ninguém
a água do mar me faz refém
cheia de si, me faz parecer
um mero pedaço, fazendo sofrer
a pobre alma sofrida de algúem
sorrio,no controle do meu parecer
mas as águas me permitem perceber
a terrível resposta, eis um porém
das águas, nada posso ter
pois não é me permitido ver
a tragédia vinda de aquém
Quatro,cinco
Morri de fome um dia desses
Ninguém conversava comigo no Céu
Chamei um anjo de filho da puta
E fui direto pro Inferno
Matei meu pai um dia desses
Disse um pobre pecador
Aqui conversam comigo
Solidão não me atinge mais
Morri de infarto, disse um daqueles
Neguei a minha pobre mãezinha
Cortei meus pulsos dia cinco
E agora to aqui
Mas ainda que sofram no fogo
Eles sentem pena de mim
Morrer de fome não é fácil
E é um tremendo sofrimento
Depois de uns dias a gente esquece,
Digo, depois de um tempo a barriga nem dói mais
A gente sente que o mundo fica diferente
Aí não sente mais nada
Impressionados, dizem que sou muito frio
Por não sentir a minha morte
Respondo que a vida é um mistério
Precisa-se de sorte pra viver
Morri de fome um dia qualquer
Segunda-feira, muito calor
Eu tinha leitura
Era um sol camusiano
Leitura, ler era bom
No céu não havia livros
Nem nenhum amigo
Só eu e os anjos filhos da puta
Foi
aí
que
começou
a
falta
de
sentido
Anjos filhos da puta, calor e ódio, eu morri de fome
Não conseguia aceitar
mAS O CÉU EXISTE
então pra lá eu fui
Céu terra e mar, eu morri de fome, de FOME! FOME! Como pode um ser humano ser deixado esquecido em um canto imundo de uma cidade para morrer de FOME meu Deus. A fome doí, eu minto para meus companheiros de castigo, a fome dói. Não há nesse sentido, quem morre de fome merece o céu? Ser miserável nesse sentido é merecer o céu? Eu morri de fome, cortei os pulsos no dia cinco e morri de fome e matei meu pai para depois morrer de fome com um infarto fulmiante dez dias depois embrulhado em um cobertor sujo enquanto fazia frio na cidade de ouro preto cerca de 4 graus era julho mas quando eu morri era setembro eu acho que chovia no dia eu não me lembro
Morri de fome
eu sinto fome no meu inferno sede desejo e fome
meu deus do céu eu morri de fome eu choro eu morri de fome
morri de dor de fome depois cortei os pulsos dia cinco de setembro
Céu, Terra, Mar
A Terra, O Mar, O Sol,
O Solo, tudo se conecta.
Enfim, O Céu, A Terra
O Chão, A Terra
O Chão, de barro, que infinda,
O Homem, Deus, o conflito
O Homem antes de Deus.
A Lua, O Sol, A Terra,
A Terra esquece do Homem;
homem com agá minúsculo.
Será o Homem ou
O homem?
O Homem; o homem?
No Mundo, é o que importa
Indefinido é o enigma, será que viveremos para desafiá-lo?
Oh Homem, homem do Homem
Que a terra lhe abençoa, que a Terra permita-lhe viver
Para sempre, eis o homem, mero ser, matável, morrível
Esquecível
Mal lembro o nome
De certo homens que conheceu
Homem, Terra, Mar...
Até quando isso vai durar?
Nada disso importa
Quando o homem nada absorta