Lista de Poemas

POEMA ADORMECIDO

Poeta tímido, que te escondes no silêncio cinzento do teu poema

Castrando a inspiração na brandura da tinta dormente do teu verso

Eu moro onde habita a tua dor, nessa estrada que percorre a tua pena

Bebo a água fria do teu lago, onde a inspiração, ascende ao universo.

 

Poeta sem língua, filho de um poema esquecido

Fustigas o remorso no castigo de uma vida sofrida a sós

Transportas a angústia no choro da tua aura de poeta adormecido

Queres que seja branda essa dor, então, faz da pena a tua voz.

 

Não te deixes amordaçar no riso humano de estéril substância

Onde o materialismo perdura e se cultiva a ganância

No teu peito aberto, brota a chama e o calor desse poema ardente.

 

E se tudo vale a pena, então vou seguir os atalhos da tua alma

Sentir a magia do poema adormecido, que desperta nesta manhã calma

Iluminado neste sol cálido, que te aquece esta vida tão só e penitente


João Murty

330

CAMINHOS

Não acendas fogueiras nem velas, nesta noite sombria

Porque essa luz, não ilumina quem se sente sozinho

Na penumbra, sentes o cansaço crescer dia após dia

E tudo te parece louco, na paisagem desse caminho

 

Agora já nada mais te importa, nem mesmo essas dores

Que perduram no tempo, estrebuchando o sentimento

Foste um grito altivo de revolta, no tempo dos amores

Que perdeu a força, esvaindo-se no eco do esquecimento

 

Sentes o peso do corpo inútil, que teima em não prosseguir

Mais quebrado e desgastado, nesta noite sombria e calma

Não te deixes sucumbir, remove a esperança e torna a sair

Nessa caminhada cíclica, que persegue a evolução da tua alma

 

Ofegante, sentes arder no peito essa luz turva vezes sem conta

Que se mistura parceira com a noite como uma sombra tua

Longos anos de uma dor tão presente e que te afronta

Aliviada mos colóquios que repartiste com a velha lua

 

Viajante tristonho, curvado, fraco e envelhecido

Descansa aqui as tuas dores por entre o ondular do meu verso

Neste caminho molhado de verde pinho florido

Semeia a sombra oscilante ébria e submersa

 

E o pouco sol dos olhos teus voa no meu verso

Como trinares de pássaros brancos que ascendem

Sulcaram trilhos profundos nesse espirito submerso,

Em fendas de luz, nesses pensamentos se estendem

 

Se o tempo voar e não parar, deixa-o ir na ampulheta da vontade

Segue o caminho dos poetas, na fonte dos seus conhecimentos

Bebes o bálsamo dos poemas, de letras sensíveis à bondade

E nas odes ao amor, suaviza a tua dor, sara os teus sentimentos.

 

 João Murty

285

ILUSÃO-II

Poemas ILUSÃO (I e II) - Dedicado a Catarina M. Antunes

No meu pensamento, flui a inspiração reencontro a tua alma e com ela viajo nas asas  dos teus sentimentos,  traçando de forma poética, como se fosses tu 

a escrever,  a desilusão vivida, sentida do teu grande amor.


Amei sim….

Amando sem ser amada.

Memórias de um gesto perdido,

trajado na ilusão e na mágoa,

decanta o prenúncio abandonada.

Ecoa no silêncio murmurante

lavo o perjúrio de amante,

nos olhos rasos de água.

Prendo a dor ao teu nome

querendo alimentar o sonho,

viver o passado distante,

saciando em ti esta fome,

quimera de um sonho alucinante

 

Amei sim….

Nesta paixão tresloucada,

tu és tudo eu sou nada,

de tanto esperar e sofrer,

prendo a ânsia de viver.

No silêncio espero por ti,

atada no vazio da espera,

entre nós, gastos cruéis e nefastos,

por tantos nomes que assumi,

amante por amor cativa,

no tempo frio, sem primavera,

maldita desta paixão altiva

 

Amei sim….

Rasgo o tempo, rasgo o véu,

calaram-se de memórias,

mos meus olhos de pedra.

Minhas mãos. procuram no meu ser.

forma alada na prece que pedi,

Se eu pudesse ter asas, as que o amor me deu!

Se eu pudesse voar para aí!

e chegar sem saber.

Perdia as minhas asas e caía do infinito,

fechava-me num grito, ficava dentro de ti

morreria contigo, no caminho para o céu.

João Murty

329

ALMA PERDIDA

A lma perdida é apenas uma sombra que flutua

Ligada em pecado no materialismo de outra geração

Hospedeira de um corpo, numa vida que não é a tua

Procuras o perdão, nos dias imaculados da redenção.

 

Nos âmbitos da lenta evolução, que tens vivido

Padecendo sem luz, no universo do teu mundo

Despertando em ti, horríveis instintos sem sentido

E uma mão cheia de nada, num pavor profundo.

 

Vagueias, percorrendo o transe do teu conflito

Olvida-te, silencia em ti o espaço de um novo dia

Encontra nesse escuro, a luz e o olhar puro do teu guia.

 

Se a câmara de recordações for triste e dolorosa

Refletindo os vícios e pecados, constantemente

Reencarna e inicia uma vida mais pura, mais ardente


296

SAGRES

Nesta terra diferente de mar profundo, onde os mitos outrora foram vencidos.

Declamo o poema a este povo coberto pelo rumor e pelo sal do seu mar.

Circundado por escarpas e ventos fortes, que sopram em todos os sentidos.

Sigo na saga de rumos desconhecidos, inspirado na magia intemporal do ar.

 

Em baixo. Fome revolta, vagas cruéis lançadas por esses mares da desventura.

Sons alados, ecos de barcos naufragados, sepulturas que jazem no fundo do mar

Em cima. Astrolábios, compassos, cartas, velas, caravelas, mareantes, aventura

Escola, alquimia, Infante, rosa-dos-ventos, instrumentos rodopiando sem parar.

 

Esta terra diferente tem mais cor, feita de tinta de mil sonhos e de ansiedade

Que deram visões de novos mundos, construídos na mentira e na verdade.

Em temas épicos escritos por monges poetas que te honraram e declamaram.

 

Na ponta do Cabo de S. Vicente, nesses rochedos que se erguem ao universo

Colho na mão a tinta desse misticismo, que se esvai nas letras deste meu verso.

Poema de agora, bebe e sente essa aura de outrora, a quem os poetas sublimaram

João Murty
299

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José João Murtinheira Branco nasceu em Lagos no ano de 1954. Graduou-se em Direção Hoteleira na Escola do Estoril, tendo concluído a Pós - Graduação em Gestão e Análise de Projetos e a Pós - Graduação em Gestão Integrada pela Universidade Internacional de Lisboa. O lado humano das coisas, a solidariedade e a justiça, levaram a abraçar com coragem e inconformismo, alguns projetos difíceis.

No período de 1993 a 1998, na qualidade de Diretor Geral de Operações, teve intervenção relevante no processo de recuperação e viabilidade do Grupo Torralta – CIF, que veio a ser adquirido pelo Grupo SONAE.

Ao longo da sua atividade profissional integrou o concelho fiscal de várias empresas e exerceu cargos de direção e administração em hotéis e grupos turísticos-hoteleiros. Cumulativamente esteve ligado á área do ensino e formação tendo lecionado no CFA – Pontinha, a disciplina de Planeamento e Controlo. Na área da consultadoria desenvolveu vários trabalhos no âmbito de Estudos, Projetos e Diagnósticos de Investimento e conjuntamente com o prof. Dr. João Carvalho das Neves (prof. Catedrático do ISEG) e com o prof. Dr. Charles Blair (prof. Catedrático da U. Manchester), participou no “Estudo de Desenvolvimento Integrado de Turismo - Ilha Porto Santo.

Em 1997, numa singela manifestação de agradecimento foi agraciado pela Casa do Pessoal do Hospital de Vila Franca de Xira. E, em Março de 2010 foi homenageado pela ADHP (Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal), com o PLACA CARREIRA distinguindo o profissionalismo colocado ao serviço da Indústria Turístico - Hoteleira.

A leitura esteve sempre presente na sua vida Tem como autores de referência Pessoa, Bocage, Florbela, Poe, Quintana, Drummond, Aleixo, Mário de Sá Carneiro.

Gosta de futebol, golfe, mar, e do seu próprio espaço para escrever.

Em relação à vida, entende que é uma caminhada num processo cíclico de evolução. E que tudo é efémero, nada mais prevalece para além da aprendizagem dessa caminhada.