Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

n. 1961 PT PT

Que fazer, se assombro tudo que faço de medo e a fracasso ...

n. 1961-07-03, Setúbal

Perfil
244 018 Visualizações

Sombras no nevoeiro




(Sombras no nevoeiro)
Sinto que sou um poeta falhado,
E escrever tornou-se uma tarefa
Balofa, à qual me não dou de todo,
Sinto um receio que m'atabafa,
No que digo, como se fosse eu, Rossio
De vão d'escada, fico-me p'las deixas,
Bem lá no meio duma seara de joio,
Aonde se não diferença vultos e névoa.
Não espero troco nem pago de saldo,
Justo por algo que não tem pra'mim custa
Nem apego, julgo que me sinto dividido,
Entre o que digo e o que dizer me basta,
É como é, o reverso e a medalha,
De um lado, vem algo inscrito,
E do outro nada que o valha,
Apenas o dom e o dia de morto.
Sinto que sou um poeta falhado,
Por todas as razões e d'outras,
Apregoo estas de telhado em telhado,
Mas confesso-me cansado d'inventar desculpas,
Pois nem tenho assim tanto de escritor,
Como um louco
Tem, do cajado dum actor,
Ser o seu sólido especo...
Jorge santos (01/2013)
http://joel-matos.blogspot.com
Ler poema completo
Biografia

Poemas

4

Eu digo não ...







Eu digo não ...


Eu digo não ao brilho tolo,
Não quero em fatias curtas,
A vontade dum povo todo,
Quando é a vítima e o bobo,

Não quero viver ansiando,
Por migalhas tam-poucas,
Sendo eu Interprete terrestre
E actor das Histórias loucas,

Desta gente com coragem
De dizer - Não ..Não
Quero a minha vontade presa,
Nem a prisão de pensar ser outro

O brilho ou ver o brilhar
Não daquilo que querem
Que eu veja e deseje nas montras
Mas o que me interessa ter,

A fatia do pão e não o bolor do bolo
E a mesa cheia de quem interpreta
A historia louca deste povo,
Que não é idiota nem tolo,

Mas a cereja rubra do topo
E quando "se toma de razões",
Que se cuidem os "Dons"
Todos, senão "Ai Jesus Maria"



Joel Matos (03/2016)
http://joel-matos.blogspot.com
1 627

Poeta convicto







Ser poeta é ser convicto,

Cantor da minoria, da desgraça,
Dos humilhados, o poeta
É o que passa sem ser visto,

Achado nem encontrado,
Ser poeta é o sonhar dentro
Doutros os sonhos destes,
Não porque os tenha não

Seus, mas por dever... poeta
Não é o que o quer ser, é o ser
Amaldiçoado plos sentidos
Ao nascer e aos seus, é palha,

É o horror de nascer sentindo
Mais que tudo, mais que todos,
Ser poeta é ser das causas martelo
E cantor e da dor cúmplice

E aliado, é o drama em forma
De credo, a cirrose hepática
Do mendigo, do indigente,
Poeta será sempre causa

De suicídio ou morte,,é paiol,
Salvo o que se não envolve
De chamas, esse nem poeta,
É ruim palha que não arde

Nem deixa arder a gente,
Compor não é só escrever mas
Combustão é, se for poesia
Espontânea e imediata, convicta,

Lata, tinta, spray ou beata acesa
Em noite clandestina e avessa,
Explosão, barricada, revolta,
Ser poeta é ser pavio ...



Joel Matos (04/2016)
http://joel-matos.blogspot.com
1 104

Segmentos Derosa







Adicionei à minha colecção,

Da boca as que disse boas
E não digo já, a que valia
Por dois, das ouvidas da rua

jamais quero tê-las na
Mesa, cabeceira da opinião
Generalista como prova
Que não sou louco

De fora pra dentro,
Prefiro as que substituem
Pequenas impressões
Como seja dizer nada

Sendo o que me agrada
No crepúsculo a adição
Do que é grande e fácil
De meter pelo pescoço

Adicionei à minha colecção
Certos segmentos
Sinónimos de bocas sorrindo
Senão flor,caule,

Será isso que estou sentindo
Na boca, as que disse
Boas, normal você não dizer
nada...




Jorge Santos (03/2016)
http://namastibetpoems.blogspot.com
924

Coração duende ...







Amo-te sem saber como,

Tomo os espinhos por
Rosas em botão e o ocre
Sabor de terra por açafrão,

Cominhos, amo sem saber
Eu como te amar e quanto
O amor é triste ou forte,
Vivo montado num escadote

Pra ser visto com nitidez
Por todos e por ti que me
Lembras a lucidez do campo
A brisa no meu cabelo branco

Amo-te sem saber como
O que conheço é um sentimento
Que ninguém tem tal como
O vento que ninguém conhece

Mas sente, eu sinto que amo
Mas nem sempre nem toda
A gente ou lugar e o céu
Não tem explicação pro que sinto

Sem razão aparente, espinhos
Açafrão e cominhos .rosas em botão
E o ácido da terra quando chove
Nela e em meu coração duende



Jorge Santos (03/2016)
http://namastibetpoems.blogspot.com
1 008

Comentários (5)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
nilza_azzi

É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.

obrigado a todos que me leram

ricardoc

Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.

131992

muito intenso seus poemas, adorei.

-
-

Se a cólera que espuma, a dor que mora N’alma, e destrói cada ilusão que nasce, Tudo o que punge, tudo o que devora O coração, no rosto se estampasse; Se se pudesse o espírito que chora Ver através da máscara da face, Quanta gente, talvez, que inveja agora Nos causa, então piedade nos causasse! Quanta gente que ri, talvez, consigo Guarda um atroz, recôndito inimigo, Como invisível chaga cancerosa! Quanta gente que ri, talvez existe, Cuja a ventura única consiste Em parecer aos outros venturosa! Raimundo Correia -Raimundo Correia