Lista de Poemas
- Papoila é nome de guerra -
– Papoila é nome de guerra –
Seja como for sempre volta sendo,
Não haverá antinomia,
Sem a aparição dos medos,
Quanto às flores da Terra,
As pétalas senão rubros dedos,
Indultos os próprios
Caules presos sentindo calor,
Tuas mãos opostas das ervas,
Seja qual for a razão,
De ser desse amor certo.
No meio dos desertos,
Ruas serão campas abertas,
Testas de ferro néscios,
Todavia não me abstenho,
Enquanto há flores no árido,
Eu escrevo a vermelho insulto
E ao vivo – Papoila, meu nome de guerra –
Rosa brava, Tomilho, salva, versículos islâmicos,
A maré vai e volta sempre, só meu coração rompeu,
Vai e não volta sendo, não faz falta
– Papoila é nome de Terra,
Humildade é ocupação de santo, humilhação,
E eu não sou frade de verdade,
Sejam Eles quem forem, é da emoção que falo
Quando me exprimo p’los beiços e p’los gestos…
Joel Matos 04/2019
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337
O erro de Descartes

O erro de Descartes
O erro da ciência é considerar
Como um fungo, o pé de atleta. Descartes
E a guerra, uma deficiência genética incomum,
Já na filosofia se manifesta quanto falso é a guerra,
Querer alterá-lo, é ir contra a natureza humana,
O direito inalienável à exterminação completa,
A essência do universo é a solidão,
Logo, exílio sugere alheamento e perfeição,
A solidão de quem não ocupa lugar em praça,
Nem coisa, nem lembrança,
Nem ilusória pertença celta,
Nem sensação. Quantos cacos separados,
Sinto em tudo o que sinto,
Um perpétuo exílio de vidro partido
Como quem abdica de uma nação,
De um reino de um coração que trago,
Íntegro como um céu de sol,
Feito cadinho e vidro quebradiço,
Desolação, delito, amor vão,
Existo fora, porque não quero deixar vestígio,
Nem tão pouco alterar o gosto do ambiente
Do qual faço parte, a química do lodo e do mosto,
Não tenho esse direito, nem nada que me faça
Desassemelhar do semelhante a mim e aposto.
Jorge Santos 04/2019
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O cérebro, não foi apenas criado por cima do corpo, mas também a partir dele, junto com ele, o coração …
316
Trago em mim dentro

Trago em mim dentro
O que eu quisera ter,
Antes de não ter desejos
Meus, mas doutros,
Trago em mim dentro,
A valência do átomo,
Todavia não admito,
A falência dos deuses,
Sigo o pensamento
E a sua presença
Une-me ao invisível,
Como um súbdito
Do instinto que uso,
A aparentar um brilho,
Que só a mim seduz
E deslumbra, lembra
A luz, gela alma e corpo,
Sem ser de frio, admirável
E doce incesto,
Trago em mim dentro,
Passos em mim sinto,
Todos partem sem pressa,
Passos percorrem distancias,
Menos eu que eles,
Que temo ficar parado,
Sem passos mais pra dar,
...Ânsias que em mim ficam,
Distancias em meu longe,
De andar tão perto,
Tão só eu, constante quanto
O pedido de socorro,
De um funâmbulo teimoso.
Joel Matos 03/2019
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324
Caminho, por não ter fé ...

Segundo o Endovélico, é privilégio da fé individual de cada ser, tomar um lugar sagrado como lugar religioso ou tornar um legado, religião instituída, depende da empatia pessoal e fiduciária do Xamã, mais que da energia dispensada por uma simples vela barométrica ou do binómio gozo/usufruto e não tanto do clima e da energia despendida e experimentada nesse nevrálgico e frágil ponto que pode ser ubíquo, omnipresente em qualquer parte ou domínio consciente, lugar onde nos predispomos a aceder o divino e onde não há razão para duvidar e para deixar de sentir omnipotente, o universo como peculiar ou particular em nós e exclusivamente.
Uma corrente humana não passa disso mesmo, de um mega-elo verbal e metafísico e a exposição ou predisposição pretensamente panteísta desse elo, podendo ser ortodoxo ou heterodoxo (embora tente convencer-me do contrário) pode ser balizado por argumentos não actuantes, distintos da função onde assentam os meus princípios e a missão humana que serve de orientação das minhas emoções funcionais vitais mais primárias e dominantes.
Essa subjacente emoção, traz consigo o que se pode considerar um selo empático, se o individuo puder explicar-se pelo pensamento e não por acções que redundam a realidade de um mal social maior, que define determinado paradigma, como amoral entre entes imorais, em que uma palavra define outra e outra, assim por diante, como um ser se define definitivamente e infinitamente como inferior ou superior, pela educação ou a irreparável falta dela, se aplicada irracionalmente, com todas as consequências.
Justifico-me plenamente pela religião, pelo que ela comporta mais que pela verdade evidente, reduzo-me até ao mínimo absurdo, mas primo pelo direito de conservação da minha racionalidade espiritual e conceitual, excluindo os outros, a partir de um certo ponto, apago-os da minha existência, da minha condição de residente nos elevados subúrbios, embora viva a simplicidade das flores no quintal que cultivo.
O que me distingue e á minha tese panteísta, é a função de esgaravatar buscando por almas humanas também elas na busca de outros desses eles, nos locais mais recônditos e isso implica abdicar de determinados conceitos estéticos, que vejo sendo abduzidos e reduzidos, a uma trama sem carácter, à qual não tenho outro remédio, senão disciplinarmente me afastar e conscientemente denunciar a coarctação de pensar -liberdade e o direito inalienável - de me conspurcar de todos os desmandos possíveis e imagináveis á luz da verdade, liberdade, excepção e bom gosto.
Sou contra quem me erguer defronte um muro, em nome da liberdade, senão contra mim que seja, e não procurar um eclectismo intelectual, talvez ilusório e teatral, revoltar-me contra mim até, se for o caso e sair deste marasmo em que me sinto tolhido e sem argumentos aumentativos, confinadamente assentes e com sentido, é este o primeiro passo para o meu progresso mental poético e argumentativo.
Sempre criei poesia de base zero, anuindo natureza a dois números primos, com a hipótese de, dentro do meu espírito, o colorido tinte uma polícroma dimensão, não digo geométrica, mas volumétrica que pode ser tocada por quem do-lado-de-fora também tenha uma designação não convencional, para as duas linhas separando os olhos, servirem de interlocutor lúcido ao queixo em baixo.
Sobra-me finalmente uma tristeza que é não ter eco de vozes incógnitas, ou quórum de querubins sem sexo, fazendo piruetas, mas porque havia de ter, sendo de única via a estrada que trilho e o tino igual à distãncia que me separa deles, externos a mim, salada em geral insone, insonsa e genericamente incomoda, que não gosto de ver nem sentir, tudo depende da minha marcada objectividade, mascarada de manufacturadas realidades, por não precisar de melhor e, deixar de escrever, não é deixar de escrever, já que o meu phatus, ou sentimento de imensa paixão não é feito de papel pardo ou faca, nem é jornal de forrar parede de caixote de lixo.
De facto não me merece respeito quem não me respeita, nem os meus sinais e até rejeita esta grainha rejeitada e a relatada redacção, é a básica matéria-prima que possuo, nesta cara fria por fora e por dentro limão, e é-me tão ou mais cara que o preço de um café, sorvido apressadamente ao balcão.
Falta-me qualquer argumento que qual, ainda não sei qual, mas dou-me por satisfeito e retiro-me com estas divagações redigidas à pressa, para que a vossa desatenção ou a atenção parcial não desbote, já que sobriedade não tenho, nem peço aos periféricos deuses por tal, pois perfeito é desumano e eu não desconsidero a aproximação ao sublime.
Adoramos o que não podemos ter, e eu ouço a respiração da natureza como um Endovélico Dom, ou um efeito alterado da percepção imaginaria, não como uma vantagem de quem mora um andar mais alto e elevado, mais que a maioria dos inquilinos desta cidade mal parida, mas que deixou de ser refúgio sacro para mim.
Os pensamentos surgem-me nas mesquitas, às esquinas, nos cotovelos presentes em mesas, cadeiras e chávenas de café quente e quando menos reparam em mim, em nós outros, passageiros das passadeiras brancas e pretas, olhando no fixo do olhar vazio dos nossos semelhantes, de quem nem vê quem lá anda, quem lá passa de manso.
Sinto uma inveja profunda da realidade e de imensas coisas que tornam monótona a contemplação do mundo exterior a mim, como uma paixão visual, manifesto-me pela escrita argumentativa e na poesia não decorativa, o que diminui ainda mais o efeito ilusório da realidade, sensação congénita em mim.
As coisas que procuro, não estão em relação a mim, quanto eu em ligação a elas; encolho os ombros e caminho devagar, por não ter cura para este mal-entendido com a realidade e retiro-me com o pressentimento de não voltar eu próprio, por via de me ter tornado outro mais puro e poroso, por fim magnânimo, ao ponto de nada ser igual ao que era, quando volto a cabeça e olho para trás, sobre o ombro...
Jorge Santos, aliás Joel Matos
8 Abril 2019
335
O poema d'hoje não é diferente ...

O poema d'hoje não é diferente,
O poema de hoje,
Lembra-me uma nova canção
Da rádio, que tod'agente canta,
Mas acabará por esquecer,
É a mesma que eu esqueci já,
O poema de hoje é,
Como qualquer dia mau,
Em que não me topo, nem me conforto,
Como um qualquer Deus grego,
Dos "vesgos" que vive
Perguntando se o caminho
É a direito e plano ou suave e de que tamanho,
Oval quanto um coração ou em losango,
O poema de hoje, traz ao léu
O escurecer, o céu triste, azul/breu
Eterno, eternos Zaratustra, Kusturica,
Acabarão por esquecer, no entanto
O poema d'hoje é acerca da esperança
Que dentro de mim cultivo e celebro,
Afastando os mitos de monstros
Funcionais por castigo, sem bondade
Nem justiça, essa é a canção que lembra
Outra tão antiga, quanto a retórica
Que matou na liça tanta gente,
Tanto o crente, quanta crença ...
O poema de hoje não é diferente.
Jorge Santos 11/2018
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328
Botto

Filho de Botto é homem,
Sente e sabe falar,
Assim todas as criaturas e o mar,
Liberdade é sonho
Em que o céu se despenha
No azul do mar e apenas ...
Apenas pra lá ficar, junto às
Causas que sonhei em espaços
Abertos, desperto ...
Espero-te um dia, pois breve
A vida toda será sonho,
Liberdade é quando...
Não apenas o Boto,
Caminha ao luar de verdade,
Mas em tod'o lugar do mundo,
Entre céu e mar.
Filho de Boto também é homem,
Sente e sabe falar ...ler-amar,
Filho de Botto é homem, com
Letra grande.
Jorge Santos 11/2018
http://namastibetpoems.blogspot.com
322
À excelência !

À excepção, À excelência, À beleza, sim
Brindemos, ainda que com vinho turvo
Desse amanhado com pés maçados e sujos
Em paióis de madeira e grés, brindemos
À excepção, À excelência, À beleza da tez
Ao dois por três em copos cheios desde
A vindima até aos cestos das vespas riscadas
Do melaço e "ladainha-de-taberna-à-vez",
Aos bêbados, brindemos com vinho turvo
E pão de milho duro, ouro e basalto gretado,
Preto e giz do taberneiro pouco sóbrio ardosia
Na mão Brindemos irmão, brindemos irmãos,
À excepção, À excelência, À beleza, sim
Às escaras e ao vício de sermos unos, unidos
Até na morte, nos trabalhos de ciclopes
Do amanho da Terra que nos recebeu, hóspedes
Hostis de coração grande.
Joel Matos 02/2019
http://joel-matos.blogspot.com
391
Ou eu me não chame de Antônio ...

Ou eu me não chame de Antônio,
Nem de António Manuel.
Sou o antónimo dos argumentos
E ideias, dita meu próprio coração,
Qual é a paisagem certa e a época
Do ano em que se cultiva o crisântemo,
Ou eu me não chame nem Antônio,
Nem António...Mendes ainda menos,
José Desânimo é o meu incurável nome,
Pois é, minto como todos os doentes,
Embora tenha consciência disso,
É fundamental pra me manter são,
Ou eu não me chame António, atento
Ao que resta de humano em mim,
Tão só, séptico diante da censura,
Quando falo por imagens, sou capaz
De falar livremente e sinto pelos
Intestinos, com toda a sabedoria,
Ou não me chamasse eu, António
Manuel Eliseu ...
Jorge Santos 12/2018
http://namastibetpoems.blogspot.com
351
Difícil é sair de mim, eu mesmo...

...Difícil é ser, sonho
O melhor que posso
E não deixo de me
Fazer no que sou, pois
Se sempre fui, quem
Nunca fui realmente.O
Difícil é ser, tanto
Que até dói quando
Eu próprio sou diferente,
Como de-aqui-em-diante,
Embora me dê tristeza,
Não ser realmente hoje,
Quem ontem fui, sou.
E depois de depois,
Se algum dia serei, pois
Teimo verbalmente...
Imagino-me com olhos dentro
Da pele, fora de mim mesmo
Fixando o que me lembra fui, seja
O que anteontem sonhei,
Suposto sendo, sou tema
De mim, protesto e teimo
Teimo, teimo da raiz ao pelo,
Difícil ser Poeta assim, mas que seja
Eu mesmo, tão difícil de ser,
Quanto humano eu puder doar
De mim, eu mesmo...
Joel Matos 02/2019
http://joel-matos.blogspot.com
356
Inté'que poema se chame de Eu ...

Inté’que o poema me chame-seu,
Me chame plo meu nome cão,
Me chame por ele ou não, mas
Não me chame poeta antes de
Me chamar eu-ele … não me
Chame de gente, porque real
Não sou, não vivo espaç’entre,
O espaço eu sou, não vivo no
Tempo como outra gente, o
Tempo é meu, mesmo não
Sabendo quanto tempo tenho
Pla frente, pra continuar ser eu,
Até que poema me chame eu,
A não ser me chame eu nada,
Coisa alguma, “niente” vento
Sem destino, “nem-sei-quem”,
Ou “o-não-sei-das-quantas”,
O meu nome é coisa nenhuma,
Cão-com-pulgas, sarnoso, sarnento
Vitupério sem valor de confiança,
Inté’que o poema me chame “de-seu” …
Joel matos 01/2019
http://joel-matos.blogspot.com
342
Comentários (4)
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É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.
obrigado a todos que me leram
Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.
muito intenso seus poemas, adorei.