Lista de Poemas
A dor é púrpura …

(A dor é púrpura, não ...)
A dor é púrpura, e
O que me doi é
A imensidão, sei
"De cór" a tristeza,
Não vejo o fim à
Dor nem à culpa,
Não creias em mim,
A dor nem púrpura é
Nem eu o tal "poeta"
Que possas chorar,
Se nem conheço
O original a preto
E branco ou vermelho
Sangue e o orvalho
Apenas seca
Quando as folhas
Debotam o chão
De amarelo seco
E isso apenas eu
Sei, me dói sê-lo, sabê-lo
Me doi imenso,
A floresta púrpura,
O silencio e o eco
Não sei, nem donde vem,
Mas meu não é,
Nem é o teu,
Mas do medo
Que sempre terei,
De ouvir soprar na porta,
A oscilação do ar
No outono, a dor é pura,
Oscila entre o céu e a dura terra,
Púrpuro será meu coração,
Não sei bem, de nada serve
Saber, não o sinto bater...
-A dor é púrpura, minto ...
Joel Matos (01/2018)
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762
I must believe in spring again …

I must believe in spring again ...
As heras passam, passam
P'lo meu corpo inteiro,
As aves voam, esvoaçam
Sob minhas raízes d'pinheiro,
Ai..se eu fosse marinheiro,
Não mais morreria afogado,
Traria do mar o cheiro frio
D'um beijo d'mar abastado
E das madrugadas d'outras heras,
P'rós cheirar nas searas viradas
P'lo vento, o cheiro a aguaceiros
E na erva brandura próprio delas,
Da seiva não sei, minh'alma é calma
QB e a chuva é lenta também, se arrasta
Nas madrugadas e no trigo casto,
Trago no coração ruim amigo,
Aí os corvos esvoaçam o dia inteiro,
Sob estas minhas raízes enterradas,
Nem sei se chore ou se rio,
Ou qual desses primeiro e a fio,
I must believe in spring again ...
Joel Matos (09/2017)
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697
Gosto do silêncios dos Mormon’s …

Se dou as palavras é porque
São feitas dos silêncios meus
Em compósito, nada assaz
Importante, decomposto ...
Gosto dos silêncios fétidos
Mais do que falas caladas
A meio, as palavras têm
Um rosto, o silêncio varia,
É Composto de intenções,
Multidões de ínfimos insectos
Zumbindo, decompondo
Cintilantes a minha visceral
Saliva noutra forma
D'arte e em puro sonho,
Nada sério, sobretudo a
Poesia rítmica dos Mormon's,
Porque do céu chove assim,
Quem dera houvesse chuva dentro
Em mim, chuva sem fim nem
Princípio...
Joel Matos (01/2018)
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680
Em lugar primeiro …

(Em lugar primeiro,)
Não quero nada inteiro,
Como uma criança o giz
Ou um brinquedo dado,
Uma completa dor de cabeça,
O sol ou o céu abertos de par-em-par,
A morte certa ou o pão mole por partir,
O encanto do azul-marinho esbatido na praia,
A miragem do deserto em faixas ocre e amarelo,
Inteiro é o doer
Que ninguém deseja,
É o sofrer que convive contigo,
O brinquedo da loja, que queria ter,
O céu e o sol porque são meus
Que os conheço,
Sobre a cabeça ponteiros
Como pensamentos, lanças d'África,
Não quero por espontânea geração
O que sinto e lá não está,
Nem o que trago em trapos rasgados,
Mal cosidos ao peito,
Não quero inteiro nada, nem a vida
Dividida, não quero lugar terceiro,
Não quero nada por inteiro,
Quero todo o erro que eu possa ser,
Em lugar primeiro ...
Joel Matos (01/2018)
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723
Fim de sessão …

Torno sem palavras, dos turnos
Que as alvoradas fazendo vão, sulcos
Nos meus olhos vãos,embora
Não digam nada as mãos me falam
Sem entusiasmo do tempo longe
A vida que vivo de tarde substitui
A que vã tive ind'agora manhã cedo
Daqui a pouco acabo as palavras
Então não sei mais ser,trono não tenho
Ceptro ou manto de monarca do Tempo
Sulcos nos meus olhos se vêm
Só eu vejo o coração, casa fria, triste
Sem palavras em torno, torno
Sem palavras, fim de sessão ...
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Joel Matos (04/2017)
659
Bizarro

Bizarro
Uma bizarra noção, a da palavra dita,
Pronuncia-se e acabou, se a escrevo
Se fixa, se vale ou não, depende do
Compositor e não da validade oportuna
E do espécime, mas bizarras, quanto
Mais melhor e belas, as ditas por nós
E os silêncios pelo meio e dentro, graças
À voz, outra noção bizarra, fraca ou grossa,
Dependendo do conjunto, corpo e alma
E a faculdade de ouvir, a crença, se de noite
Quando sente ou nota o coração mais,
Se dia, dita perfeita e com fé que haja
Alguém ou algum caminho tal como o meu,
Bizarro, igual a ninguém, apenas a uma
Lembrança que em minha pronuncia há,
Bizarra noção a da palavra escrita,
Magnífica quando nem o entendimento
Entende, quanto mais o coração que
Não soa ao eu poético, mas à razão, bizarra qb
Para ser poesia e ilusão de pertencer a gente
Duma bizarra nação, a da palavra "ditada-
-Por-mim" ...
Joel Matos (02/2017)
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797
A onze graus da esperança toda

Faltam sonhos
Nas casas da esperança,
Voltam calmos quando
Deles se fala pra dentro,
A outra fase do silencio,
É a lembrança partida,
Que destes tenho e dessa sobrevivo
Instante a instante,
Momento a momento,
Quando os sonhos voltam aos anjos,
A casa dos sonhos é ao fundo,
Na estrada
Para Entepfuhl,
A onze graus North-West
De toda a esperança e que me levará
Até ao fim do mundo ...
Jorge santos (02/2017)
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711
Sempre que desta falo …

Sempre que desta falo,
Metade é dom do luar, a ilusão,
A outra, humana completa,
A fala, ela com que conto
Como e do que é feito o pensar,
Tal é o caso daqui e agora,
Os sentidos mais são sobra,
Atraiçoam a imaginação,
Como ind'agora ao sonhar
Sonhos múltiplos disto pintados
De fresco e framboesa citrinos,
Todos em tons de laranja,
Omiti infelizmente do luar o tom
Metade e o espírito deste conversa
Não expressa, o que deveras
Sinto na humana metade minha
Que resta, que fala sempre que
Falo e me detesta sempre que
Falo desta na voz que Deuses
M'emprestam e consentem em
Parte, a palavra pequena, pequenina,
Pequenininha, minha ...
Jorge Santos (02/2017)
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728
o Outro
Na parede d'alguém
Escrevi, - eu existo -
Na parede da frente
Alguém mais baixo,escreveu:
-"Embora Zé, sem visto
Eu ninguém sou, nem
Aqui nem lá donde
Vim e prond'me vou,
Nem o Cristo me visita,
Ou o outro indiferente,
Ostentando o crucifixo
Torto"
Jorge santos (02/2017)
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757
O sabor da terra …

sabor da terra ...
O sabor da terra é parecido ao da água,
A acrescentar os meus sentidos a chuva
Que cai e molha, não importa de que mar
Distante ela é, de que mundo que não vejo
Mas sinto cheiro de terra molhada e cerro
Os olhos pra que não fuja por eles o desejo,
O prazer do odor que nunca foi meu, mas inunda
O meu sossego e leva-me pela mão,
Longe da terra não existo nem soa real
O sonho que tento viver, imerso no verde
A pastar gado na bruma, indistinto é o serro,
Ermo o pensamento meu, quando escuto
É apenas o meu coração batendo ou não,
O sabor da terra é parecido com o a água,
O que eu não esperava é a própria imitação
De silêncio com que chuva cai no meu rosto,
Como se conhecesse meus inúteis segredos,
Ou sabendo da ausência de ruído no meu peito
Real ou faso. Ausente abaixo dum céu
Que lembra o que pra lá dele há, pressinto outro céu,
O meu ...
Joel Matos (03/2017)
http://joel-matos.blogspot.com
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Comentários (4)
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É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.
obrigado a todos que me leram
Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.
muito intenso seus poemas, adorei.