Lista de Poemas
E o sonho ter-me-á sonhado.
Estátuas de cal-viva
Estátuas de cal-viva
A
palidez excessiva
É o que
torna perpétuas
As
estátuas de cal-viva
E
tristes as madrugadas,
O que
posso dizer,
Dos
donos das heras,
Devorados
p’la larva pária,
Da
honra de não morrer.
-Como
querendo não querer-
Assim
escrevo…
Por
impulso,
duvidoso
Do
paradigma que sou,
Assumo
o meu ser
Inacabado,
Celebro
o que falta
Dizer
sem dizer,
Oxalá o
dia
Acabasse
manhã cedo,
Para
que pare o querer
Libertar-me
Do
tributo
Que
presto ao pensar,
Acordar
de novo,
Não
sendo servo do que escrevo,
Aonde
não houvesse chão,
Num
colchão de ar,
(Se de
poesia fosse feito)
Mas só
estou triste
Numa
face,
A outra
não resiste
À cal e
perece,
Consciente,
esquecida.
Jorge
Santos (01/2013)
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Nunca darei notícias
Joel Matos (12/2013)
Encalho,agacho,acobardo e morro.
(E Morro)
Joel Matos (12/2013)
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Sonho de lugar nenhum
Houvesse um bater de coração mais genuíno
Que o vento a soprar no cortinado,
Como um diapasão enquanto o respirar sonho:
Preciso dele cercano, apontando
Pra mim, como quem diz vai…acredita
Como precisa todo o poeta finado
Qual cerca de extremos sus fraquezas
inda que longe pareça
Imprevisível
Que nem sei se algum dia
Me tornarei previsível...
Jorge santos (01/2014)
Ricardo Reis
Me chame Leonor,
Que eu lhe chamarei
Verdura,
Me chamo Leonel,
Por nenhuma outra
Razão especial,
Senão mesmo
Essa, esse é meu nome …
Sou apenas eu
E só,
Eternamente seu
Circeu … Joan.
Joan Sen-Terra, Ricardo
Reis não,
Não sou eu,
Nem ela.
Joel Matos
Joel Matos (Fevereiro 2023)
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(Creio apenas no que sinto)

Apenas me sinto
Livre enquanto crítico
De mim próprio,
Como se fosse o destino
Outro, eu mesmo
Juiz sui generis e réu
Do foro privado,
Em guerra estranha
Com os sentidos d’outrem,
Socorro-me do falso
Ouro e do parecer
Mármore, ou paládio
Todo o meu esforço
De crustáceo bivalve
Vivo, bora cerceado
P’la casca à mostra,
Enterrado até ao centro
Do umbigo em estranha
Lama mole, frouxa
Pátria que me força
A ser “tal e tal” igual
Ao apelido ingénuo
Desenhado na calçada
Do terreiro do trigo
Seco, seguindo-o me
Segui, porta fora, corpo
Dentro Moniz Mártir ?
Nada me diz Martim,
Valha-me S. Jorge órfão
E uma multidão de seres,
Que não são realmente
Enteados Santos, meus
Aliados distintos, (creio
Apenas no que sinto)
Jorge Santos (Março 2023)
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No meu espírito chove sempre,

No meu espírito chove sempre,
E justamente como eu quero,
Chuva triste, anónima a chuva,
Anónimo eu, será que existo nela
Ou ela entre mim e eu. Há um fosso
Cavado e eu parado, curvado
Assomo o poço, aceno, sou eu
Por debaixo no rosto da lua feia
No escuso fundo, meu futuro
Uma nau, pavio apagado, navio
Sem pavilhão sem passado, porto
De abrigo sob estandarte inimigo.
No meu espírito sempre choveu,
Chuva forte corpo enlameado, nu
Por fora e por dentro sem vida,
Inda um riso forçado na boca,
Contragosto em forma dúbia,
Indefinido, a ele fiquei preso,
E à dúvida de eu ser eu mesmo,
Quando me mordo ou m’belisco.
Serei deste ou dum mundo outro,
Onde eu entrei sem ser ouvido,
Ou visto a sair, voltei sem partir,
Pois serei quem sempre fui,
Desconhecido justo com’quero,
Brisa ou vento, nuvem sobre
A floresta, por debaixo quem
Me lembra acabará m’esquecendo,
Assim como um caminho rural
Mal calcado, se quer esquecido,
Por não pertencer a ninguém,
Nem vivalma mais por’í seguir,
Quem sabe, por medo …
Jorge Santos (23 Novembro 2023)
https://namastibetpoems.blogspot.com
Comentários (4)
É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.
obrigado a todos que me leram
Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.
muito intenso seus poemas, adorei.