José Antonio Ramalho Forni

José Antonio Ramalho Forni

n. 1958 BR BR

n. 1958-06-06, Dom Pedrito, RS

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Mudo amor

Ouvi teus gritos entre os murmúrios do mundo.
Não foram eles que me acordaram.
Mas o alarido dos que te ouviam.
Caminhei para ti.
Não me quisestes junto,
Pois há muito também não o estava.
Usei formas prontas para ensinar a vida para ti
esquadros e régua foram meus instrumentos
Certezas que se transformam em risos
Teorias que gargalham de minha esperteza.
Agora, quando tuas mãos crispadas tentam nadar
No mar das vicissitudes,
me desejo lançar a bóia a elas.
E te puxar para perto de meu peito
Como quando te protegia das tempestades.
Para resgatar a simples presença,
testemunho do amor que não aprendeu a falar.
Mas a vida tem suas próprias armadilhas e desvios.
Desafiado e salvo por eles estou aqui aprendendo, de novo,
A ser teu pai.
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Poemas

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O Rio

O Rio

Colossal, te conheço
das histórias que contam de teu leito.
da Pororoca e da canoa que te singra num abraço.
És vida e morte que se alternam.
Como é o fio que une a todos nós.
Mas não falam, nunca ouvi, que és também o filho amado
de muitas mães e muitos pais
Que te geram a cada instante
Com suas vidas, seu caudal
Madeira, Purus, Solimões
e tantas águas outras que se perdem na lembrança.
Teu desenhos são as veias que carregam nossa identidade.
A verdejante amada que te envolve, simbiose estupenda
que embala meu cantar.
Companheiro! Filho amado! Patriarca, nos sussurros de Neruda!
"a eternidade secreta das fecundações"
Os teus gritos escutamos e erguemos nossa bandeira:
"Não matem o Amazonas!"
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