José Antonio Ramalho Forni

José Antonio Ramalho Forni

n. 1958 BR BR

n. 1958-06-06, Dom Pedrito, RS

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Vencer a dor

Vendavais. Tormentas. Nevascas...O deserto...corações
que se abalam...
Forças incontroláveis que assustam e movem o ser humano a pensar e repensar sua
frágil existência.
Vento, chuva, sol, terra, fogo. Elementos presentes na vida e na morte de todo
ser vivo.
Diante de tanta força, pensamos o quanto somos
pequeninos...leves...insignificantes...
E, ao mesmo tempo, por imagem e semelhança ao (a) Criador (a), tão supremos e
perfeitos. Dignos de Sua infinita e eterna bondade.
Somos, a um tempo, anjos e demônios, dada a nossa perfeita imperfeição .
A doença, tal como os elementos da natureza, tem a capacidade de suscitar
muitas reflexões. Especialmente quando envolve afetos tão próximos.
Provoca a preocupação pela dor do ser amado. Ou pela nossa na possibilidade de
perdê-lo.
Mas, e para tudo há um mas, há um caudal de situações não vividas. Não
escritas. Não pensadas, quando isso acontece.
E de tudo, fica o agradecimento pelo já vivido.
O testemunho comum de quem se aproxima do fim da vida, quando a mesma foi
regada com a fé e com o amor é o de gratidão.
Pelo que aprendemos juntos. Pelo sofrimento que ensina, mas sobretudo pelas
alegrias que também unem.
Olho para os olhos que infinitas vezes me viram mamar e vejo surpresa e força.
Dor física mas paz espiritual.
Está acolhida no seio dos que a amam.
Suportada em suas dores pelo conhecimento científico assim como pelas mãos e
corações que nunca, nunca lhe faltarão.
Nossa perfeição, similaridade divina, (re) constrói caminhadas. Como agora.
Somos os mesmos e mesmas de ontem. Mas com a grande diferença de nos
sentirmos espiritualmente mais juntos.
- Avante! - Diríamos ao cavaleiro andante.
Nossos dragões existenciais nada mais são que moinhos de vento virtuais!
Tremendo e oscilando, como o fazem espigas de trigo, mas suportando a fúria do
vento, continuamos a crer e amar, minha mãe.
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Poemas

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O Rio

O Rio

Colossal, te conheço
das histórias que contam de teu leito.
da Pororoca e da canoa que te singra num abraço.
És vida e morte que se alternam.
Como é o fio que une a todos nós.
Mas não falam, nunca ouvi, que és também o filho amado
de muitas mães e muitos pais
Que te geram a cada instante
Com suas vidas, seu caudal
Madeira, Purus, Solimões
e tantas águas outras que se perdem na lembrança.
Teu desenhos são as veias que carregam nossa identidade.
A verdejante amada que te envolve, simbiose estupenda
que embala meu cantar.
Companheiro! Filho amado! Patriarca, nos sussurros de Neruda!
"a eternidade secreta das fecundações"
Os teus gritos escutamos e erguemos nossa bandeira:
"Não matem o Amazonas!"
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