kauanoliveira__

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n. 2003 BR BR

Do povo da rua.

n. 2003-12-03, Rio de Janeiro

Perfil
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A natureza faz o homem

Viajar mediante a luz
Pelejar por altos verdes
Imaginar saberes nus
O quão molhada é a sede?

Os labirintos de um pântano
A fragilidade de um graveto
Olho a vida sinto pânico
Do simples, subam as chamas do sossêgo

Da extensão de um monótono azul
Abaixo, um mundo de cores
Da vida de um homem simples que parece sem luz
Dentro, a escuridão reluz ouro

Do macro ao micro
De fora ao dentro
A natureza faz o homem
Mas o homem, ah, eu só lamento
Ler poema completo
Biografia
Carioca, Portela, Flamengo, Comunista. Não necessariamente nessa ordem.

Poemas

10

Só a luta vale a luta

Segue-se o caminho
São odores de verbo
O céu se tornou chão , resquicíos
A mocidade não acompanha o dialeto

A rua grita
O olhar comove
O coração, na surdina
Revolucionou mais um moleque

Os pés são versos
Que só a luta lê
A massa caminhando lento
Quando chegarem, os de lá já terão pago pra ver
176

Mil Dor

Um menor,
Mil raízes.
Uma mão,
Mil cicatrizes.

Um passo,
Mil olhares.
Um movimento,
Mil pesares.

Um neguin,
Mil dores.
Uma cor,
Mil sofredores.
185

Lhe


Ser petrov da esperança
Mensageiro Criador
Terra nova nessa dança
A vida, um sonho de dor

Força dolente
Um sentimento a navegar
Alma insurgente
Tem Pelé e ao mesmo tempo Marajá
192

Mulambo

A morte me visita todo dia
Mas acho que ela sabe que sou filho de Ogum
E mulambo rubro negro
Pois se ela planejou de me matar
Eu não combinei de morrer.
183

Ilusão do amor

Errei, amor
Eu estava perdido na tua ilusão
No falso amor que você plantou no meu coração
Nas linhas tortas que proseiam a minha dor

Agora,
Eu sei que o amor é ferida que sara
Você plantou a semente do seu sorriso na minh'alma
O brio do seu rosto me lembra a mais bela alvorada

Hei, amor,
De demorar pra te esquecer
Lembrar da sua voz, do seu jeito me causa prazer

E quem sabe, querida,
De um dia ver o nosso amor renascer
E desejar mais uma poesia para você
E morar em teus braços
E juntos completar o mais belo quadro
Que jamais um dia imaginei sem você
192

Pra valer o teto - MTST E MLB

Pra valer o teto

São lágrimas que rolam
Em meio ao deserto urbano
De um povo que só existe
Aos olhos de quem tem humanidade

São corpos transeuntes
Acostumados com as avarias da vida
Que derrubam as muralhas de concretos
Em busca da porta de entrada

Êta! Povo tão disposto
Que desconhece amenidades
E vai à luta com gosto
E busca por dignidade

Não possuem teto
Mas suas almas são lares
Disposto a abrigar quem precisa
E travar a luta

Êta! Povo sofredor
Que conhece a dor
Mas a aguenta com amor
E colorem o cinza urbano com cor
200

O começo do fim

O começo do fim,
Da pergunta e resposta,
Ao presente.
No inteperismo do eu.

Ah, a interjeição do pretérito!
Do amanhã sem futuro.
Não há nuances em ser perfeito,
Mas vida em ser humano.

É viver o detalhe do erro,
Ser em si, o si em nós!
Dançar o som da tristeza,
E cantar o tom maior da felicidade.
184

Triste Poeta

Se eu fosse feliz,
Poemas eu não escreveria.
Não há azul nesse mar infeliz,
Jaz a alma que perdeu a rebeldia.

Cuspiu-se a vida nessas linhas,
Todas as notas musicais terminam em dor.
Há frestas nas entrelinhas,
A dor, perde-se a cor.

No céu não brilham os astros,
Meu corpo perdeu a ginga.
Jurou-se o sorriso fosco,
O caminho sem guia.

Meus pés de bamba não sabem mais aonde me levar.
A noite varou o dia,
Mas não terminou em luar.
186

Ode

Do vento que sopra esperança
A vida trôpega que não se aperta
Vive num mar de bonança
Enfeitiçado pelo som da seresta

Jaz o papel da cultura
Pórtico a força da fé
Avesso a estranha censura
Alumiando a maré

Bamba da própria elegância
Que não se deixa levar
Salve a todos do samba
E a força dos orixás
178

Pátria-Varzea

Pátria-Varzea que me abrigou
Nem me permitiu ser sonhador
A única coisa que ela me ensinou
Foi ser vanguarda da dor

Aqui, o bem tem cor
Os de cor, privados são de amor
Como posso sentir os cheiros das rosas
Se meu olfato só me permite sentir o cheiro do sete-meiota

Mãos à mostra temos que andar
Um pinho-sol 4 anos a contar

Olhei para o sol,
Ele se escondeu atrás das nuvens
Passou-se 23 minutos não tinha mais sol
A escuridão tomou conta do céu
Mais um negu inho morreu, sem identidade, ao léu.

Eles usam os olhos para apreciar um artista
Esses mesmos olhos, nas esquinas, nos atravessam como ninjas

Cuidado, menor. 
Se bobear é o novo açoite
Caizão fechado sem direito à justiça
Só mais um! Esse também não era gente fina
194

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