lehrodrigues

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n. 1965 BR BR

"Sou um homem comum que soube dissipar as sombras da alma à luz da poesia"

n. 1965-11-20, São Paulo

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Flor do Éden

Era uma flor delicada plantada
No abril de um lindo jardim
Sem termos no sim
Sem medo do fim
Ou da perfeição
No coração uma brisa suave
Voava com as aves, nunca iria cair

Não havia o rugir de uma fera
Nem espera, nem ilusão
Não havia nenhuma tristeza
Só pureza sem pretensão na paixão

Uma coisa precisava entender
O Éden não podia morrer em você
Uma força te fez esquecer
O Éden era você

Era imensamente linda e ainda
Tão especial
Tinha um amor que te protegia
Da insanidade do mal

Então uma voz na penumbra
Vislumbra-te deixou-te à mercê
Envenenada pela vaidade
A felicidade se fechou pra você
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Poemas

5

Flor do Éden

Era uma flor delicada plantada
No abril de um lindo jardim
Sem termos no sim
Sem medo do fim
Ou da perfeição
No coração uma brisa suave
Voava com as aves, nunca iria cair

Não havia o rugir de uma fera
Nem espera, nem ilusão
Não havia nenhuma tristeza
Só pureza sem pretensão na paixão

Uma coisa precisava entender
O Éden não podia morrer em você
Uma força te fez esquecer
O Éden era você

Era imensamente linda e ainda
Tão especial
Tinha um amor que te protegia
Da insanidade do mal

Então uma voz na penumbra
Vislumbra-te deixou-te à mercê
Envenenada pela vaidade
A felicidade se fechou pra você
178

A Sós Com A Lua

No céu eu posso ver a lua
Brilhando nua faço uma canção
Então derramei uma lágrima quente
No toque plangente do meu violão

Vou te olhar com sentimento
No momento em que estivermos sós
Confiar todos os meus segredos
E os medos que sufocam a voz

Quero elogiar em singela cantiga
Essa doce amiga que mexe com o mar
Fico a admirar sua face atrevida
Com a alma despida exposta ao luar 
     
Derramarei o meu coração triste
Que nunca desiste de externar essa dor
A lua me diz que é dor passageira
Eu fui a primeira a sofrer por amor
153

Desculpe-me

Desculpe-me a injustiça
Minha indignação.
Desculpe-me a suscetibilidade
Minha força de expressão.

Desculpe-me o melindre
A verdade da minha emoção.
Desculpe-me a mediocridade
A inteligência da minha argumentação.

Desculpe-me a autoridade
A minha justa reação.
Desculpe-me a falsidade
O dolo no meu coração.

Desculpe-me o perfeccionismo
Minha falta de perfeição.
Desculpe-me a ambiguidade,
Se minha sinceridade não vira canção.

Desculpe-me a alegria,
Se choro ao invés de sorrir.
Desculpe-me a tristeza,
Se me levanto ao invés de dormir 

Desculpe-me a humildade
Se dorme em mim a altivez
Desculpe-me a indiferença
Que mais parece uma surdez.

Desculpe-me a sensatez
O meu senso sem razão.
Desculpe-me a lucidez,
A loucura no meu coração.

Desculpe-me o despeito
Se não respeito certo abraçar.
Desculpe-me a amizade
Se a falsidade tenta se disfarçar

Desculpe-me a liberdade
Sem a força da restrição
Desculpe-me a verdade
Se a mentira é invenção

Desculpe-me as desculpas
A indulgência da remissão.
Desculpe-me tantas culpas,
Onde desculpa não é perdão

181

Pra Não Esquecer A Liberdade

Sentei à beira de um rio
Senti um vazio
Orei pra você

Indaguei
Porque não entendi
Tanta coisa que vi
E não concordei

Te abri o meu coração
Se ser livre é pecado
Peço perdão

A arrogância
Estendeu sua mão
Com apelos de ordem
De organização

Homem que domina
Homem no poder
Diz que o preço da paz
É se submeter

Homem que domina
Homem faz sofrer
União sem liberdade
É que faz subverter
Viver sem liberdade
É pior do que morrer

Me ensinou
Que a liberdade
Traz felicidade
E alento ao coração

Aí vem alguém
Cheio de vaidade
E diz que a verdade impõe
Cega submissão

Até a flor vinga
Na resistência
E o asfalto liberta
Um broto no chão

Usa de língua macia
Só vê rebeldia
Na justa argumentação
164

Fim Da Civilização (O Último Beijo)

O que é essa convulsão?
Paixão, prurido social
A libido geral
Que nasceu tal nos acordes do rock
No mágico solo de Woodstock

Que espírito é esse
No ar suspenso e tenso?
Caos na ordem universal
Pensamento perigoso
E amoral

Que geração essa minha!
Um estado de anomalias
Que tem anseio romântico
Na terra da utopia

Que visão é essa
Que nina o mal
Na cama do bem?
E que fé comum é essa
Que tão poucos a tem?

Onde mora a dignidade
De quem vive à custa
De uma arma?
De quem o sangue
O parasita não desmama?

Por que na dita seleção natural
A sobrevivência do mais apto
Descarta o amor
Na dimensão do status?

Que juventude é essa
Que se dobra
Á sombra de Mefisto
E se ofusca com o brilho
De Jesus Cristo?

Que força
Acorrenta o bom
Para o deleito do mau
Onde no domínio da noite
Brilha o vil metal?
174

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