Lucas  Garcia

Lucas Garcia

n. 1996 BR BR

n. 1996-08-30

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Soneto agnóstico

Quando chegar-me a Única Certeza
A arrebatar-me dos desejos já cansados
Serei tranquilo, da paz que ora sobeja
Ou irei fazendo birra, perturbado? 

Temerei os fantasmas do passado
Ou seguirei ao bom descanso recolhido?
Sorrir, amar, fazer-me derramado 
Fugir de um Para Sempre arrependido.

Num céu sem nome tenho acreditado 
Orando sempre a um Deus Paz e Sorriso
Que têm aos homens tanto esquecido

E se a carranca for mesmo tão preciso
Eu, que terei a vida inteira delinquido
Sorrirei também no inferno, abençoado.
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Poemas

1

O que fazem as pedras quando não olhamos?

Fico passando ao lado das pedras

Para ver se elas decidem ser coisas.

Alguma coisa ou coisa alguma,

Como o velho Eustáquio dizia que era,

Porque os outros diziam dele,

Ele mesmo fazia era só confirmar,

E pulava bicho.

Pulava sapo,

Pulava gato,

Pulava cabra, mas não era por doidura,

Era porque gostava de ser coisa alguma.

Também jogava pedras

Não nas pessoas, na água.

Doidura é não jogar pedra a água.

Mas não me deixavam, por não querer que eu fosse

Coisa alguma.

Vovó, que não deixava eu jogar pedra na água,

Era mais doida ou menos doida?

Só sei que passo olhando as pedras,

De rabo de olho,

E elas insistem em se fazer de sonsas,

Como é costuma das pedras.

Se eu fosse o Buda, zas!

Era rapidinho essas pedras nasciam gente,

Pulando tudo que é etapa de evolução

Igual uma pipoca metafísica,

Atalhando gerações num pisco.

As pedras do Eustáquio pulavam umas vinte vezes.

As pedras pelas quais eu passo se mantêm imóveis

À moda de pedra, mesmo.

Deve ser porque são pedras,

Ou porque eu não sou Buda,

E Nem o Eustáquio,

Que fazia as pedras pularem na água umas vinte vezes.
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