Lucas  Garcia

Lucas Garcia

n. 1996 BR BR

n. 1996-08-30

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Soneto agnóstico

Quando chegar-me a Única Certeza
A arrebatar-me dos desejos já cansados
Serei tranquilo, da paz que ora sobeja
Ou irei fazendo birra, perturbado? 

Temerei os fantasmas do passado
Ou seguirei ao bom descanso recolhido?
Sorrir, amar, fazer-me derramado 
Fugir de um Para Sempre arrependido.

Num céu sem nome tenho acreditado 
Orando sempre a um Deus Paz e Sorriso
Que têm aos homens tanto esquecido

E se a carranca for mesmo tão preciso
Eu, que terei a vida inteira delinquido
Sorrirei também no inferno, abençoado.
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Poemas

4

Ave!

Os pássaros, com sua voz de manhã
limpa - decerto não fumam -,
me contam seus segredos ancestrais. 
sobrevivem, desde que o mundo é mundo
apesar dos despejos
e prisões sem julgamento 
porque se bastam cantando
com sua voz limpa de manhã.
Decerto não fumam
- e nem se rebelam.
294

Outra versão de um velho mito

Passeio por um quarto 
Gigantesco, repleto
de camas - ou macas.
Pessoas adultas (?) dormem.
Encontro meu leito.
Estou dormindo.
Também eu não sou eu.
300

Modelos

Li na República
a recomendação
de que às crianças não se contassem
os contos dos deuses de outrora
nos quais matavam aos filhos
aos pais
e uns aos outros.
Quão feliz seria Platão
se soubesse que os heróis
e as histórias de seu tempo
são - talvez - menos cruéis
e - talvez - menos violentos
que as histórias e os heróis
aclamados pelos pequenos
daquilo que convém 
chamar-se 
o agora.
327

inorgânico

A pedra
Como é costume da pedra
Não se move a menos
Que uma força incida sobre ela.
O Homem se move 
Pois esbarra nele o mundo.
A pedra é menos pedra
Ao ser movimentada?
O homem é menos homem
Ao respirar, quieto, e bem fundo?
Quando o mundo aperta aquela
O destino é diamante
Quando nesse aperta o calo
- e dói até não doer mais - 
o que sobra é ouro
ou homem
ou nada.

Ou tudo.
290

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