Luciana Souza

Luciana Souza

n. 1971 BR BR

Sou tão pequena que... O que percebo não cabe em mim, então, devolvo parte pro papel.

n. 1971-02-11, São Paulo

Perfil
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Conto


Delicados traços de tinta
Numa tela fresca e viva
Tão diversos os caminhos
Somos como locomotivas
Sopramos morno vapor ao vento

O que em mim tem dessa tinta
É o que me pergunto
De tempos em tempos
E a luz que nunca finda
Ilumina meus pensamentos

O que tenho nas mãos
Senão a mim mesmo
O que posso contar
Senão a minha história
Miro a tela da vida
Rabisco minhas memórias
Ler poema completo
Biografia

OFERENDA POÉTICA


Para você que como eu
Gosta de rimas e versos poéticos
Se encanta com a pessoa exposta
Na borra do papel
Desfruta da intimidade
Que é desvendar o outro
Na brevidade de poucas linhas
E num momento se reconhecer
Em cada coisa que sente
Tal qual o medo, o desejo e a dor
Eu lhe peço que sem nenhum pudor
Aceite minha oferenda poética
Uma coletânea de poesias e crônicas
"Lu Artístico", minha primeira façanha
E para esse humilde destinatário
[email protected]
Envie um pequeno bilhete dizendo assim
Quero "Lu Artístico" para mim
E de bom grado lhe enviarei
Por e-mail o meu primeiro feito
E só o que espero é que goste
E que diga para toda gente que
"Lu Artístico" está disponível na Amazon
E assim findo contente

Poemas

1

Macapá


Chegava assim
Num rompante
Porta adentro
Seu semblante
Era de amargar
E já sem emprego
Só fazia planejar
Sentado no sofá
Cotovelos nos joelhos
Mãos no queixo
Lamentava sem parar
Depois dizia
Hein, Rosa, Macapá
Prometeu-me um emprego
Poderíamos nos mudar
O ano está encerrando
Veremos colégio
E uma casa pra alugar
Hein, Rosa, Macapá
É uma oportunidade
O que custa tentar
Cotovelos nos joelhos
Mãos no queixo
E cuspia as palavras no ar
Hein, Rosa, Macapá
Eu que só ouvia
Com meu irmão media
Com uma régua
A distância do Rio a Macapá
Só havia um mapa
E poucas linhas
Falando do lugar
E tristes, já em desespero
Simulávamos despedidas
Dos amigos que fizemos
E imaginávamos uma vida
No mapa lá em cima
Numa terra distante
Chamada Macapá
E assim seguia a ladainha
Semana adentro
Até que ele esquecia
E nos dava um alento
De que a vida seguiria
Sem maiores sofrimentos
Hoje às vezes lembro
E acho até graça
Da tortura que sofria
E do medo que sentia
De um belo dia
Ter de viver em Macapá
Um lugar tão sem tamanho
Quase fora do mapa
E eu confesso que pensava
Talvez o mar
Que eu gosto tanto
Pudesse lhe afogar
Pra que eu nunca
Corra o risco
De um dia lá morar
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