Luciana Souza

Luciana Souza

n. 1971 BR BR

Sou tão pequena que... O que percebo não cabe em mim, então, devolvo parte pro papel.

n. 1971-02-11, São Paulo

Perfil
26 127 Visualizações

Conto


Delicados traços de tinta
Numa tela fresca e viva
Tão diversos os caminhos
Somos como locomotivas
Sopramos morno vapor ao vento

O que em mim tem dessa tinta
É o que me pergunto
De tempos em tempos
E a luz que nunca finda
Ilumina meus pensamentos

O que tenho nas mãos
Senão a mim mesmo
O que posso contar
Senão a minha história
Miro a tela da vida
Rabisco minhas memórias
Ler poema completo
Biografia

OFERENDA POÉTICA


Para você que como eu
Gosta de rimas e versos poéticos
Se encanta com a pessoa exposta
Na borra do papel
Desfruta da intimidade
Que é desvendar o outro
Na brevidade de poucas linhas
E num momento se reconhecer
Em cada coisa que sente
Tal qual o medo, o desejo e a dor
Eu lhe peço que sem nenhum pudor
Aceite minha oferenda poética
Uma coletânea de poesias e crônicas
"Lu Artístico", minha primeira façanha
E para esse humilde destinatário
[email protected]
Envie um pequeno bilhete dizendo assim
Quero "Lu Artístico" para mim
E de bom grado lhe enviarei
Por e-mail o meu primeiro feito
E só o que espero é que goste
E que diga para toda gente que
"Lu Artístico" está disponível na Amazon
E assim findo contente

Poemas

19

Mutação


Páginas inteiras de solidão
Páginas vazias de multidão
Apenas eu e o eco
Dos meus pensamentos
Sou só, sou frágil
Intangível é o que quero me tornar
E assim me desfaço
De todo o querer
Para enfim me libertar
E poder apenas ser
O que quer que eu venha me tornar
1 021

Disputa


Quanto esforço fazemos
Para não conter nossas almas
Para que o melhor de nós
Saia e se mostre sem
Nenhum impedimento
Na mesma proporção
Da nossa resistência
Quando lá no início
Somos violados em
Nossa rara natureza
Nessa luta constante
Essa medida de força
Entre tantos vícios
E muitas virtudes
982

Vergonha Nacional


Queime! Queime! Queime!
Que os elementos consumam a história.
Que o óbvio se transmute em cinzas anciãs.
E que reste à nossa memória
Apenas vergonha e arrependimento
Por toda a negligência,
Por todo o malfeito,
Pelos que deveriam,
Mas se negam a servir ao público,
Pelos que se esquecem
Que vale mais o que pertence a todos
E que estão à parte
Do que deve ser chamado Humanidade.
437

Macapá


Chegava assim
Num rompante
Porta adentro
Seu semblante
Era de amargar
E já sem emprego
Só fazia planejar
Sentado no sofá
Cotovelos nos joelhos
Mãos no queixo
Lamentava sem parar
Depois dizia
Hein, Rosa, Macapá
Prometeu-me um emprego
Poderíamos nos mudar
O ano está encerrando
Veremos colégio
E uma casa pra alugar
Hein, Rosa, Macapá
É uma oportunidade
O que custa tentar
Cotovelos nos joelhos
Mãos no queixo
E cuspia as palavras no ar
Hein, Rosa, Macapá
Eu que só ouvia
Com meu irmão media
Com uma régua
A distância do Rio a Macapá
Só havia um mapa
E poucas linhas
Falando do lugar
E tristes, já em desespero
Simulávamos despedidas
Dos amigos que fizemos
E imaginávamos uma vida
No mapa lá em cima
Numa terra distante
Chamada Macapá
E assim seguia a ladainha
Semana adentro
Até que ele esquecia
E nos dava um alento
De que a vida seguiria
Sem maiores sofrimentos
Hoje às vezes lembro
E acho até graça
Da tortura que sofria
E do medo que sentia
De um belo dia
Ter de viver em Macapá
Um lugar tão sem tamanho
Quase fora do mapa
E eu confesso que pensava
Talvez o mar
Que eu gosto tanto
Pudesse lhe afogar
Pra que eu nunca
Corra o risco
De um dia lá morar
792

Escultura


Estátuas é o que somos
Frios, rígidos, ásperos
Sem mover uma palha
Por alguém
Encarde o tempo
Nossas almas
Impuras almas de pedra
Quem mandou olhar pra ela
Toda a amargura
Que esculpe em nós
Imensas crateras
737

Tudo o Que Eu Queria


Tudo o que eu queria
Era cavalgar na areia úmida
Sentindo a maresia
Numa tarde colorida
Magenta, carmim
Tudo o que eu queria
Era você e eu sob o luar
Contando estrelas
Que pertencem ao mar
Tudo o que eu queria
Era ter você ao meu lado
Quando acordada
Sem que eu tivesse de sonhar
E poder sentir seu beijo molhado
Seu abraço apertado
Nós dois agarrados
Gozando o mar
453

Já Chega


Chega!
Basta!
Não quero mais!
Não é pirraça
Só não quero mais
Já esqueci
Não lembro mais
Agora chega
Não quero mais
Tem sal no mar
Mas não de mais
Tempero é bom
Eu quero mais
Te amo muito
Até demais
Me dê um beijo
Eu quero amor
E muita paz
453

Vaga Lembrança


Assim escondida
Carregando o peso
De coisas adquiridas
Umas doces, já outras
Trançadas de lembranças
Às vezes perdidas
Memórias decoradas
Recordações lustradas
Eis que me encontro
Quem sou eu?
Já me esqueci
674

Vale a Pena


Noites difíceis
Dias piores
Eis a arte de torturar
Coisas estranhas fazemos
Porque temos medo
Do amor não bastar
Mas chega o momento
De nos enfrentar
De encararmos a morte
Para não vivermos sem notar
Que a vida é curta
E vale a pena amar
565

Boa


Pensar numa coisa boa…
Talvez lona de circo
Barulho de escola
É, isso te incomoda?
Que tal sorvete
Caminhar na areia quente
São tantas coisas
Mas tão poucas te consola
Como pipoca no cinema
Ou vendo televisão
Lua cheia
Cheiro de maresia
Brincar com louça antiga que exala
O cheiro de um valor guardado
Ou deitar ao meio dia
À sombra de um estábulo
E como um burro desenganado
Se render às coisas boas
Pensar apenas em agrado
838

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.