Para você que como eu Gosta de rimas e versos poéticos Se encanta com a pessoa exposta Na borra do papel Desfruta da intimidade Que é desvendar o outro Na brevidade de poucas linhas E num momento se reconhecer Em cada coisa que sente Tal qual o medo, o desejo e a dor Eu lhe peço que sem nenhum pudor Aceite minha oferenda poética Uma coletânea de poesias e crônicas "Lu Artístico", minha primeira façanha E para esse humilde destinatário [email protected] Envie um pequeno bilhete dizendo assim Quero "Lu Artístico" para mim E de bom grado lhe enviarei Por e-mail o meu primeiro feito E só o que espero é que goste E que diga para toda gente que "Lu Artístico" está disponível na Amazon E assim findo contente
Páginas inteiras de solidão Páginas vazias de multidão Apenas eu e o eco Dos meus pensamentos Sou só, sou frágil Intangível é o que quero me tornar E assim me desfaço De todo o querer Para enfim me libertar E poder apenas ser O que quer que eu venha me tornar
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Disputa
Quanto esforço fazemos Para não conter nossas almas Para que o melhor de nós Saia e se mostre sem Nenhum impedimento Na mesma proporção Da nossa resistência Quando lá no início Somos violados em Nossa rara natureza Nessa luta constante Essa medida de força Entre tantos vícios E muitas virtudes
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Vergonha Nacional
Queime! Queime! Queime! Que os elementos consumam a história. Que o óbvio se transmute em cinzas anciãs. E que reste à nossa memória Apenas vergonha e arrependimento Por toda a negligência, Por todo o malfeito, Pelos que deveriam, Mas se negam a servir ao público, Pelos que se esquecem Que vale mais o que pertence a todos E que estão à parte Do que deve ser chamado Humanidade.
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Macapá
Chegava assim Num rompante Porta adentro Seu semblante Era de amargar E já sem emprego Só fazia planejar Sentado no sofá Cotovelos nos joelhos Mãos no queixo Lamentava sem parar Depois dizia Hein, Rosa, Macapá Prometeu-me um emprego Poderíamos nos mudar O ano está encerrando Veremos colégio E uma casa pra alugar Hein, Rosa, Macapá É uma oportunidade O que custa tentar Cotovelos nos joelhos Mãos no queixo E cuspia as palavras no ar Hein, Rosa, Macapá Eu que só ouvia Com meu irmão media Com uma régua A distância do Rio a Macapá Só havia um mapa E poucas linhas Falando do lugar E tristes, já em desespero Simulávamos despedidas Dos amigos que fizemos E imaginávamos uma vida No mapa lá em cima Numa terra distante Chamada Macapá E assim seguia a ladainha Semana adentro Até que ele esquecia E nos dava um alento De que a vida seguiria Sem maiores sofrimentos Hoje às vezes lembro E acho até graça Da tortura que sofria E do medo que sentia De um belo dia Ter de viver em Macapá Um lugar tão sem tamanho Quase fora do mapa E eu confesso que pensava Talvez o mar Que eu gosto tanto Pudesse lhe afogar Pra que eu nunca Corra o risco De um dia lá morar
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Escultura
Estátuas é o que somos Frios, rígidos, ásperos Sem mover uma palha Por alguém Encarde o tempo Nossas almas Impuras almas de pedra Quem mandou olhar pra ela Toda a amargura Que esculpe em nós Imensas crateras
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Tudo o Que Eu Queria
Tudo o que eu queria Era cavalgar na areia úmida Sentindo a maresia Numa tarde colorida Magenta, carmim Tudo o que eu queria Era você e eu sob o luar Contando estrelas Que pertencem ao mar Tudo o que eu queria Era ter você ao meu lado Quando acordada Sem que eu tivesse de sonhar E poder sentir seu beijo molhado Seu abraço apertado Nós dois agarrados Gozando o mar
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Já Chega
Chega! Basta! Não quero mais! Não é pirraça Só não quero mais Já esqueci Não lembro mais Agora chega Não quero mais Tem sal no mar Mas não de mais Tempero é bom Eu quero mais Te amo muito Até demais Me dê um beijo Eu quero amor E muita paz
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Vaga Lembrança
Assim escondida
Carregando o peso
De coisas adquiridas
Umas doces, já outras
Trançadas de lembranças
Às vezes perdidas
Memórias decoradas
Recordações lustradas
Eis que me encontro
Quem sou eu?
Já me esqueci
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Vale a Pena
Noites difíceis Dias piores Eis a arte de torturar Coisas estranhas fazemos Porque temos medo Do amor não bastar Mas chega o momento De nos enfrentar De encararmos a morte Para não vivermos sem notar Que a vida é curta E vale a pena amar
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Boa
Pensar numa coisa boa… Talvez lona de circo Barulho de escola É, isso te incomoda? Que tal sorvete Caminhar na areia quente São tantas coisas Mas tão poucas te consola Como pipoca no cinema Ou vendo televisão Lua cheia Cheiro de maresia Brincar com louça antiga que exala O cheiro de um valor guardado Ou deitar ao meio dia À sombra de um estábulo E como um burro desenganado Se render às coisas boas Pensar apenas em agrado