Poemas
6Desperta, ardor!
Enobrecem suas hostis faces
Concedem o novo ensaio
Para dias de meretriz
Desfilam preces em avenidas
Atrasados para o próximo espetáculo
Vestes escolhidas a mão
Trajando ternos e fantasias
Em cenas de outrem
Rezam a importância do despertar
Pela cama a desdobrar seus corpos
Cansados como o couro do açoite
Figurantes da sociedade
Narram a história
Sem saber o autor.
Hemorragia
Um gole de cada espaço
E o vazio dança feito criança
Pernas tortas e persistentes
Desfazem-se nós
De longe escorre a pureza
Em paredes invisíveis
O chão pisado em murmúrios
Cala a voz ao que sente
Um pé a frente
A volta se desfaz
Como retórica apagada
Do novo vocabulário.
Obsessão
Solidão
No leito da sala
Aguardando que o vinho não me deixe
Nessas madrugadas onde cada gole exala meu confronto cotidiano.
Látego
Esperei que os homens miseráveis fossem frágeis
Para que o açoite driblasse as camadas da insensatez
A carne corrompesse o flagelo do peito
E em leito, a do rpararia de bater
Esperei que os homens calmos dissessem ternuras
Dessas de escreverem paredes vitorianas
Mas a flecha atinge crua
E depois, nua
Exclama
Esperei que os homens vistosos fossem bons
E os mal apessoados amariam
Não em tramas de sertão
Nem labaredas incessantes
Apenas botariam a mesa
Numa prosa elegante
Esperei por poetas,pintores, amantes
Mas o amor iniciante, disse-me logo
Acalma-te, são todos tardios, corrompidos
Instantes.
Comentários (1)
É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?