Quem mi dera encontrar a história perfeita Sem inicio, meio ou fim; sem repetições de cenários Apenas atos de verdade, de coragem sem medo Da verdadeira paixão refletida em seus olhos
Preenchida de toda a dor e toda alegria Não a dor vazia da humanidade Tão pouco a sua alegria comedida Sempre quero mais para a minha vaidade
Que todos os dias sejam dias de fúria E as noites...fogueiras de paixões Esquecendo o flagelo da meia duvida
Mas é tudo tão vão como essas palavras Que lidas sem o calor das emoções É como um Adeus para quem já se foi...
Quando em um bello domingo. E de sua porta vier o chamado de um mendigo Deixe os sorrisos e abraços em família Desapegue-se um pouco dos amores que vigia
Não se espante com a figura grotesca São os dissabores que levam a histórias dantescas O suor de sua face e todos os seus maus odores Triste desenlace de dores e amores
Ele será rápido e direto ao implorar De sua boca o amargor de falar Um pedaço de pão velho para a fome matar
Dê a ele o que ele pediu... e nada mais Para que ele não volte querendo carnavais Como todos têm de ti os mesmo gestos celestiais
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Solitude
Na solidão da alma si renova No amanhecer nosso de todo dia Essa escolha minha que chora Pelo doce olhar que pedia
E ainda mi pede pela paz Mas mi mostra as mãos vazias E na sombra da ida jazias O meu coração aos cães faz
Abrace essa sua vil solidão Como quem abraça o próprio tempo E nas horas vazias que são
Guarde nessa hora o que mi resta Nessa dedicatória de lamento Quando a um cigarro eu mi rimo
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Lágrimas escondidas
Cada dia é mais penoso tecer Os nós que se amarram estão fortes Cada dia o novelo de lã a ti prender Começou como gata a pura sorte
Agora, o que tens? Ou não falta ter? Nesse desenlace louco teu de morte O desespero cálido da noite norte Guia os meus passos para ti perder
Caia no mar e volte a si ter O destino escrito nesse trote Vai apenas ti magoar e mi arder
E quando tudo for mais fundo Grite ao mundo mudo e imundo Que o teu coração vagabundo e de outro fecundo
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Quando fores ao mar
Quando fores ao mar Desenhe na beira Onde as ondas se desfazem Desenhe... Mas não qualquer desenho Desenhe o meu coração Senta-te e observe E veja as ondas apagarem uma a uma Depois... Si abrace ao mar E em suas águas salgadas De tantas lágrimas de saudades Derrubadas em suas águas Se ainda restar alguma... Derrames as últimas E lave a sua alma nelas
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Despedida
Nessa tarde de sábado Nas areias da Paragem das Conchas Faça desse rio sinuoso que morre ao mar Um minuto de silêncio... Em honra aos sinos que dobram De tudo que já foi De tudo que há de oculto De tudo que findará Conte os grãos das areis que pisas E não chegará Aos versos de despedida que já fiz...
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Domingo em Santos
Dize-me se nesses longos domingos Malditos dias que não acabam há meses Se tudo que si pede não são gritos Senta-te no meu colo e premasses
Calada como gata a espiar por horas A presa idiota que se curva em silêncio E si entrega na rosa de teu suar De teu corpo faminto de gozar a noite
Erva daninha vil que devoras Demônio de meus desejos brados Agora te vejo em sombras de nada, tudo é frágil
Já gritei, já ti possui por noites Mas os caminhos de outrora não são os mesmos Só mi resta às curvas de Santos e não as suas...
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Procure-me e mi acharás em sua mente
O teu pedido amiga de ontem É frio como a trágica mentira Trairás a confianças de quem? Nesse falsa fachada de moça
Os divinos dias teus se prestarem para isso Pedido de ajuda de loucos escutaste Na mocidade de teus olhos perdidos Viste o quê? Sou mais velho que o mundo
Caído dos céus e augusto escolhido Nos teus olhos só há culpa pela falsidade Confesso só a Deus, e ele em nada mi culpa
Vil rosa ariana que em silêncio ocultas Veio, viu e não soube nada, nada Cala-te, quando eu sair deixarei o pó de minhas sandálias
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O Festival da Carne Brazileira
O Festival da Carne "Brazileira"
Vestidos que despidos são os vazios Encanto decantado deste "brasios" Ave-do-paraíso desplumada Perdes os doces ares de "amada"
Seios seus fartos da amostra Se o seu preço banal é o olhar... Cobiça, inveja do vazio gozar De todos, o meu apreço se prostra
É só meu na hora sagrada morta Entendera só a de nossa Horta Meu pecado velado às escuras
Que conheces a rosa a honrar Em segredo gemido de bradar De joelhos sente tremer as coxas suas
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A moda antiga de decantar
Trago-ti o odor dos doces cravos Que nessa vagarosa caminhada Colhi pelo meu trajeto tão caro Entrego-mi aos pés seus amada
Quando meus olhos repousam Só vejo a nossa solidão nua Exposta aos outros que nos magoam Nos gestos tão amargos na voz sua
Trago-ti o odor dos doces cravos Que prendeu os sentidos seus aos meus Nessa manhã de sol e nuvens em breus
Trago-ti o odor dos doces cravos Que ao envenenar a minha alma Deram-mi o teu amor em vã brasa
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Ao teu lado
Hoje teus olhos veem o que o teu coração sente O mesmo aconchego do primeiro dia ti ofereço Deixa a tua boca senti o gosto que tu temes Quero todo carinho roubado do teu corpo
Senta-te no meu colo que és o teu abrigo Não há tempo para cerimônias, ou jogos de cena Dispa-se de tudo, não só da tua roupa Sabes que não precisa dizer nada
Acalma-te, esqueça o mundo lá fora Só preciso saber da verdade que vi Teu próprio sangue me disse
Bem ao lado de onde brotaram as flores E de onde roubaste o melhor de mim Senta-te no meu colo que és o teu abrigo