A lucidez da loucura
Não há saudade sem tormento
Finitude sem nostalgia
Ou amor sem sustento
Não há saudade sem tormento
Finitude sem nostalgia
Ou amor sem sustento
Entrego o meu corpo
Ao desejo violento de teconsumir
Como se em cada membro
Povoasse o apetite voraz dete ter
Unicamente em mim
Esta vontade selvagem
Criada no verde dos meusolhos
Que reflecte o tom douradoda tua pele
Que suada me desperta oinstinto de te vincar
Demarcando linhas e caminhosnum corpo
Que só eu sei decifrar
Nomeu corpo vivem
Todasas formas das tuas mãos
Quandoem movimentos lentos
Retomocada gesto que me encheu
Ecada lugar nunca antes habitado
Porter sido a ti que entreguei uma pele sem véu
Estousempre a ouvir-te
Emfrases e perguntas
Umasque fizeste e outras que ficaram por fazer
Játentei na minha mente calar-te
Masesse vazio foi mais triste que o silêncio
Escolhoo sabor doce das tuas palavras
Queme sustentam e escoram
Esobre o linho da noite
Meaconchegam
Fatigado,o corpo deixo-o cair por entre os véus
Comos braços prostrados sobre o ventre
Assimpermaneço
Semque o tempo ocupe espaço
Osolhos deixo-os seguirem o seu rumo
Comoa folhagem de Outono também eles caem e se fecham
Nãosei se acordada ou a dormir
Reclinoa cabeça deixando os cabelos caídos pelo chão
Sonho
Viajopara uma noite de Verão em que o horizonte te traz
Econtigo vem toda a vontade e loucura
Quetornou a distância vazia
Oua estrada um paralelo que se cruza
Contigovieram histórias e narrativas
Dúvidasque metamorfoseamos em verdade
Mãosque se tornam asas
Egestos incessantes que depravam, viciam e seduzem
Contigoveio também o destempero
Dequerer consumir num momento
Tudoaquilo que não cabe numa vida
Um dia prometo voltar aofundo do mar
Apenas para lá deixarescrita a palavra
Que descobrirá otesouro mais bem guardado
Aquele a que atribuo maiorvalor
Aí nascer-me-ão as asas
Que me levarão ao teuencontro
Esse será o dia em queacordar
E permanecerei com os olhosfechados
Deixando-me ficar no leito
Onde não temo amar-teplenamente
De tudo e de nada te escrevoum poema
Poema que encho de palavras
Palavras com alma cheia
Cheia como a Lua
Lua que brilha nos teusolhos
Olhos que se mareiam de sal
Sal que fica nos lábios
Onde te bebo até à últimagota.
Decorpos encostados
Procuroo segredo do teu cheiro
Enquantocom a ponta dos teus dedos
Seguesa linha do meu corpo
Pedes-mesilêncio sem o murmurar
Parareteres a continuidade do horizonte
Quesepara o corpo embebido no teu
Ea alma se entrelaça na tua
Sinto-metoda na concha das tuas mãos
Noteu peito um porto de abrigo
Peço-tenum suspiro para em ti ficar
Seique me ouves quando em mim
Contemplaso sorriso que vês apenas na alma
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