Madalena Palma

Madalena Palma

n. , Beja

Perfil
23 368 Visualizações

A lucidez da loucura

Não há saudade sem tormento

Finitude sem nostalgia

Ou amor sem sustento

Ler poema completo

Poemas

23

Fado

Que te ditam os meus versos
Quando me pedes para te escrever um poema?
Que pele reveste a tua alma
Quando na escrita me encontras?
Que sentimento é este que soa
Por entre as cordas da guitarra?
Um amor lento de final de tarde?
Um olhar quase cansado e caído
Por entre os véus da noite?
Uma lágrima que encontra
Conforto nos lábios que afagas?
Um grito de amor
Numa garganta muda?
Que alma é esta que te procura
No adiar dos dias
E que mata a sede
No teu corpo cevado?
Que pesar este o de te amar
Numa demora que não é a minha
Nesta folhagem de Outono
Quando é de azul-mar que te matizo?
Que sentimento é este
Vivido intensamente nestes dias partidos
Repletos de partidas e chegadas
De abraços e de confissões?
Que amor é este que de tanto se querer
Tudo tem para dar?
Que paixão é esta que não pesa na alma
E liberta o espírito
Sempre que de sorriso te revivo
Serás tu alma igual à minha
Que sente nas veias este fado?
1 282

Entrego

Entrego o meu corpo

Ao desejo violento de te consumir

Como se em cada membro

Povoasse o apetite voraz de te ter

Unicamente em mim

Esta vontade selvagem

Criada no verde dos meus olhos

Que reflecte o tom dourado da tua pele

Que suada me desperta o instinto de te vincar

Demarcando linhas e caminhos num corpo

Que só eu sei decifrar

1 032

Em mim

No meu corpo vivem

Todas as formas das tuas mãos

Quando em movimentos lentos

Retomo cada gesto que me encheu

E cada lugar nunca antes habitado

Por ter sido a ti que entreguei uma pele sem véu

1 055

Ouço-te

Estou sempre a ouvir-te

Em frases e perguntas

Umas que fizeste e outras que ficaram por fazer

Já tentei na minha mente calar-te

Mas esse vazio foi mais triste que o silêncio

Escolho o sabor doce das tuas palavras

Que me sustentam e escoram

E sobre o linho da noite

Me aconchegam

1 076

Corpo cansado

Fatigado, o corpo deixo-o cair por entre os véus

Com os braços prostrados sobre o ventre

Assim permaneço

Sem que o tempo ocupe espaço

Os olhos deixo-os seguirem o seu rumo

Como a folhagem de Outono também eles caem e se fecham

Não sei se acordada ou a dormir

Reclino a cabeça deixando os cabelos caídos pelo chão

Sonho

Viajo para uma noite de Verão em que o horizonte te traz

E contigo vem toda a vontade e loucura

Que tornou a distância vazia

Ou a estrada um paralelo que se cruza

Contigo vieram histórias e narrativas

Dúvidas que metamorfoseamos em verdade

Mãos que se tornam asas

E gestos incessantes que depravam, viciam e seduzem

Contigo veio também o destempero

De querer consumir num momento

Tudo aquilo que não cabe numa vida

1 182

Ao teu encontro

Um dia prometo voltar ao fundo do mar

Apenas para lá deixar escrita a palavra

Que descobrirá o tesouro mais bem guardado

Aquele a que atribuo maior valor

Aí nascer-me-ão as asas

Que me levarão ao teu encontro

Esse será o dia em que acordar

E permanecerei com os olhos fechados

Deixando-me ficar no leito

Onde não temo amar-te plenamente

1 037

Poemas

De tudo e de nada te escrevo um poema

Poema que encho de palavras

Palavras com alma cheia

Cheia como a Lua

Lua que brilha nos teus olhos

Olhos que se mareiam de sal

Sal que fica nos lábios

Onde te bebo até à última gota.

1 111

Aroma

De corpos encostados

Procuro o segredo do teu cheiro

Enquanto com a ponta dos teus dedos

Segues a linha do meu corpo

Pedes-me silêncio sem o murmurar

Para reteres a continuidade do horizonte

Que separa o corpo embebido no teu

E a alma se entrelaça na tua

Sinto-me toda na concha das tuas mãos

No teu peito um porto de abrigo

Peço-te num suspiro para em ti ficar

Sei que me ouves quando em mim

Contemplas o sorriso que vês apenas na alma

871

A lucidez da loucura

Não há saudade sem tormento

Finitude sem nostalgia

Ou amor sem sustento

1 151

Nascer de ti

Queria esquecer quem fui

Apagar todas as pegadas

Desprezar todos os nomes

Queria viver sem memórias

E nascer na tua boca

Sempre que me pronunciasses

Queria renascer como Vénus

Na concha das tuas mãos

Nos teus lábios brotar

Toda a minha alma

Repleta de ti

1 085

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.