Madalena Palma

Madalena Palma

n. , Beja

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A vulva

Percorro o teu corpo com alíngua

Recolho os teus fluidossaboreando cada um

A vulva envolta emmovimentos avulsos

Sorve com sofreguidão osabor do teu sexo

É nos meus ombros que queroas tuas mãos

Quando te oferto o meu torsoe toda a minha vontade de te sentir

Os cabelos são rédeas presasque regem a nossa vontade

Os mamilos, esses roço-os nocetim que húmido se forma no nosso mar de deleite.

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Poemas

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Fado

Que te ditam os meus versos
Quando me pedes para te escrever um poema?
Que pele reveste a tua alma
Quando na escrita me encontras?
Que sentimento é este que soa
Por entre as cordas da guitarra?
Um amor lento de final de tarde?
Um olhar quase cansado e caído
Por entre os véus da noite?
Uma lágrima que encontra
Conforto nos lábios que afagas?
Um grito de amor
Numa garganta muda?
Que alma é esta que te procura
No adiar dos dias
E que mata a sede
No teu corpo cevado?
Que pesar este o de te amar
Numa demora que não é a minha
Nesta folhagem de Outono
Quando é de azul-mar que te matizo?
Que sentimento é este
Vivido intensamente nestes dias partidos
Repletos de partidas e chegadas
De abraços e de confissões?
Que amor é este que de tanto se querer
Tudo tem para dar?
Que paixão é esta que não pesa na alma
E liberta o espírito
Sempre que de sorriso te revivo
Serás tu alma igual à minha
Que sente nas veias este fado?
1 286

Entrego

Entrego o meu corpo

Ao desejo violento de teconsumir

Como se em cada membro

Povoasse o apetite voraz dete ter

Unicamente em mim

Esta vontade selvagem

Criada no verde dos meusolhos

Que reflecte o tom douradoda tua pele

Que suada me desperta oinstinto de te vincar

Demarcando linhas e caminhosnum corpo

Que só eu sei decifrar

1 034

Em mim

Nomeu corpo vivem

Todasas formas das tuas mãos

Quandoem movimentos lentos

Retomocada gesto que me encheu

Ecada lugar nunca antes habitado

Porter sido a ti que entreguei uma pele sem véu

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Ouço-te

Estousempre a ouvir-te

Emfrases e perguntas

Umasque fizeste e outras que ficaram por fazer

Játentei na minha mente calar-te

Masesse vazio foi mais triste que o silêncio

Escolhoo sabor doce das tuas palavras

Queme sustentam e escoram

Esobre o linho da noite

Meaconchegam

1 077

Corpo cansado

Fatigado,o corpo deixo-o cair por entre os véus

Comos braços prostrados sobre o ventre

Assimpermaneço

Semque o tempo ocupe espaço

Osolhos deixo-os seguirem o seu rumo

Comoa folhagem de Outono também eles caem e se fecham

Nãosei se acordada ou a dormir

Reclinoa cabeça deixando os cabelos caídos pelo chão

Sonho

Viajopara uma noite de Verão em que o horizonte te traz

Econtigo vem toda a vontade e loucura

Quetornou a distância vazia

Oua estrada um paralelo que se cruza

Contigovieram histórias e narrativas

Dúvidasque metamorfoseamos em verdade

Mãosque se tornam asas

Egestos incessantes que depravam, viciam e seduzem

Contigoveio também o destempero

Dequerer consumir num momento

Tudoaquilo que não cabe numa vida

1 185

Ao teu encontro

Um dia prometo voltar aofundo do mar

Apenas para lá deixarescrita a palavra

Que descobrirá otesouro mais bem guardado

Aquele a que atribuo maiorvalor

Aí nascer-me-ão as asas

Que me levarão ao teuencontro

Esse será o dia em queacordar

E permanecerei com os olhosfechados

Deixando-me ficar no leito

Onde não temo amar-teplenamente

1 039

Poemas

De tudo e de nada te escrevoum poema

Poema que encho de palavras

Palavras com alma cheia

Cheia como a Lua

Lua que brilha nos teusolhos

Olhos que se mareiam de sal

Sal que fica nos lábios

Onde te bebo até à últimagota.

1 114

Aroma

Decorpos encostados

Procuroo segredo do teu cheiro

Enquantocom a ponta dos teus dedos

Seguesa linha do meu corpo

Pedes-mesilêncio sem o murmurar

Parareteres a continuidade do horizonte

Quesepara o corpo embebido no teu

Ea alma se entrelaça na tua

Sinto-metoda na concha das tuas mãos

Noteu peito um porto de abrigo

Peço-tenum suspiro para em ti ficar

Seique me ouves quando em mim

Contemplaso sorriso que vês apenas na alma

873

A lucidez da loucura

Não há saudade sem tormento

Finitude sem nostalgia

Ou amor sem sustento

1 155

Nascer de ti

Queriaesquecer quem fui

Apagartodas as pegadas

Desprezartodos os nomes

Queriaviver sem memórias

Enascer na tua boca

Sempreque me pronunciasses

Queriarenascer como Vénus

Naconcha das tuas mãos

Nosteus lábios brotar

Todaa minha alma

Repletade ti

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