A lucidez da loucura
Não há saudade sem tormento
Finitude sem nostalgia
Ou amor sem sustento
Não há saudade sem tormento
Finitude sem nostalgia
Ou amor sem sustento
Todaa poesia que escrevo
Éarrancada da alma
Degume afiado abro o peito
Ederramo todas as palavras
Asque doem caem duras no chão
Asque magoam não replicam
Hátambém os versos de alento
Eas palavras de amor
Essasespalho-as pelo corpo
Paraque a tua língua as recolha
Eem ti permaneçam
Semque eu as tenha dito
Percorro o teu corpo com alíngua
Recolho os teus fluidossaboreando cada um
A vulva envolta emmovimentos avulsos
Sorve com sofreguidão osabor do teu sexo
É nos meus ombros que queroas tuas mãos
Quando te oferto o meu torsoe toda a minha vontade de te sentir
Os cabelos são rédeas presasque regem a nossa vontade
Os mamilos, esses roço-os nocetim que húmido se forma no nosso mar de deleite.
Masturbaré uma forma de arte
Éconduzir ao centro do corpo
Osdedos que teimosamente escorregam
Carregame esfregam os lábios que não falam
Aquelesque apenas emitem prazer e desejo
Eque sorvem num simples gesto a energia dos corpos.
Trepamos vales e as ondas do corpo
Caminhandoextasiados e inebriados pelo odor do sexo
Empurradospor uma mão febril
Queincessante e sem dubiedade avança
Aprisionandonum único gesto todo aquele mar
Noslábios das palavras sacia todo o prazer
Deitandona língua os fluidos emanados pelo sexo
Extinguindoo fogo, a febre e o desejo
Cobrindosuavemente os lóbulos da boca
Paracom a língua recolher
Odesfalecimento dos espasmos que o corpo ainda liberta
Anoite adormece as palavras gritadas
Àbeira dos lábios ficam apenas os vocábulos mudos
Diálogoscalados e taciturnos
Prolongamlongos momentos emudecidos
Aplacidez do corpo retém ensejos
Numatranquilidade indubitável
Atua voz entoa em tom suave
Palavrassoltas que ficaram…
Comvocábulos curtos ou frases longas
Soucapaz de refazer cada diálogo
Quecom as palavras dissemos
Oucom os corpos compusemos
Massão os teus beijos…
Osteus lábios no quente da minha pele
Queme cerram os olhos
Adormecendo-me
Nocalor do teu regaço
Adormeçocom os músculos tensos
Talvezrendida pelo cansaço mental
Porqueo do corpo não se nota ainda.
Acordouma hora depois
Comose tivesse dormido dois dias seguidos.
Olhoo relógio e vejo-me ainda no mesmo dia,
Nomesmo tempo,
Quase,no mesmo instante.
Penso:e agora?
Agora,levanta-te.
Écaminhar que quero,
Seguirao teu encontro.
Descobrir-teno meio das dunas
Numapraia ao início da noite.
Ver-tesentado a olhar o mar,
Desorriso casto nos lábios
Sentindoa minha chegada.
Voucaminhar ao teu encontro,
Sentindoo corpo cada vez mais cansado.
Ospassos cada vez mais pesados
Atéque de joelhos caio ao teu lado,
Enum só gesto descanso a cabeça nas tuas mãos.
Eali com o som do mar
Ocheiro das algas e o bater do teu coração
Embalonuma viagem.
Fechoos olhos novamente abandonando-me em ti.
Conduz-menesta caminhada
Leva-mepara onde ninguém nos saiba
Eonde te possa simplesmente amar.
Um dia liberto o que tenhopreso
Nesse momento, na noitenasce o Sol
Ou no dia se fará escuridão
Um dia pronuncio o teu nomesempre que te penso
Nesses momentos sentirás natua pele uma marca
Ou as sentirás apenas no teuespírito
Um dia passarei com os meusdedos no teu corpo
E desfolharei cada camada depele
Como se a tua históriaquisesse ler
Nesse momento recostar-me-ei
E esperarei por ti até queadvenhas
Não nesta vida mas noutra
Naquela que o destino nostraçou
Porque o que nos une
Trespassa tudo o que sealcança
E vai muito além datrivialidade da vida
Omeu sorriso vem na tua voz
Enroladonas palavras
Remeto-mepara um canto
Ondeuno os joelhos aos lábios
Efechada em mim
Recuperotudo o que contigo vivi
Ecoamvocábulos
Quepercorrem o interior do meu corpo
Estás-mena pele
Etal como nas searas tomas o lugar do vento
Eno mar abraças as marés
Emmim congregas a alma
Deum ser que se entrega inteiro
Estoucansada de ser mulher
Esgotadade ser aquela que os homens procuram
Paraviver momentos de prazer
Estoucansada de ser carne e gozo
Fatigadade ser um ser vazio e sem alma
Deser fonte de desejo e de não beijar
Estoufarta de mandar embora da minha vida
Quemnunca deixei verdadeiramente entrar
Estousem sangue frio nas veias
Paraimplacavelmente continuar a ser mulher
Anoite de todas as noites será aquela em que te disser: Amo-te
Seráo dia de todos os dias em que reunirei num abraço o amor
Seráa noite em que todas as estrelas do céu nos iluminarão
Enuma cortina de luz nos protegerão a imutabilidade do instante
Anoite de todas as noites será aquela em que o tempo não importará
Emque o mundo parará de pulsar e no céu as nuvens não surgirão
Seráo dia em que congregaremos em todos os gestos a paixão que nos apega
Nanoite de todas as noites abrir-te-ei a minha alma
Depeito aberto, sem pesos e assente em ti revelar-te-ei todo o meu sentimento
Oamor que me enche o espírito e me rasga os lábios
Ea pele que me reveste a derme que tem o teu nome tatuado em cada célula
Nanoite de todas as noites abrir-te-ei as minhas asas cobrindo-te o corpo
Edemonstrar-te-ei que o meu voo livre está na concha das tuas mãos.
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