A lucidez da loucura
Não há saudade sem tormento
Finitude sem nostalgia
Ou amor sem sustento
Não há saudade sem tormento
Finitude sem nostalgia
Ou amor sem sustento
Demora-te
nos meus lábios
Todo
o tempo do mundo
Aquele
que usamos e não gastamos
Sempre
que nos entregamos
Deixa-te
ficar na minha pele
E
faz da tua ausência sempre presença
Hoje
sonhei-te
Sonhei-me
nos teus lábios
Em
conversas infinitas
Eu
apenas ouvia
Apenas
me ouvia nas tuas palavras
Sentada
à tua frente com as mãos em concha no teu regaço
Estava
frio
Lá
fora a chuva batia na janela
E
o vento assobiava por entre as folhas das árvores
No
meu quarto estava calor
Quase
eram visíveis as ondas de calor que os nossos corpos libertavam
As
conversas fluíam incessantes
Apenas
nos teus lábios
Os
meus apenas sorriam e riam
E
aparavam as lágrimas
As
tuas mãos acetinadas afagaram-me o rosto
Fecho
os olhos sempre que conduzes esse gesto
Talvez
para reter também o calor da tua mão no interior da minha alma.
Nos
teus lábios tens pérolas de tempo
Janelas
abertas de brisas frescas
E
uma crescente claridade luzente
Quando
partes levas os meus lábios nos teus
E
com eles furtas-me o silêncio
Deixando-me
a tua voz no meu peito
Da
minha boca levas a palavra que te digo
A
todos os instantes que o silêncio impera
Entre
o castanho e o verde do nosso olhar
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