Rachadura
Tudo morreu soterrado,
Acabou a minha plantação,
Os vizinhos presos no solo com água,
Pagaram a sentença errada,
Destinada a quem não tinha nada.
No início era difícil correr,
Daquela lama misturada.
Telhados de casas sendo levados,
Pela ganância, egoísmo e cinismo,
De donos da empresa ricos ...
O pior é a incerteza certa,
De que meu filho naquele solo está,
Em algum lugar,
E dificilmente vou achar...
A indiferença dói,
Ela arde,
Ela queima,
E pior, é saber,
Que novamente este desastre virá a ocorrer!
E não há nada, que eu possa fazer ...
Meu filho some,
Está morto.
E junto, quatrocentos mais ...
Cadê a Justiça que apenas a alguns satisfaz?
Pensava
Estava sentada numa cadeira, pensando sobre como seria o futuro, do meu país, e do Mundo. Um jornalista estava sentado num banco, pensando sobre sua ideologia política em relação às novas ideologias agregadas pelo seu país e pelo seu presidente, e a relação que essas ideias e ideais têm com o exterior. Uma professora estava sentada na cadeira de uma sala de aula, a mesma vazia, enquanto pensava sobre como seria a próxima aula que daria, que pensamento crítico desenvolveria em seus alunos, para que sejam um novo bom futuro.
Alguns anos atrás, um jovem estava sentado no meio-fio de uma rua, pensando em como faria um protótipo de uma inovadora tecnologia, que mudaria o rumo do Mundo. Pouco antes, estava sentado numa velha cadeira de madeira, um Sr., em sua frente, uma máquina de escrever, e pensava em um novo ponto de vista, e como relataria esta nova visão em sua obra.
Muitos anos antes, estava sentada uma jovem química, e pensava em como faria algo incrível com seu conhecimento. Muitos anos antes, um brilhante rapaz, estava sentado num ambiente iluminado apenas por uma vela, e pensava em como era ruim escrever suas ideias em um lugar tão pouco iluminado, então, pensou em como reverteria esta situação.
Muitos, muitos anos antes, estava sentado um grupo de cavaleiros, ao redor de uma mesa, pensando em uma nova estratégia de batalha.
Muitos, muitos, muitos, muitos anos antes, estava sentado no chão, um homem que vestia pele de onça, um homem que tinha cabelos e barba que alcançavam seu quadril, um homem que não sabia escrever, este homem, pensava: Como esta chama apareceu nesta árvore? É preciso pensar.
O Impacto
Um grito estrondeante, acordaram logo cedo, pela manhã, pouco depois do nascer do sol; O som que irritava os ouvidos da população era de uma criança chorando. Logo, devo explicar, era pós-guerra, a nação, destruída. Casas, apenas restaram ruínas, a cultura daquele povo só existia em seu corações deis daquele impacto.
Mas o que era o impacto? Era a pior parte da guerra, pois ela não fazia parte da própria. Ela era depois... Ela dava-lhe a ilusão de que tudo voltaria ao normal, mas não voltaria, jamais... O impacto era as consequências da guerra, mas quem pagaria, não eram os que a causaram, não apenas, eram também os que sofreram durante a guerra.
O Impacto, alívio indesejado, aceitação do fim.
Café preto e duas borboletas
Numa manhã ensolarada de sábado, estava eu tomando café em minha mesa quadrada a qual tem espaço para três no máximo, e em frente a minha mesa, uma janela de vidro finíssimo, dividida em quatro partes, a mesma podia abrir caso quisesse empurrando para cima. Então abri, pois gosto de sábados, e gosto de dias ensolarados e frescos como o daquele dia, por motivos pessoas mas não necessários no momento; era uma boa manhã, eis o meu diagnóstico. Em pouco menos de uma hora deveria sair para realizar uma tarefa relacionado aos meus trabalhos passados pela universidade. O dia da entrega era segunda, mas como sou uma pessoa adiantada, já estava quase terminando, mas isso não vem ao caso.
A questão é: quando estava tomando o meu café quente preto com açúcar, enquanto molhava nele a minha tapioca, ou biju se preferir, percebi que uma borboleta repentinamente apareceu, e pousou em cima da tanta do açucareiro. “Que estranho”, pensei, “de onde veio essa borboleta?” O caso era que morava em um prédio, e ficava no quinto andar, alto o suficiente para não estar no alcance de nenhum inseto, e de repente, aparece outra borboleta.
Bem, tinham então duas borboletas dentro de minha cozinha, uma em cima de meu açucareiro, a menor, e uma em cima de minha mesa, a maior. E eu não fazia a mínima ideia de onde vieram, mas sabia exatamente qual seria a minha providência, então me dirigi a minha prateleira de copos, e pus de forma estratégica ambas, dentro de um grande copo transparente, para observá-las.
Percebi que cada uma foi para a direção oposta a outra... será que queriam se evitar? Será que era uma rivalidade, inimizade, algo do tipo? Só sabia que uma estava totalmente oposta à outra, e nenhuma movia, apenas pressionavam contra o copo a fraquíssima força que tinham, incapaz de movê-lo. Fiquei imensamente curiosa, até o fim do dia deveria saber o porquê de tanto distanciamento mantido entre as duas borboletas, da mesma espécie e provavelmente do mesmo lugar. Talvez até da mesma linhagem de borboletas, muito provável aliás. Mas algo me fez “cair na realidade”, não era possível que fosse alguma espécie de inimizade, como aliás, pode uma borboleta desenvolver qualquer sentimento, afinal, não possuem vínculo com seus sucessores, não vivem muito, mas especificamente, aquele espécie de borboleta vivia apenas nove meses no máximo.
Como fui tola! Não percebi que a força imposta pelas borboletas no copo, e o fato de estarem opostas uma a outra, e principalmente, por eu coloca-las em um copo transparente, fazia com que eu chegasse a conclusão, aqueles inocentes seres vivos, que viviam tão pouco tempo, seguiam apenas o extinto o qual nenhum ser vivo foge; de plantas à nós mesmo, nenhum foge do extinto de sobrevivência e busca por sua liberdade. Minha conclusão final era tão simplória...
Leadership
Leaders wanting to be effective should be empathetic. People like to feel that there’s someone who put themselves in other people's shoes, I mean, who understands what people feel and what they want. To be a good leader: It all boils to communication and empathy. Because nothing works without clear communication and employees sharing ideias. Never underestimate employees abilitys to figure out new effective forms to deal with work’s problems. In terms of leadership itself, where times and circunstances change, human nature does not change. What makes you a successful leader is persuading others, sharing both a vision and hardship, earning trust. I’m not the best leader, but I’m in that position today, giving the best of me being hardworking because one day I wanted to be the difference, so I did what my mentor said to be, and was exactly that what I said, and here I’m, now I’m the mentor of other people. Be realistic is important, but let yourself to dream, because almost anything is impossible.
Alergia
Não gosto de carpetes, apesar de macies, quentes e confortáveis aos pés, trazem aos meus olhos uma sensação de acúmulo de poeira. Nunca tive boa relação com a poeira, o próprio médico disse uma vez a minha mãe quando era mais jovem que era alérgico. E de fato, tenho longas memórias de meus dias de tosse, presente, agoniante e ao mesmo tempo romantizada por mim mesmo, sempre pensando, pelo menos após analisar a situação, como aqueles senhores aposentados, sentados em suas poltronas, segurando um jornal, whisky e seu maior veneno, causa de suas mortes, o fumo, o cigarro, o vício fatal.
Daí não precisa mais explicar a minha hostilidade com os carpetes... O mesmo com tapetes. Por isso, prefiro muito mais utilizar sapatos ou chinelos, assim, evito a necessidade de algo para pôr embaixo de meus pés na esperança de confortá-los ou até mesmo aquecê-los. Relato isto pois visitava em uma certa noite, a casa de um conhecido, que o que mais marcou no reencontro, além de sua transformada pessoa, o chão da casa ser totalmente coberto por carpetes, com exceção dos banheiros e cozinha da casa, o que obviamente seria um absurdo se houvesse, a tarefa de limpá-los seria nojentíssima.
Câncer
O médico analisava a radiografia do crescimento desordenado de células na nasofaringe (atrás da cavidade nasal) do paciente. O homem numa atitude impulsivamente tocante inclinou-se à mesa o médico, olhou para os olhos do doutor numa profundidade viciante, interrompendo o profissional.
- Doutor, não permita que evolua à meu cérebro. O cérebro, senhor, é o abrigo da alma, asas mundanas, e tudo o que me permite ver, ouvir, mexer, sentir. Sem ele não sou nada além de um corpo funcionalmente vazio e sem propriedades ou memórias. E, se me submeter a uma situação de morte ou vegetal, aja com o coração além daquilo que se aprende na universidade de medicina. Faça aquilo que deve ser feito.
O doutor relutou, mas sabia que seu coração era grande demais para recusar um pedido tão insistente e delicado. Sabia também que com a aceleração do crescimento, dada as circunstâncias, o homem não tinha muito tempo ainda pela frente.
- Devo lhe alertar que... o avanço dessa desordem chegará em breve ao córtex cerebral, e virá a atingi-lo brutalmente, causando um dano que tem como consequência a total falta de pensamentos, e até mesmo seja desprovido do sentir a dor.
O paciente então repetiu: “Faça o que deve ser feito doutor. Eu aceito o destino que me é entregue pelas mãos de Deus, mas não iriei antes sem lutar.”
Ditador
Ele sempre esteve na espreita, como um bicho predador que virá a devorar um outro animal mais frágil. A política da época andava conturbada. O estômago dos pobres roncava, homens altos de trinta anos não chegavam a pesar sessenta quilos. A, velha, velha corrupção, braço direito, ombro amigo da política, irmão de sangue do ser humano, o acompanhava em todo lugar, levando consigo os cavaleiros do apocalipse, o caos. Tantas revoluções como os da história seriam cabíveis, mas não podia, os pobres famintos não tinham comida, quem dirá educação ou informação de fora do país. Não seguiam exemplos, seguiam a vida. Carregada de amargura, injustiça, nada se fazia, por parte dos pobres ou dos ricos. Aliás, os ricos só faziam ficar mais ricos, os pobres que viviam numa miséria sem fim, contínua.
Será que um dia chegará ao poder esse bicho predador? Será que virá alimentar-se da corrupção? Será que trará justiça aos injustiçados? Comida aos famintos talvez...? São tantas perguntas... mas não feitas pelos pobres, somente por mim, que prefiro não me meter, só assistir, um telespectador de um filme de drama, suspense, tudo menos ação, pois nenhuma ação acontecia. O predador faria alguma coisa, aquele animal majestoso, reinava onde quisesse, era quem queria ser, quando queria ser e como queria ser. Certamente golpearia os ladrões que ocupavam as cadeiras da câmara e do senado, com bastante força.
As feridas do golpe permaneceriam por um tempo indeterminado, talvez para sempre, quem sabe. Talvez o selvagem animal nunca vá embora, nunca retorne a sua asquerosa caverna, apenas para concorrer às eleições, inutilmente. Não... não era tão simplório, era bastante complexo aquele ser, apesar de ser tão conhecido pelos homens. Sua voz é arte, melodia como o canto dos pássaros, é inteligente como um golfinho, macaco, só não cachorro, esses animais são muito infantis.
Alguns virão conhece-lo como o bom. Virão outros conhece-lo como o indesejável, e o restante como o temível ditador.
Amador de língua morta
Voltara do Colégio cedo, pôs calmamente o pé calçado sobre o batente da porta e lembrou o quanto odiava estar naquele lugar, e que sonhava um dia livrar-se daquela desgraçada agonia de a ninguém amar, ninguém além das suas doces e nada simplórias palavras derivadas do Latim. Sonhava também um dia ter o privilégio de falar em Latim, na época, a língua dos intelectuais, dos sonhadores, dos escritores. Fernando era um sonhador nato, um doce menino espanhol, amador da pátria e de Cervantes, moreno do rosto bem esculpido, do nariz fino e grande e dos olhos igualmente chamativos, pois tinha grande cílios.
Antes de entrar de vez na casa em que vivia com sua avó e seu pai, pensou em dar mais uma volta no bairro em que vivia, talvez passar perto da padaria, para sentir o bom cheiro dos pães quentes e dos doces achocolatados. Depois talvez, voltasse para sua casa, onde era limitado às regras rigorosas.
A porta da casa estava aberta e a cozinheira cantava enquanto fazia o almoço na cozinha. O quintal da casa era cheio de flores e árvores, dava para perder-se no tempo. Fernando então, desistiu de seu plano, do seu passeio pelo bairro, e correu para tirar o uniforme do colégio e trocá-lo por uma roupa mais confortável e casual. A casa, toda de madeira antiga, herdada do pai de sua avó, os quadros dos antepassados eram o mais bonitos enfeites das paredes ocas.
Pegou um livro qualquer, sem objetivos claros e foi para o quintal, perde-se no tempo entre as plantas. E pensou que, se Deus existisse, escondia-se entre as resiliências alheias.
Coragem
De todo dia acordar no alto do morro, ser quieto pra não atrair bala perdida, de trabalhar pro patrão do centro, ouvir sotaque das madames, voltar pra casa na chuva, e não ter nem comida.
De todo dia ter vontade de sumir, de não querer sair da cama, mas mesmo assim sai, para alimentar sua Esperança de que um dia essa tristeza acabe.
De todo dia chorar, por não ter família, mas mesmo assim estudar pra ser alguém bom na vida.
De todo dia caminhar vinte quilômetros, para pegar um ônibus, ser agredida, carregar um filho no colo, de chinelo quebrado, pra trabalhar dez horas e as vezes pernoitar.
De todo dia sorrir para as pessoas na rua, mesmo passando todas as manhãs maquiagem no rosto para esconder seu olho roxo, e suas feridas.
De todo dia esconder seus pensamentos, de todo dia ficar calado, de todo dia esconder sua fé daqueles que não querem ver você todo dia.
Coragem,
De todo dia viver todo dia.