Era uma vez um homem andarilho, que vivia do que coletava e do que matava e assim tranquilo ficava.
Mas um dia chegou, em que o retirante percebeu que seus pés nus num atrito ruidoso,
Feitos pedra lascada roíam com suas patadas no chão escaldante terroso,
Ai! As lesões causadas eram de um contundido tenebroso!
O homem então, em toda sua sabedoria,
Matou capivara, ovelha e cotia,
E, de suas carcaças e lãs produziu, um calçado que bem o serviu.
Portanto, o homem rude sua viagem infinda prosseguiu.
Ao chegar às Europas, terras frias, cansado como estava procurou fazer moradia:
Uma cabana próxima ao leito do Tejo.
Daí então construiu de montes,
Carroça, carruagem, embarcações, casarões,
Quarteirões, condomínios, e tudo o que um homem há de construir para ter seu conforto fixo.
Mas num futuro bem distante, depois de construir carros, aviões, computadores e telefones, o homem refletiu, que de tanto trabalho vivia cansado, daquela rotina doentia,
Todos os dias muito trabalho, todos os dias monótonos, que finalizavam tudo num descanso de estadia, e recomeçava ao nascer do sol.
Matutou como ninguém, planejou viagens pelo mundo, de mochila, logo se viu, tornou-se nômade de novo!
Pensou: “Carros pra quê!? Se preciso eu respirar ar puro para viver!”
E em meio a suas viagens, conhecendo outras culturas, outras realidades,
Concluiu que não precisava de verdade de tanta fartura, afirmou:
A partir de hoje “como apenas aquilo que coleto e aquilo que caço”,
Sentou debaixo duma árvore frutífera, recitando alguns poucos versos da Bíblia.
A natureza é dialética, e o homem é um bom selvagem em sua forma primitiva.
Era uma vez um homem andarilho, que vivia do que coletava e do que matava e assim tranquilo ficava.
Mas um dia chegou, em que o retirante percebeu que seus pés nus num atrito ruidoso,
Feitos pedra lascada roíam com suas patadas no chão escaldante terroso,
Ai! As lesões causadas eram de um contundido tenebroso!
O homem então, em toda sua sabedoria,
Matou capivara, ovelha e cotia,
E, de suas carcaças e lãs produziu, um calçado que bem o serviu.
Portanto, o homem rude sua viagem infinda prosseguiu.
Ao chegar às Europas, terras frias, cansado como estava procurou fazer moradia:
Uma cabana próxima ao leito do Tejo.
Daí então construiu de montes,
Carroça, carruagem, embarcações, casarões,
Quarteirões, condomínios, e tudo o que um homem há de construir para ter seu conforto fixo.
Mas num futuro bem distante, depois de construir carros, aviões, computadores e telefones, o homem refletiu, que de tanto trabalho vivia cansado, daquela rotina doentia,
Todos os dias muito trabalho, todos os dias monótonos, que finalizavam tudo num descanso de estadia, e recomeçava ao nascer do sol.
Matutou como ninguém, planejou viagens pelo mundo, de mochila, logo se viu, tornou-se nômade de novo!
Pensou: “Carros pra quê!? Se preciso eu respirar ar puro para viver!”
E em meio a suas viagens, conhecendo outras culturas, outras realidades,
Concluiu que não precisava de verdade de tanta fartura, afirmou:
A partir de hoje “como apenas aquilo que coleto e aquilo que caço”,
Sentou debaixo duma árvore frutífera, recitando alguns poucos versos da Bíblia.
A natureza é dialética, e o homem é um bom selvagem em sua forma primitiva.
164
Morrer
Se morreres, meu coração cria um hiato,
E essa greta rochosa lesa minha alma nebulosa,
A Parca amarga,
Leva na nau o meu pretexto
Para estar vivo,
E zarpa farsante
Num mar de condolências,
E a toda essa melancolia, sou submisso.
Escrever minha história
É uma labuta difícil,
Porque a tecla da minha olivetti soltou,
E por um momento,
O datilógrafo evitou,
Escrever uma história,
Que tão profundamente odiou.
Em meio a um solilóquio sublime,
Naufraguei em minha própria franqueza,
Julguei aqueles que não devia,
E afirmei com muita destreza.
Muitos corações vis,
Machuquei com essas verdades,
Mas seria um coração puro,
De dono tão bruto?
163
Um mundo bom sim, não um paraíso
Esses projetos da vida,
Tão engrenados,
Encetados por alheios,
Fazem da vida uma limitada monotonia.
Um paraíso estagnado,
Torna-me uma pasmaceira,
Resultados simplórios,
Vida sem graça com vestimenta de faceira.
Sonho em viver entre disformes,
Pois assim,
Como um oleiro que molda a argila ainda na fase barrosa da coisa,
Posso moldar a realidade imperfeita,
Justa e cheia de desafios,
Mas nunca extremamente direita.
158
Fantasmagórica (Por C. A. M.)
A luz opaca que a lua espelhava caía sobre as janelas transparentes, clarejando a dependência
Do palacete num tom anfigúrico e sombrio penetrante;
O chibante do vento batia às portas, assobiava às paredes e afugentava os quentes;
E lá no canto dentre caixotes que acatavam pecúlios,
Um pobre menino homem a afagar chamas duma fogueira planejada,
Atirava páginas de um calhamaço de capa dura escura,
E na capa marcada o nome de um erudita neura.
Uma aparição atravessa um corredor distante,
Vê-se seu brilho de longe, deveras radiante.
“Quem é esta que ousa atravessar meus claustros ao anoitecer?
Quem arroja-se a assombrar um jovem como eu?
Vá às taigas boreais
Procurar aquele os quais os sustos te satisfaz!”
A fantasmagórica figura sumia ao atravessar a madeira crua das paredes,
O telhado rugia do vento como leão ruge ao oponente,
O jovem os dentes batia, toda vez que vinha o frio numa corrente
E a cada palavra ousada, a assombração corajosa se aproximava.
“Cada passo dado é um motivo para ter Deus ao meu lado!
Vá embora agora, ou rezo dois pais nossos e uma nossa senhora!”
A criatura da noite ria com gosto, o jovem ainda tomava esforços.
“Se não saíres daqui agora, atiro a cruz do meu pescoço na senhora!”
O medo gelava a pele e o devaneava a mente,
Por fim, o fantasma mato-o, e nem soltou um grito ardente,
Agora a casa abrigava:
Dois fantasmas, um corpo morto e uma fogueira apagada.
168
Tudo é possível
A impossibilidade nasce com a traspasse do homem,
E a esperança, ora, ela é perene.
Não há nada, nada mesmo, que se torne impossível,
E tudo que há, sim, é bem plausível.
50
Nordestino fala cantando
João Manuel, menino negro no recôncavo bainano. Num dia sereno, noite estrelada, seu pai na frente da casa fumando um cigarro barato, deixando cinzas sujar o chão terroso, vermelhado de ferro. O pai velho, velho do trabalho, seu pai se tornou adulto muito cedo, quando teve de abandonar a escola para trabalhar na roça que seu avô trabalhava pra ajudar a pagar o pão de cada dia, nessa época ainda no interior da Bahia, entre Conquista e Barreiras. O menino estava naquela idade que perguntam por perguntar: - Ô pai ... - O menino saiu de casa e sentou no batente da porta para conversar com o pai - por que que as pessoas falam diferente? O pai era sem instrução, abandonou os estudos cedo, como disse antes. Mas da vida já conhecia bastante, procurou a resposta, então, em algo da vida: - Sabe quando cê pede a sua mãe pra fazer bolo de trigo, João? - Sei sim. - Poisé... se cê não soubesse falar português, como cê pediria? - Não pediria. - Por isso mesmo! As pessoas precisavam conversar com as pessoas que elas viviam, então cada uma inventou sua própria fala entre o grupo de chegados... - Então por isso que é tão difícil entender meu novo colega do sul? - Acho que sim. - Tirou o cigarro, deu uma tragada poderosa, depois segurou a fumaça por segundos e soltou no ar quente e úmido daquela noite. Depois, deu uma tosse tão doída de fumante velho, que seu filho perguntou se ele precisava que batasse em suas costas pra melhorar a garganta (costume da região). Seu filho, ainda em seu meio de questionário mental, continuou: - E como que o povo aqui do nordeste fala, pai? - Cê diz sotaque? -É. - Aqui nóis fala cantando... - Riu o pai com sua arcada dentária descompleta. E após a gostava risada de velho bahiano, tossiu muito, porque do vício do fumo até se foge, mas das consequências de fumar, não tão cedo.
84
Ditador
Ele sempre esteve na espreita, como um bicho predador que virá a devorar um outro animal mais frágil. A política da época andava conturbada. O estômago dos pobres roncava, homens altos de trinta anos não chegavam a pesar sessenta quilos. A, velha, velha corrupção, braço direito, ombro amigo da política, irmão de sangue do ser humano, o acompanhava em todo lugar, levando consigo os cavaleiros do apocalipse, o caos. Tantas revoluções como os da história seriam cabíveis, mas não podia, os pobres famintos não tinham comida, quem dirá educação ou informação de fora do país. Não seguiam exemplos, seguiam a vida. Carregada de amargura, injustiça, nada se fazia, por parte dos pobres ou dos ricos. Aliás, os ricos só faziam ficar mais ricos, os pobres que viviam numa miséria sem fim, contínua.
Será que um dia chegará ao poder esse bicho predador? Será que virá alimentar-se da corrupção? Será que trará justiça aos injustiçados? Comida aos famintos talvez...? São tantas perguntas... mas não feitas pelos pobres, somente por mim, que prefiro não me meter, só assistir, um telespectador de um filme de drama, suspense, tudo menos ação, pois nenhuma ação acontecia. O predador faria alguma coisa, aquele animal majestoso, reinava onde quisesse, era quem queria ser, quando queria ser e como queria ser. Certamente golpearia os ladrões que ocupavam as cadeiras da câmara e do senado, com bastante força.
As feridas do golpe permaneceriam por um tempo indeterminado, talvez para sempre, quem sabe. Talvez o selvagem animal nunca vá embora, nunca retorne a sua asquerosa caverna, apenas para concorrer às eleições, inutilmente. Não... não era tão simplório, era bastante complexo aquele ser, apesar de ser tão conhecido pelos homens. Sua voz é arte, melodia como o canto dos pássaros, é inteligente como um golfinho, macaco, só não cachorro, esses animais são muito infantis.
Alguns virão conhece-lo como o bom. Virão outros conhece-lo como o indesejável, e o restante como o temível ditador.
179
Café preto e duas borboletas
Numa manhã ensolarada de sábado, estava eu tomando café em minha mesa quadrada a qual tem espaço para três no máximo, e em frente a minha mesa, uma janela de vidro finíssimo, dividida em quatro partes, a mesma podia abrir caso quisesse empurrando para cima. Então abri, pois gosto de sábados, e gosto de dias ensolarados e frescos como o daquele dia, por motivos pessoas mas não necessários no momento; era uma boa manhã, eis o meu diagnóstico. Em pouco menos de uma hora deveria sair para realizar uma tarefa relacionado aos meus trabalhos passados pela universidade. O dia da entrega era segunda, mas como sou uma pessoa adiantada, já estava quase terminando, mas isso não vem ao caso.
A questão é: quando estava tomando o meu café quente preto com açúcar, enquanto molhava nele a minha tapioca, ou biju se preferir, percebi que uma borboleta repentinamente apareceu, e pousou em cima da tanta do açucareiro. “Que estranho”, pensei, “de onde veio essa borboleta?” O caso era que morava em um prédio, e ficava no quinto andar, alto o suficiente para não estar no alcance de nenhum inseto, e de repente, aparece outra borboleta.
Bem, tinham então duas borboletas dentro de minha cozinha, uma em cima de meu açucareiro, a menor, e uma em cima de minha mesa, a maior. E eu não fazia a mínima ideia de onde vieram, mas sabia exatamente qual seria a minha providência, então me dirigi a minha prateleira de copos, e pus de forma estratégica ambas, dentro de um grande copo transparente, para observá-las.
Percebi que cada uma foi para a direção oposta a outra... será que queriam se evitar? Será que era uma rivalidade, inimizade, algo do tipo? Só sabia que uma estava totalmente oposta à outra, e nenhuma movia, apenas pressionavam contra o copo a fraquíssima força que tinham, incapaz de movê-lo. Fiquei imensamente curiosa, até o fim do dia deveria saber o porquê de tanto distanciamento mantido entre as duas borboletas, da mesma espécie e provavelmente do mesmo lugar. Talvez até da mesma linhagem de borboletas, muito provável aliás. Mas algo me fez “cair na realidade”, não era possível que fosse alguma espécie de inimizade, como aliás, pode uma borboleta desenvolver qualquer sentimento, afinal, não possuem vínculo com seus sucessores, não vivem muito, mas especificamente, aquele espécie de borboleta vivia apenas nove meses no máximo.
Como fui tola! Não percebi que a força imposta pelas borboletas no copo, e o fato de estarem opostas uma a outra, e principalmente, por eu coloca-las em um copo transparente, fazia com que eu chegasse a conclusão, aqueles inocentes seres vivos, que viviam tão pouco tempo, seguiam apenas o extinto o qual nenhum ser vivo foge; de plantas à nós mesmo, nenhum foge do extinto de sobrevivência e busca por sua liberdade. Minha conclusão final era tão simplória...
145
Põe na minha conta
A que custo? Essa é uma pergunta feita por muitas pessoas até mesmo antes do capitalismo, até mesmo antes da palavra tomar um verdadeiro significado. Pois, de fato, o questionamento em destaque serve como substituto para o ‘quais as consequências de tais acontecimentos?’, o que deverei entregar de mim ou do que possuo para conquistar algo, alguém ou algum objetivo? Será mesmo isso tão necessário? Será mesmo que vale a pena?
Muitos não gostam que tantas perguntas sejam feitas consecutivamente, porém, digam me, observação que esta é uma pergunta retórica; se não fossem os pensamentos, e os questionamentos, como e quando de fato chegaríamos a uma resposta inovadora, uma nunca pensada antes conclusão? As respostas nunca são de graça, há algo a se doar por isto, há um custo, sempre há um custo para qualquer coisa que desejamos fazer. E desse pensamento tão possessivo nasce a ideia de que a Terra é nossa, de que ela foi criada para nós, e que podemos usufruí-la como desejamos, de que as demais espécies devem curvar-se perante nossa imagem. Que podemos poluir os mares, que não são nossos, de que podemos destruir as florestas que na realidade não são nossas.
A terra não é nossa, mas muitas vezes, é tão complexo a compreensão dessa tão curta e simplória afirmação, chega a ser contraditório! Repito, a Terra não faz parte de nós, nós fazemos parte da Terra, somos seres vivos iguais a qualquer outros, claro que com algumas diferenças surpreendentes, mas uma sede tão doente de conquistas e posses, que já me deixa com o sangue fervendo com tantos custos a serem pagos por aqueles que não compraram nenhuma briga se quer! Pois a cada dia o ser humano compra mais uma briga, e o custo do conjunto de todas elas, apenas acumula-se na conta, que provavelmente será paga da forma mais brutal possível, se não começarmos a parcela-la.
Bem, se tudo isso não é nosso, então o caso não é que devemos cuidar de nosso planeta, devemos respeitar o Mundo em que vivemos, respeitar sua forma de ser sem ocupar todo o espaço. Mas antes, o que há de mais importante, respeitar a nós mesmos, uns aos outros, da maneira que somos, mas sem ferir as pessoas; e com isso, dou destaque às pessoas que são forçadas por conta do risco de morte a deixarem seus lares. O Mundo é muito mais bonito com diversos pensamentos, com diversas culturas, com diversas belezas, em sua forma natural de diverso. O que falta ao Mundo não é uniformizar mas uma forma respeitável.
75
Leadership
Leaders wanting to be effective should be empathetic. People like to feel that there’s someone who put themselves in other people's shoes, I mean, who understands what people feel and what they want. To be a good leader: It all boils to communication and empathy. Because nothing works without clear communication and employees sharing ideias. Never underestimate employees abilitys to figure out new effective forms to deal with work’s problems. In terms of leadership itself, where times and circunstances change, human nature does not change. What makes you a successful leader is persuading others, sharing both a vision and hardship, earning trust. I’m not the best leader, but I’m in that position today, giving the best of me being hardworking because one day I wanted to be the difference, so I did what my mentor said to be, and was exactly that what I said, and here I’m, now I’m the mentor of other people. Be realistic is important, but let yourself to dream, because almost anything is impossible.