Metrópole
Aquela cidade amada,
Onde o movimento madruga,
Onde a conversa não acaba.
Onde a notícia se espalha,
Onde lutam pelos direitos.
Aquela cidade amada,
Das calçadas largas,
Da Cultura misturada,
Onde velho convive com novo,
Onde a arte está no olhar de cada cidadão.
Cidade Amada,
Da Pátria Amada,
Onde se encontra orgulho,
De ver a nossa amada bandeira estendida
Minha esperança no meu país reerguida.
Onde os livros, filmes e vídeos,
São parte do dia a dia,
Onde o sol bate a janela,
‘Acorde, já é dia!’.
Onde o Café é sangue,
Onde o pensamento formiga,
Cidade Amada,
Sonho de uma menina.
Grande Cidade,
Grande demais pro Coração,
Amor eterno inexplicável.
Amador de língua morta
Voltara do Colégio cedo, pôs calmamente o pé calçado sobre o batente da porta e lembrou o quanto odiava estar naquele lugar, e que sonhava um dia livrar-se daquela desgraçada agonia de a ninguém amar, ninguém além das suas doces e nada simplórias palavras derivadas do Latim. Sonhava também um dia ter o privilégio de falar em Latim, na época, a língua dos intelectuais, dos sonhadores, dos escritores. Fernando era um sonhador nato, um doce menino espanhol, amador da pátria e de Cervantes, moreno do rosto bem esculpido, do nariz fino e grande e dos olhos igualmente chamativos, pois tinha grande cílios.
Antes de entrar de vez na casa em que vivia com sua avó e seu pai, pensou em dar mais uma volta no bairro em que vivia, talvez passar perto da padaria, para sentir o bom cheiro dos pães quentes e dos doces achocolatados. Depois talvez, voltasse para sua casa, onde era limitado às regras rigorosas.
A porta da casa estava aberta e a cozinheira cantava enquanto fazia o almoço na cozinha. O quintal da casa era cheio de flores e árvores, dava para perder-se no tempo. Fernando então, desistiu de seu plano, do seu passeio pelo bairro, e correu para tirar o uniforme do colégio e trocá-lo por uma roupa mais confortável e casual. A casa, toda de madeira antiga, herdada do pai de sua avó, os quadros dos antepassados eram o mais bonitos enfeites das paredes ocas.
Pegou um livro qualquer, sem objetivos claros e foi para o quintal, perde-se no tempo entre as plantas. E pensou que, se Deus existisse, escondia-se entre as resiliências alheias.
O Impacto
Um grito estrondeante, acordaram logo cedo, pela manhã, pouco depois do nascer do sol; O som que irritava os ouvidos da população era de uma criança chorando. Logo, devo explicar, era pós-guerra, a nação, destruída. Casas, apenas restaram ruínas, a cultura daquele povo só existia em seu corações deis daquele impacto.
Mas o que era o impacto? Era a pior parte da guerra, pois ela não fazia parte da própria. Ela era depois... Ela dava-lhe a ilusão de que tudo voltaria ao normal, mas não voltaria, jamais... O impacto era as consequências da guerra, mas quem pagaria, não eram os que a causaram, não apenas, eram também os que sofreram durante a guerra.
O Impacto, alívio indesejado, aceitação do fim.
Nordestino fala cantando
João Manuel, menino negro no recôncavo bainano. Num dia sereno, noite estrelada, seu pai na frente da casa fumando um cigarro barato, deixando cinzas sujar o chão terroso, vermelhado de ferro. O pai velho, velho do trabalho, seu pai se tornou adulto muito cedo, quando teve de abandonar a escola para trabalhar na roça que seu avô trabalhava pra ajudar a pagar o pão de cada dia, nessa época ainda no interior da Bahia, entre Conquista e Barreiras.
O menino estava naquela idade que perguntam por perguntar:
- Ô pai ... - O menino saiu de casa e sentou no batente da porta para conversar com o pai - por que que as pessoas falam diferente?
O pai era sem instrução, abandonou os estudos cedo, como disse antes. Mas da vida já conhecia bastante, procurou a resposta, então, em algo da vida:
- Sabe quando cê pede a sua mãe pra fazer bolo de trigo, João?
- Sei sim.
- Poisé... se cê não soubesse falar português, como cê pediria?
- Não pediria.
- Por isso mesmo! As pessoas precisavam conversar com as pessoas que elas viviam, então cada uma inventou sua própria fala entre o grupo de chegados...
- Então por isso que é tão difícil entender meu novo colega do sul?
- Acho que sim. - Tirou o cigarro, deu uma tragada poderosa, depois segurou a fumaça por segundos e soltou no ar quente e úmido daquela noite. Depois, deu uma tosse tão doída de fumante velho, que seu filho perguntou se ele precisava que batasse em suas costas pra melhorar a garganta (costume da região). Seu filho, ainda em seu meio de questionário mental, continuou:
- E como que o povo aqui do nordeste fala, pai?
- Cê diz sotaque?
-É.
- Aqui nóis fala cantando... - Riu o pai com sua arcada dentária descompleta. E após a gostava risada de velho bahiano, tossiu muito, porque do vício do fumo até se foge, mas das consequências de fumar, não tão cedo.
Câncer
O médico analisava a radiografia do crescimento desordenado de células na nasofaringe (atrás da cavidade nasal) do paciente. O homem numa atitude impulsivamente tocante inclinou-se à mesa o médico, olhou para os olhos do doutor numa profundidade viciante, interrompendo o profissional.
- Doutor, não permita que evolua à meu cérebro. O cérebro, senhor, é o abrigo da alma, asas mundanas, e tudo o que me permite ver, ouvir, mexer, sentir. Sem ele não sou nada além de um corpo funcionalmente vazio e sem propriedades ou memórias. E, se me submeter a uma situação de morte ou vegetal, aja com o coração além daquilo que se aprende na universidade de medicina. Faça aquilo que deve ser feito.
O doutor relutou, mas sabia que seu coração era grande demais para recusar um pedido tão insistente e delicado. Sabia também que com a aceleração do crescimento, dada as circunstâncias, o homem não tinha muito tempo ainda pela frente.
- Devo lhe alertar que... o avanço dessa desordem chegará em breve ao córtex cerebral, e virá a atingi-lo brutalmente, causando um dano que tem como consequência a total falta de pensamentos, e até mesmo seja desprovido do sentir a dor.
O paciente então repetiu: “Faça o que deve ser feito doutor. Eu aceito o destino que me é entregue pelas mãos de Deus, mas não iriei antes sem lutar.”
Pensava
Estava sentada numa cadeira, pensando sobre como seria o futuro, do meu país, e do Mundo. Um jornalista estava sentado num banco, pensando sobre sua ideologia política em relação às novas ideologias agregadas pelo seu país e pelo seu presidente, e a relação que essas ideias e ideais têm com o exterior. Uma professora estava sentada na cadeira de uma sala de aula, a mesma vazia, enquanto pensava sobre como seria a próxima aula que daria, que pensamento crítico desenvolveria em seus alunos, para que sejam um novo bom futuro.
Alguns anos atrás, um jovem estava sentado no meio-fio de uma rua, pensando em como faria um protótipo de uma inovadora tecnologia, que mudaria o rumo do Mundo. Pouco antes, estava sentado numa velha cadeira de madeira, um Sr., em sua frente, uma máquina de escrever, e pensava em um novo ponto de vista, e como relataria esta nova visão em sua obra.
Muitos anos antes, estava sentada uma jovem química, e pensava em como faria algo incrível com seu conhecimento. Muitos anos antes, um brilhante rapaz, estava sentado num ambiente iluminado apenas por uma vela, e pensava em como era ruim escrever suas ideias em um lugar tão pouco iluminado, então, pensou em como reverteria esta situação.
Muitos, muitos anos antes, estava sentado um grupo de cavaleiros, ao redor de uma mesa, pensando em uma nova estratégia de batalha.
Muitos, muitos, muitos, muitos anos antes, estava sentado no chão, um homem que vestia pele de onça, um homem que tinha cabelos e barba que alcançavam seu quadril, um homem que não sabia escrever, este homem, pensava: Como esta chama apareceu nesta árvore? É preciso pensar.
Alergia
Não gosto de carpetes, apesar de macies, quentes e confortáveis aos pés, trazem aos meus olhos uma sensação de acúmulo de poeira. Nunca tive boa relação com a poeira, o próprio médico disse uma vez a minha mãe quando era mais jovem que era alérgico. E de fato, tenho longas memórias de meus dias de tosse, presente, agoniante e ao mesmo tempo romantizada por mim mesmo, sempre pensando, pelo menos após analisar a situação, como aqueles senhores aposentados, sentados em suas poltronas, segurando um jornal, whisky e seu maior veneno, causa de suas mortes, o fumo, o cigarro, o vício fatal.
Daí não precisa mais explicar a minha hostilidade com os carpetes... O mesmo com tapetes. Por isso, prefiro muito mais utilizar sapatos ou chinelos, assim, evito a necessidade de algo para pôr embaixo de meus pés na esperança de confortá-los ou até mesmo aquecê-los. Relato isto pois visitava em uma certa noite, a casa de um conhecido, que o que mais marcou no reencontro, além de sua transformada pessoa, o chão da casa ser totalmente coberto por carpetes, com exceção dos banheiros e cozinha da casa, o que obviamente seria um absurdo se houvesse, a tarefa de limpá-los seria nojentíssima.
Abdicará, sucederei
Oh! Vírus da alma,
Teu céu contrasteado encantou meus olhos,
Submisso a meu ver
Mas basta apenas crer para enxergar
Como de pureza tua alma está escassa,
Tua silhueta me reflete o infinito
Tua sombra é tão grande numa tarde
Antes do sol morrer
Hei eu mesmo à tua frente me desfazer
E me refazer um mais poderoso ser
Que não teme, mas temeu
Que não discute futilidades, mas discutiu
Um ser finito que peca na bíblia,
Mas de fato nunca erra
Hei de ser em tua presença
Alguém que só deseja um sereno
Mas que não demonstra nada além de ser um pávido pequeno
Num colossal mundo quântico
Com um grande espanto
Ao escutar tua voz
Não quero ser simples
Quero ser ancestral
Quero ser histórico
Quero ser teatral
Mas tanto quero que aqui, esmero
Apenas espero.
Ditador
Ele sempre esteve na espreita, como um bicho predador que virá a devorar um outro animal mais frágil. A política da época andava conturbada. O estômago dos pobres roncava, homens altos de trinta anos não chegavam a pesar sessenta quilos. A, velha, velha corrupção, braço direito, ombro amigo da política, irmão de sangue do ser humano, o acompanhava em todo lugar, levando consigo os cavaleiros do apocalipse, o caos. Tantas revoluções como os da história seriam cabíveis, mas não podia, os pobres famintos não tinham comida, quem dirá educação ou informação de fora do país. Não seguiam exemplos, seguiam a vida. Carregada de amargura, injustiça, nada se fazia, por parte dos pobres ou dos ricos. Aliás, os ricos só faziam ficar mais ricos, os pobres que viviam numa miséria sem fim, contínua.
Será que um dia chegará ao poder esse bicho predador? Será que virá alimentar-se da corrupção? Será que trará justiça aos injustiçados? Comida aos famintos talvez...? São tantas perguntas... mas não feitas pelos pobres, somente por mim, que prefiro não me meter, só assistir, um telespectador de um filme de drama, suspense, tudo menos ação, pois nenhuma ação acontecia. O predador faria alguma coisa, aquele animal majestoso, reinava onde quisesse, era quem queria ser, quando queria ser e como queria ser. Certamente golpearia os ladrões que ocupavam as cadeiras da câmara e do senado, com bastante força.
As feridas do golpe permaneceriam por um tempo indeterminado, talvez para sempre, quem sabe. Talvez o selvagem animal nunca vá embora, nunca retorne a sua asquerosa caverna, apenas para concorrer às eleições, inutilmente. Não... não era tão simplório, era bastante complexo aquele ser, apesar de ser tão conhecido pelos homens. Sua voz é arte, melodia como o canto dos pássaros, é inteligente como um golfinho, macaco, só não cachorro, esses animais são muito infantis.
Alguns virão conhece-lo como o bom. Virão outros conhece-lo como o indesejável, e o restante como o temível ditador.
Leadership
Leaders wanting to be effective should be empathetic. People like to feel that there’s someone who put themselves in other people's shoes, I mean, who understands what people feel and what they want. To be a good leader: It all boils to communication and empathy. Because nothing works without clear communication and employees sharing ideias. Never underestimate employees abilitys to figure out new effective forms to deal with work’s problems. In terms of leadership itself, where times and circunstances change, human nature does not change. What makes you a successful leader is persuading others, sharing both a vision and hardship, earning trust. I’m not the best leader, but I’m in that position today, giving the best of me being hardworking because one day I wanted to be the difference, so I did what my mentor said to be, and was exactly that what I said, and here I’m, now I’m the mentor of other people. Be realistic is important, but let yourself to dream, because almost anything is impossible.