Lista de Poemas

Ditador

Ele sempre esteve na espreita, como um bicho predador que virá a devorar um outro animal mais frágil. A política da época andava conturbada. O estômago dos pobres roncava, homens altos de trinta anos não chegavam a pesar sessenta quilos. A, velha, velha corrupção, braço direito, ombro amigo da política, irmão de sangue do ser humano, o acompanhava em todo lugar, levando consigo os cavaleiros do apocalipse, o caos. Tantas revoluções como os da história seriam cabíveis, mas não podia, os pobres famintos não tinham comida, quem dirá educação ou informação de fora do país. Não seguiam exemplos, seguiam a vida. Carregada de amargura, injustiça, nada se fazia, por parte dos pobres ou dos ricos. Aliás, os ricos só faziam ficar mais ricos, os pobres que viviam numa miséria sem fim, contínua.

Será que um dia chegará ao poder esse bicho predador? Será que virá alimentar-se da corrupção? Será que trará justiça aos injustiçados? Comida aos famintos talvez...? São tantas perguntas... mas não feitas pelos pobres, somente por mim, que prefiro não me meter, só assistir, um telespectador de um filme de drama, suspense, tudo menos ação, pois nenhuma ação acontecia. O predador faria alguma coisa, aquele animal majestoso, reinava onde quisesse, era quem queria ser, quando queria ser e como queria ser. Certamente golpearia os ladrões que ocupavam as cadeiras da câmara e do senado, com bastante força.

As feridas do golpe permaneceriam por um tempo indeterminado, talvez para sempre, quem sabe. Talvez o selvagem animal nunca vá embora, nunca retorne a sua asquerosa caverna, apenas para concorrer às eleições, inutilmente. Não... não era tão simplório, era bastante complexo aquele ser, apesar de ser tão conhecido pelos homens. Sua voz é arte, melodia como o canto dos pássaros, é inteligente como um golfinho, macaco, só não cachorro, esses animais são muito infantis.

Alguns virão conhece-lo como o bom. Virão outros conhece-lo como o indesejável, e o restante como o temível ditador.

169

Astronomia


Acreditava de verdade,

Que só existia esse mundo

Tão medíocre.

 
Enganei-me com palavras tolas,

Que me diziam o quanto era horrível

E que não sairia desse globo de neve mundano

Não passo de mais um ser humano

Numa galáxia tão incrível

Prendo-me neste mundo tão sensível.

 
Mas quanto se cansa uma alma libertária,

Abre-se as cortinas da esquecível saudade.

O mundo de verdade,

É muito maior na realidade.

 
Um mundo onde não consiga e nem queira,

Enxergar seus limites

Crio teorias e sonhos,

Em que eles não existem.

111

Amador de língua morta

Voltara do Colégio cedo, pôs calmamente o pé calçado sobre o batente da porta e lembrou o quanto odiava estar naquele lugar, e que sonhava um dia livrar-se daquela desgraçada agonia de a ninguém amar, ninguém além das suas doces e nada simplórias palavras derivadas do Latim. Sonhava também um dia ter o privilégio de falar em Latim, na época, a língua dos intelectuais, dos sonhadores, dos escritores. Fernando era um sonhador nato, um doce menino espanhol, amador da pátria e de Cervantes, moreno do rosto bem esculpido, do nariz fino e grande e dos olhos igualmente chamativos, pois tinha grande cílios.

Antes de entrar de vez na casa em que vivia com sua avó e seu pai, pensou em dar mais uma volta no bairro em que vivia, talvez passar perto da padaria, para sentir o bom cheiro dos pães quentes e dos doces achocolatados. Depois talvez, voltasse para sua casa, onde era limitado às regras rigorosas.

A porta da casa estava aberta e a cozinheira cantava enquanto fazia o almoço na cozinha. O quintal da casa era cheio de flores e árvores, dava para perder-se no tempo. Fernando então, desistiu de seu plano, do seu passeio pelo bairro, e correu para tirar o uniforme do colégio e trocá-lo por uma roupa mais confortável e casual. A casa, toda de madeira antiga, herdada do pai de sua avó, os quadros dos antepassados eram o mais bonitos enfeites das paredes ocas.

Pegou um livro qualquer, sem objetivos claros e foi para o quintal, perde-se no tempo entre as plantas. E pensou que, se Deus existisse, escondia-se entre as resiliências alheias.
158

Câncer

O médico analisava a radiografia do crescimento desordenado de células na nasofaringe (atrás da cavidade nasal) do paciente. O homem numa atitude impulsivamente tocante inclinou-se à mesa o médico, olhou para os olhos do doutor numa profundidade viciante, interrompendo o profissional.

- Doutor, não permita que evolua à meu cérebro. O cérebro, senhor, é o abrigo da alma, asas mundanas, e tudo o que me permite ver, ouvir, mexer, sentir. Sem ele não sou nada além de um corpo funcionalmente vazio e sem propriedades ou memórias. E, se me submeter a uma situação de morte ou vegetal, aja com o coração além daquilo que se aprende na universidade de medicina. Faça aquilo que deve ser feito.

O doutor relutou, mas sabia que seu coração era grande demais para recusar um pedido tão insistente e delicado. Sabia também que com a aceleração do crescimento, dada as circunstâncias, o homem não tinha muito tempo ainda pela frente.

- Devo lhe alertar que... o avanço dessa desordem chegará em breve ao córtex cerebral, e virá a atingi-lo brutalmente, causando um dano que tem como consequência a total falta de pensamentos, e até mesmo seja desprovido do sentir a dor.

O paciente então repetiu: “Faça o que deve ser feito doutor. Eu aceito o destino que me é entregue pelas mãos de Deus, mas não iriei antes sem lutar.”
143

Leadership

Leaders wanting to be effective should be empathetic. People like to feel that there’s someone who put themselves in other people's shoes, I mean, who understands what people feel and what they want. To be a good leader: It all boils to communication and empathy. Because nothing works without clear communication and employees sharing ideias. Never underestimate employees abilitys to figure out new effective forms to deal with work’s problems. In terms of leadership itself, where times and circunstances change, human nature does not change. What makes you a successful leader is persuading others, sharing both a vision and hardship, earning trust. I’m not the best leader, but I’m in that position today, giving the best of me being hardworking because one day I wanted to be the difference, so I did what my mentor said to be, and was exactly that what I said, and here I’m, now I’m the mentor of other people. Be realistic is important, but let yourself to dream, because almost anything is impossible.
135

Põe na minha conta

A que custo? Essa é uma pergunta feita por muitas pessoas até mesmo antes do capitalismo, até mesmo antes da palavra tomar um verdadeiro significado. Pois, de fato, o questionamento em destaque serve como substituto para o ‘quais as consequências de tais acontecimentos?’, o que deverei entregar de mim ou do que possuo para conquistar algo, alguém ou algum objetivo? Será mesmo isso tão necessário? Será mesmo que vale a pena?

Muitos não gostam que tantas perguntas sejam feitas consecutivamente, porém, digam me, observação que esta é uma pergunta retórica; se não fossem os pensamentos, e os questionamentos, como e quando de fato chegaríamos a uma resposta inovadora, uma nunca pensada antes conclusão? As respostas nunca são de graça, há algo a se doar por isto, há um custo, sempre há um custo para qualquer coisa que desejamos fazer. E desse pensamento tão possessivo nasce a ideia de que a Terra é nossa, de que ela foi criada para nós, e que podemos usufruí-la como desejamos, de que as demais espécies devem curvar-se perante nossa imagem. Que podemos poluir os mares, que não são nossos, de que podemos destruir as florestas que na realidade não são nossas.

 A terra não é nossa, mas muitas vezes, é tão complexo a compreensão dessa tão curta e simplória afirmação, chega a ser contraditório! Repito, a Terra não faz parte de nós, nós fazemos parte da Terra, somos seres vivos iguais a qualquer outros, claro que com algumas diferenças surpreendentes, mas uma sede tão doente de conquistas e posses, que já me deixa com o sangue fervendo com tantos custos a serem pagos por aqueles que não compraram nenhuma briga se quer! Pois a cada dia o ser humano compra mais uma briga, e o custo do conjunto de todas elas, apenas acumula-se na conta, que provavelmente será paga da forma mais brutal possível, se não começarmos a parcela-la.

Bem, se tudo isso não é nosso, então o caso não é que devemos cuidar de nosso planeta, devemos respeitar o Mundo em que vivemos, respeitar sua forma de ser sem ocupar todo o espaço. Mas antes, o que há de mais importante, respeitar a nós mesmos, uns aos outros, da maneira que somos, mas sem ferir as pessoas; e com isso, dou destaque às pessoas que são forçadas por conta do risco de morte a deixarem seus lares. O Mundo é muito mais bonito com diversos pensamentos, com diversas culturas, com diversas belezas, em sua forma natural de diverso. O que falta ao Mundo não é uniformizar mas uma forma respeitável.
92

Abdicará, sucederei

Oh! Vírus da alma,

Teu céu contrasteado encantou meus olhos,

Submisso a meu ver

Mas basta apenas crer para enxergar

Como de pureza tua alma está escassa,

Tua silhueta me reflete o infinito

 

Tua sombra é tão grande numa tarde

Antes do sol morrer

Hei eu mesmo à tua frente me desfazer

E me refazer um mais poderoso ser

 

Que não teme, mas temeu

Que não discute futilidades, mas discutiu

Um ser finito que peca na bíblia,

Mas de fato nunca erra

 

Hei de ser em tua presença

Alguém que só deseja um sereno

Mas que não demonstra nada além de ser um pávido pequeno

Num colossal mundo quântico

Com um grande espanto

Ao escutar tua voz

 

Não quero ser simples

Quero ser ancestral

Quero ser histórico

Quero ser teatral

Mas tanto quero que aqui, esmero

Apenas espero.
146

Café preto e duas borboletas

Numa manhã ensolarada de sábado, estava eu tomando café em minha mesa quadrada a qual tem espaço para três no máximo, e em frente a minha mesa, uma janela de vidro finíssimo, dividida em quatro partes, a mesma podia abrir caso quisesse empurrando para cima. Então abri, pois gosto de sábados, e gosto de dias ensolarados e frescos como o daquele dia, por motivos pessoas mas não necessários no momento; era uma boa manhã, eis o meu diagnóstico. Em pouco menos de uma hora deveria sair para realizar uma tarefa relacionado aos meus trabalhos passados pela universidade. O dia da entrega era segunda, mas como sou uma pessoa adiantada, já estava quase terminando, mas isso não vem ao caso.

A questão é: quando estava tomando o meu café quente preto com açúcar, enquanto molhava nele a minha tapioca, ou biju se preferir, percebi que uma borboleta repentinamente apareceu, e pousou em cima da tanta do açucareiro. “Que estranho”, pensei, “de onde veio essa borboleta?” O caso era que morava em um prédio, e ficava no quinto andar, alto o suficiente para não estar no alcance de nenhum inseto, e de repente, aparece outra borboleta.

Bem, tinham então duas borboletas dentro de minha cozinha, uma em cima de meu açucareiro, a menor, e uma em cima de minha mesa, a maior. E eu não fazia a mínima ideia de onde vieram, mas sabia exatamente qual seria a minha providência, então me dirigi a minha prateleira de copos, e pus de forma estratégica ambas, dentro de um grande copo transparente, para observá-las.

Percebi que cada uma foi para a direção oposta a outra... será que queriam se evitar? Será que era uma rivalidade, inimizade, algo do tipo? Só sabia que uma estava totalmente oposta à outra, e nenhuma movia, apenas pressionavam contra o copo a fraquíssima força que tinham, incapaz de movê-lo. Fiquei imensamente curiosa, até o fim do dia deveria saber o porquê de tanto distanciamento mantido entre as duas borboletas, da mesma espécie e provavelmente do mesmo lugar. Talvez até da mesma linhagem de borboletas, muito provável aliás. Mas algo me fez “cair na realidade”, não era possível que fosse alguma espécie de inimizade, como aliás, pode uma borboleta desenvolver qualquer sentimento, afinal, não possuem vínculo com seus sucessores, não vivem muito, mas especificamente, aquele espécie de borboleta vivia apenas nove meses no máximo.

Como fui tola! Não percebi que a força imposta pelas borboletas no copo, e o fato de estarem opostas uma a outra, e principalmente, por eu coloca-las em um copo transparente, fazia com que eu chegasse a conclusão, aqueles inocentes seres vivos, que viviam tão pouco tempo, seguiam apenas o extinto o qual nenhum ser vivo foge; de plantas à nós mesmo, nenhum foge do extinto de sobrevivência e busca por sua liberdade. Minha conclusão final era tão simplória...
136

Metrópole

Aquela cidade amada,                                

Onde o movimento madruga,

Onde a conversa não acaba.

Onde a notícia se espalha,

Onde lutam pelos direitos.

 

Aquela cidade amada,

Das calçadas largas,

Da Cultura misturada,

Onde velho convive com novo,

Onde a arte está no olhar de cada cidadão.

 

Cidade Amada,

Da Pátria Amada,

Onde se encontra orgulho,

De ver a nossa amada bandeira estendida

Minha esperança no meu país reerguida.

 

Onde os livros, filmes e vídeos,

São parte do dia a dia,

Onde o sol bate a janela,

‘Acorde, já é dia!’.

 

Onde o Café é sangue,

Onde o pensamento formiga,

Cidade Amada,

Sonho de uma menina.

 

Grande Cidade,

Grande demais pro Coração,

Amor eterno inexplicável.
159

Viola


Viola toca,

No som, nessa canção,

Viola as regras,

Toca o Violão.

 
A Fome dos Pobres toca,

Gritos de terror,

A poeira é levada pelos ventos,

E Toca a Viola e o Violão.

 
Desvios despercebidos,

Sociedade corrompida,

Toca o Violão,

Viola, não vai preso,

E nem pede perdão.

 
Violino toca,

Gaita gaiato,

Sorrateiro, despercebido,

Assinala teu contrato.

 
Lírico dita as regras,

Da banda dos Violão,

Amor escondido,

Na letra desta canção.

 
A Viola viola as regras,

Violão viola tudo,

Viola e seus significados,

Os patrões permanecem mudos.

 
Os padrões que nunca mudam,

Sociedade desenfreada,

Não muda os Dogmas,

Não muda de estrada.

 
A Violação,

Não é instrumento de se tocar,

Mas mesmo assim Viola,

Violação não vai passar...

 

 

 

171

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments

...