Magalski

Magalski

n. 1998 BR BR

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n. 1998-11-23, Brasil

Perfil
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O regresso

Era uma vez um homem andarilho, que vivia do que coletava e do que matava e assim tranquilo ficava.

Mas um dia chegou, em que o retirante percebeu que seus pés nus num atrito ruidoso,

Feitos pedra lascada roíam com suas patadas no chão escaldante terroso,

Ai! As lesões causadas eram de um contundido tenebroso!

O homem então, em toda sua sabedoria,

Matou capivara, ovelha e cotia,

E, de suas carcaças e lãs produziu, um calçado que bem o serviu.

Portanto, o homem rude sua viagem infinda prosseguiu.

Ao chegar às Europas, terras frias, cansado como estava procurou fazer moradia:

Uma cabana próxima ao leito do Tejo.

Daí então construiu de montes,

Carroça, carruagem, embarcações, casarões,

Quarteirões, condomínios, e tudo o que um homem há de construir para ter seu conforto fixo.

Mas num futuro bem distante, depois de construir carros, aviões, computadores e telefones, o homem refletiu, que de tanto trabalho vivia cansado, daquela rotina doentia,

Todos os dias muito trabalho, todos os dias monótonos, que finalizavam tudo num descanso de estadia, e recomeçava ao nascer do sol.

Matutou como ninguém, planejou viagens pelo mundo, de mochila, logo se viu, tornou-se nômade de novo!

Pensou: “Carros pra quê!? Se preciso eu respirar ar puro para viver!”

E em meio a suas viagens, conhecendo outras culturas, outras realidades,

Concluiu que não precisava de verdade de tanta fartura, afirmou:

A partir de hoje “como apenas aquilo que coleto e aquilo que caço”,

Sentou debaixo duma árvore frutífera, recitando alguns poucos versos da Bíblia.

A natureza é dialética, e o homem é um bom selvagem em sua forma primitiva.
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Biografia
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Poemas

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Café preto e duas borboletas

Numa manhã ensolarada de sábado, estava eu tomando café em minha mesa quadrada a qual tem espaço para três no máximo, e em frente a minha mesa, uma janela de vidro finíssimo, dividida em quatro partes, a mesma podia abrir caso quisesse empurrando para cima. Então abri, pois gosto de sábados, e gosto de dias ensolarados e frescos como o daquele dia, por motivos pessoas mas não necessários no momento; era uma boa manhã, eis o meu diagnóstico. Em pouco menos de uma hora deveria sair para realizar uma tarefa relacionado aos meus trabalhos passados pela universidade. O dia da entrega era segunda, mas como sou uma pessoa adiantada, já estava quase terminando, mas isso não vem ao caso.

A questão é: quando estava tomando o meu café quente preto com açúcar, enquanto molhava nele a minha tapioca, ou biju se preferir, percebi que uma borboleta repentinamente apareceu, e pousou em cima da tanta do açucareiro. “Que estranho”, pensei, “de onde veio essa borboleta?” O caso era que morava em um prédio, e ficava no quinto andar, alto o suficiente para não estar no alcance de nenhum inseto, e de repente, aparece outra borboleta.

Bem, tinham então duas borboletas dentro de minha cozinha, uma em cima de meu açucareiro, a menor, e uma em cima de minha mesa, a maior. E eu não fazia a mínima ideia de onde vieram, mas sabia exatamente qual seria a minha providência, então me dirigi a minha prateleira de copos, e pus de forma estratégica ambas, dentro de um grande copo transparente, para observá-las.

Percebi que cada uma foi para a direção oposta a outra... será que queriam se evitar? Será que era uma rivalidade, inimizade, algo do tipo? Só sabia que uma estava totalmente oposta à outra, e nenhuma movia, apenas pressionavam contra o copo a fraquíssima força que tinham, incapaz de movê-lo. Fiquei imensamente curiosa, até o fim do dia deveria saber o porquê de tanto distanciamento mantido entre as duas borboletas, da mesma espécie e provavelmente do mesmo lugar. Talvez até da mesma linhagem de borboletas, muito provável aliás. Mas algo me fez “cair na realidade”, não era possível que fosse alguma espécie de inimizade, como aliás, pode uma borboleta desenvolver qualquer sentimento, afinal, não possuem vínculo com seus sucessores, não vivem muito, mas especificamente, aquele espécie de borboleta vivia apenas nove meses no máximo.

Como fui tola! Não percebi que a força imposta pelas borboletas no copo, e o fato de estarem opostas uma a outra, e principalmente, por eu coloca-las em um copo transparente, fazia com que eu chegasse a conclusão, aqueles inocentes seres vivos, que viviam tão pouco tempo, seguiam apenas o extinto o qual nenhum ser vivo foge; de plantas à nós mesmo, nenhum foge do extinto de sobrevivência e busca por sua liberdade. Minha conclusão final era tão simplória...
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Alergia

Não gosto de carpetes, apesar de macies, quentes e confortáveis aos pés, trazem aos meus olhos uma sensação de acúmulo de poeira. Nunca tive boa relação com a poeira, o próprio médico disse uma vez a minha mãe quando era mais jovem que era alérgico. E de fato, tenho longas memórias de meus dias de tosse, presente, agoniante e ao mesmo tempo romantizada por mim mesmo, sempre pensando, pelo menos após analisar a situação, como aqueles senhores aposentados, sentados em suas poltronas, segurando um jornal, whisky e seu maior veneno, causa de suas mortes, o fumo, o cigarro, o vício fatal.

Daí não precisa mais explicar a minha hostilidade com os carpetes... O mesmo com tapetes. Por isso, prefiro muito mais utilizar sapatos ou chinelos, assim, evito a necessidade de algo para pôr embaixo de meus pés na esperança de confortá-los ou até mesmo aquecê-los. Relato isto pois visitava em uma certa noite, a casa de um conhecido, que o que mais marcou no reencontro, além de sua transformada pessoa, o chão da casa ser totalmente coberto por carpetes, com exceção dos banheiros e cozinha da casa, o que obviamente seria um absurdo se houvesse, a tarefa de limpá-los seria nojentíssima.
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