Magno Ferreira

Magno Ferreira

n. 0000-00-00, Propriá SE

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O Pássaro da praça

Feroz não é o cão,

Não é o leão, não é o não. 

Feroz é o pássaro da praça

Que se empanturra com a desgraça.

O pássaro da praça agita a fauna e garfa a alma

Dos que comem na palma de sua mão:

Quase toda a fauna.

O pássaro da praça causa trauma,

Dirige na escuridão e joga a pedra e esconde a mão.

 

O pássaro da praça cisca, belisca e atiça a agitação.

Agita porque se explodir ele ganha com a explosão.

Se não explodir ele ganha com a decantação.

O pássaro da praça não é gente não,

Transforma a vida em uma corrida pelo pão.

O pássaro da praça para colecionar castelos

Esfarela a alma da minha aldeia e semeia flagelo.

 

O pássaro da praça precisa encher o infinito de alpiste

E pra isso: ele mata e desmata para matar a fome que não existe.
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Poemas

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Quanto vale a vida?

Ontem algumas vozes diziam que o homem vale o que tem.
Hoje é a aparência a maquinista desse trem.
Quem da maquinista não se declarar devoto,
Ousar não consumir pra aparecer na foto,
Nos olhos da maquinista não vai poder se ver.
O ter engoliu o ser e vomitou o parecer.
O parecer não tem nada a ver com o que é verificado.
O endereço certo é o errado.
Quanto vale a vida
Nessa corrida sem chegada e sem saída?
A vida é um passeio
Que meu coração não quer que acabe,
Mas sabe que vai acabar.
– É preciso aproveitar enquanto durar.
Não sei bem o que é aproveitar. 
Consumir?
Olhar pra câmera e sorrir?
Pôr o passeio na bolsa ou no mercado?
Ser mais um produto enlatado?
O passeio passa como um passarinho
Que cruza o espaço azulzinho.
Não quero passar o passeio correndo pra chegar a algum lugar.
Quero ver, ouvir e sentir o vento e tudo que me toca.
Quero saborear a minha pipoca.
Quero falar o que eu penso,
Quero usar o meu lenço.
Meu passeio não cabe na bolsa nem no mercado
Se eu trocar o passeio por uns trocados
Gasto o tempo todo, pra ganhar a vida.
Gasto a vida para ter outra vida.
Que vida? A vendida, a comprada?
Mas a vida é uma só.
E assim as duas vidas em vida viram pó.

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José

Enquanto um gato tirava uma lagartixa pra dançar,
Seu José apreciava a brincadeira com um sorriso no olhar.
Um olhar indiferente à agonia do brinquedo.
Pensei em pôr a mão ou apontar o dedo,
Mas seu José era o dono da casa e do gato.
A conveniência e a covardia apagam a luz do dia.
Isso propicia a alegria dos ratos.
O gato não queria se alimentar,
Queria brincar.
Brincou, brincou e largou o brinquedo, 
Que não sentia mais medo,
Não sentia mais nada.
A escuridão dentro de mim ameaçava a parte iluminada.
Eu não sei o que é certo ou errado pro seu José.
Parece que ele é de outro mundo!
Ou esse é o mundo de seu José?

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