Mairon

Mairon

n. 1986 BR BR

n. 1986-10-21, Apiúna, Santa Catarina

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Milagre

Milagre pra quem acredita
É coisa de Deus
É sopro de vida
Que vence a morte
Como coisa de sorte
Algo que aconteceu

Milagre na fé popular
É coisa de algum santo
Presente no altar
Uma imagem de gesso
Que recebe adereço,
Sacrifício e pranto

Milagre é o gol da virada
No fim do jogo
É escapar da queimada
Quem brinca com fogo
É não se afogar
Na corrente do rio

Milagre é não ser baleado
Ganhar na Loteria
Não ser assaltado
Ter sua família
Porque a vida é dura
E estar só é ruim

Milagre é deixar vela acesa
E Pra quem está na mesa
Diante do prato,
Faminto e cansado
Espera um minuto 
E se põe a rezar 

Também é pra quem foi escolhido
Na fila de emprego
Para começar
Na segunda-feira
Acordar mais cedo
E sair pra trabalhar
Ler poema completo

Poemas

37

Perdão, Perdão, Perdão

Em prece e quieto
Eu descanso
As dores do corpo 
Procuro remédio pro meu coração

Sinto a dor seca no peito
Por não ter dado chances
Ao sopro da vida
Que alimenta o fogo da paixão

Eu quis controlar a balança 
Escolher sobre vidas, anulando a emoção 
Errei em interpretar sentimentos
Sempre foi o medo ao invés da razão

Perdão, perdão, perdão

Em silêncio 
No canto do quarto
Espera calado
O meu violão

Estendo-lhe a mão 
Mas sinto-me machucado
Eu já não posso tocar
O seu coração 

178

Um manco de coração

A paixão perdeu-se 
Cedo, fiquei com passos em falso
E no medo de cair 
Equilibrei-me, meio tonto, num pé só 
Me afastei do invisível 
Deixei de sonhar
E quando você veio
Agarrei-me na razão 
Sem você e sem paixão segui
Como um manco de coração

217

O Vale volta à Lama

O Vale vira lama
É tanta chuva
Tantos dramas
Que as águas desse rio
Carregam para a foz

Levam o trabalho
O choro e o suor
Lavam o orgulho
O ufanismo, nossa voz

Mas tudo sempre volta
Sem deixar lições 
Do que adiantou?
São reparações?

O que vale para o Vale
Também vale para a vida
É importante agradecer
Mas também pedir perdão 

Mais humildade nas cidades
Coração na urbanização 
O Vale volta à lama
Segue a nossa procissão

252

Eu Canto

Eu canto
Mesmo sem saber
E quem pode entender?
O porquê devo cantar

Eu sigo
De alguma maneira
Do meu jeito e como quero
Nessa estrada caminhar

Tenho mesmo essa sina
Desde menina 
Que a vida me ensina
Por onde devo cantar

E mesmo quando
A voz desafina
Não me desanima
De aprender a cantar

301

Nada além

Estou prestes à despedir-me, parece
Quem comparecerá?
Minha mãe e as irmãs por obrigação 
Talvez algum amigo que me deve

Não deixei nada
Amores incompletos 
Negócios falidos
Capoeiras crescidas no jardim

Está chegando o fim 
Alguém chorará por mim?
Que pergunta em vão 
Será o nada e só

Lamento pelos amores que não vivi
Por ouvir a razão 
E só
Serei o pó da estrada
A gota do rio
O vento no frio 
Na nuca de alguém 
Nada além 

261

Estrela do Lar (Dia das Mães)

Está chegando o Domingo
E é sempre muito bom
Poder almoçar contigo
Ouvir sua voz, tocar sua mão 

Que tanto amor já me deu
E que jamais retribuirei
Na altura que mereces
Mesmo assim eu te direi

Como é bom ter você por perto
Estrela do lar, coração sempre aberto
É como encontrar um oásis no deserto
E poder trilhar o caminho do amor

E quanta dor
Ensinou-me a suportar
Com sua fibra, seu exemplo de viver
Você é sempre luz na minha vida a brilhar
Mãe, Pai e Avó, a Estrela do Lar
275

A Lua veio me contar

A Lua veio me contar
Eu meio surdo, ainda ouvi
Que o seu corpo brilha forte
Cegando os olhos dela

Me pediu pra te encontrar
Para tentar te cobrir 
Disse desejando sorte
E que estaria na janela

Se eu precisasse contar
Tudo o que senti
Ou quisesse lembrar
Os pedidos que esqueci

De quando eu era um garoto
E para ela mirava
Deitado na grama
Enquanto em ti pensava
255

Quando a matéria-prima é o amor

A poesia abunda
Quando minguado é o poeta

A profecia é fecunda
Quando estéril, o profeta

A criação é maior
Que o Homem criador 
Quando no processo criativo
A matéria prima é o amor 

Porque seu produto transborda 
Enquanto ele se afoga
282

Enigma do belo

O enigma do belo não está na forma, mas na essência!

Para percebê-lo falta método à ciência. 

Por isso, meu amigo, paciência!
266

Menino de Cidade Pequena

Menino de cidade pequena
Cresce jogando bola
E com os amigos na escola
Faz da vida, sucessivas cenas

Carrega consigo a missão 
De, errando, tentar acertar 
O destino que vislumbraram-lhe alcançar 
Ao falar-lhe em vocação 

Menino simples, de cidade pequena 
Que caminha descalço 
No barro deixa seu rastro
Que cabe à chuva apagar

Marca seu caminho no atraso
Com tinta de sangue e suor
Na tela deixa seu traço
À espera de um dia melhor
252

Comentários (1)

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mairon

Fico feliz que te agrade, obrigado Thais!