Lista de Poemas
Um manco de coração
A paixão perdeu-se
Cedo, fiquei com passos em falso
E no medo de cair
Equilibrei-me, meio tonto, num pé só
Me afastei do invisível
Deixei de sonhar
E quando você veio
Agarrei-me na razão
Sem você e sem paixão segui
Como um manco de coração
O Vale volta à Lama
O Vale vira lama
É tanta chuva
Tantos dramas
Que as águas desse rio
Carregam para a foz
Levam o trabalho
O choro e o suor
Lavam o orgulho
O ufanismo, nossa voz
Mas tudo sempre volta
Sem deixar lições
Do que adiantou?
São reparações?
O que vale para o Vale
Também vale para a vida
É importante agradecer
Mas também pedir perdão
Mais humildade nas cidades
Coração na urbanização
O Vale volta à lama
Segue a nossa procissão
Eu Canto
Eu canto
Mesmo sem saber
E quem pode entender?
O porquê devo cantar
Eu sigo
De alguma maneira
Do meu jeito e como quero
Nessa estrada caminhar
Tenho mesmo essa sina
Desde menina
Que a vida me ensina
Por onde devo cantar
E mesmo quando
A voz desafina
Não me desanima
De aprender a cantar
Nada além
Estou prestes à despedir-me, parece
Quem comparecerá?
Minha mãe e as irmãs por obrigação
Talvez algum amigo que me deve
Não deixei nada
Amores incompletos
Negócios falidos
Capoeiras crescidas no jardim
Está chegando o fim
Alguém chorará por mim?
Que pergunta em vão
Será o nada e só
Lamento pelos amores que não vivi
Por ouvir a razão
E só
Serei o pó da estrada
A gota do rio
O vento no frio
Na nuca de alguém
Nada além
Estrela do Lar (Dia das Mães)
E é sempre muito bom
Poder almoçar contigo
Ouvir sua voz, tocar sua mão
Que tanto amor já me deu
E que jamais retribuirei
Na altura que mereces
Mesmo assim eu te direi
Como é bom ter você por perto
Estrela do lar, coração sempre aberto
É como encontrar um oásis no deserto
E poder trilhar o caminho do amor
E quanta dor
Ensinou-me a suportar
Com sua fibra, seu exemplo de viver
Você é sempre luz na minha vida a brilhar
Mãe, Pai e Avó, a Estrela do Lar
A Lua veio me contar
Eu meio surdo, ainda ouvi
Que o seu corpo brilha forte
Cegando os olhos dela
Me pediu pra te encontrar
Para tentar te cobrir
Disse desejando sorte
E que estaria na janela
Se eu precisasse contar
Tudo o que senti
Ou quisesse lembrar
Os pedidos que esqueci
De quando eu era um garoto
E para ela mirava
Deitado na grama
Enquanto em ti pensava
Quando a matéria-prima é o amor
Quando minguado é o poeta
A profecia é fecunda
Quando estéril, o profeta
A criação é maior
Que o Homem criador
Quando no processo criativo
A matéria prima é o amor
Porque seu produto transborda
Enquanto ele se afoga
Enigma do belo
Para percebê-lo falta método à ciência.
Por isso, meu amigo, paciência!
Precisamos despedir-nos
Por fazer outrem sofrer
Por isso antes de fores
Dê-me um beijo, e até mais ver
Eu espero que fiques bem
Espero que encontres alguém
Com quem você possa conversar
Que te faça feliz e te faça amar
Não quero causar mais sofrimento
Precisamos nos despedir, agora
Não sei bem como agir, nesse momento
Talvez só mais um beijo e ir embora
Eu espero que voltes a amar
Que encontres um espaço capaz
De sua família futura abrigar
Para eu poder viver em paz
Tenho buscado
Mas parece tão distante
Dizem estar tão próximo
Penso no horizonte
Como achar o invisível?
O que chamam de Paz
Devo usar qual sentido?
Nada mais me satisfaz
Tenho buscado
Dizem ser a essência
Tenho estado cansado
Todos falam em paciência
Quanto tempo?
A dificuldade do encontro
Tem me deixado cansado
Até quando?
Comentários (1)
Fico feliz que te agrade, obrigado Thais!